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É apenas uma pergunta. Mensagens de amizade. Toques de suas emoções do bem. Alertas contra os sentimentos do mal. Livres, amigos e amigas internautas escutem sua própria voz interior e a de outros na busca de uma nova espiritualidade do tempo que foge. Nada é estático. O que é a arte de escutar? Descubram o significado de espiritualidade para vocês, nos dias de hoje. Com chaves-tetra-de-ouro, guarde-os no cofre do coração. Desejam receber um bilhete bíblico do profeta Amós? Sentem necessidade de dar e receber? Tem compulsão por comer e de consumir bebidas alcoólicas? Enxergam-se gordos? Vocês se elogiam?
Nessa madrugada da Virada do Ano, o galo canta e você se encanta. E a Luz ilumina a mina de sua vida com o ouro da saúde. Sem compulsão de comida. Sem exagero de bebidas alcoólicas.
A escrita antiga, no Livro do Eclesiástico, 31, 19-20.22, registra o ato de comer com moderação: “O homem bem - educado se satisfaz com pouca coisa e, quando vai para a cama, não se sente sufocado. O sono saudável depende do estômago moderado: a pessoa se levanta cedo e com boa disposição. O homem guloso é sempre acompanhado por mal-estar, insônia, náusea e cólica. Escute-me, filho, e não me despreze, e depois você compreenderá o que estou falando. Seja moderado em tudo o que fizer e nenhuma doença o atingirá”.
É Natal de 2012. Aniversário do Deus Menino. O Recado da Pesquisa lembra “Jesus nascido em Belém da Judéia” (Mateus, 2, 1), filho de “Maria e de seu esposo José” (Mateus, 18, 19). Neste instante, sigo a postura não mais de “uns magos do Oriente”, mas de “outros líderes do Ocidente”, que anunciam Deus sem religião. É possível? Olho para os céus e vejo novas estrelas que brilham com mensagens de espiritualidades de, Brian Tracy, Alberto Caieiro, Ecléa Bosi, Gasparetto e Bob Proctor. Eles oferecem dicas de meditação para celebrarmos a boa nova de um broto divino, cidadão daquela cidade do Oriente. O Menino Deus nos liberta das cadeias eclesiásticas construídas nos mercados religiosos. Recomendo escolher um dia para olhar bem cada estrela que brilhar durante as os dias natalinos (Francisco Antônio de Andrade Filho).
Pratique a lei da integridade
Você alcança a felicidade e o alto desempenho quando decide viver de maneira coerente com seus valores mais elevados e suas convicções mais profundas. Viva sempre de acordo com o que há de melhor em você (Brian Tracy)
O olhar de uma criança que brinca fora da jaula do estereótipo.
A criança sofre, o adolescente sofre. De onde nos vêm, então, a saudade e a ternura pelos anos juvenis? Talvez, porque nossa fraqueza fosse uma força latente e em nós houvesse o germe de uma plenitude a se realizar. Não havia ainda o constrangimento dos limites, nosso diálogo com os seres em aberto, infinito. A percepção era uma aventura; como um animal descuidado, brincávamos fora da jaula do estereótipo (Cléa Bosi).
Natal é paz interior, revelação da própria vida.
Ter a paz é sentir a expressão da própria vida, que é tão valiosa. Vibre mais uma vez nessa paz e irradie esse prazer para tudo. A paz é a luz que invade a escuridão e anula as ilusões. A paz cria a verdadeira realização. Sempre vou repetir a palavra paz dentro de mim e ela vai me levar a esse estado único de prazer. Quero me manter assim até conquistar todos os meus objetivos nesta vida (Gasparetto).
O aniversário de Jesus é um convite para se celebrar a boa nova do amor na alegria, na justiça, durante toda sua vida.
[...] O Natal, antes de ter acontecido em Belém, se formou no coração de Deus. O Natal nasceu da tristeza de Deus. Ele olhou para os homens e os viu tão perdidos, tão loucos, tão fora do caminho: “Andavam desgarrados como ovelhas, sem saber que caminho tomar” (Is 53,6).
[...] Mais que festa, o Natal é ritual. Os rituais são repetições de um passado perdido, para o qual gostaríamos de voltar. Eles nos reconduzem às fontes donde brotam as águas da vida.
[...] Para isso aconteceu o Natal. Já que os homens não percebiam com os olhos da alma, quem sabe perceberiam com os olhos do corpo? Deus, então, se deu aos olhos dos adultos. E o que eles viram foi o assombroso, o espantoso, o jamais pensado, o insólito, o escandaloso. Deus é uma criança.
Neste Natal, homenageie a mãe de Jesus com Paula Fernandes em "Ave-maria Natureza".
mãe das estrelas, mãe do céu.
Alma doce da natureza
Oh seiva viva que nutre esse chão
dá tua luz a tudo que vive e respira
leva a dor do coração.
Oh doce mãe estende teu manto
pra essa terra que tanto precisa de ti
transforma os corações dos homens
pra que o paraíso aconteça aqui.
Santa Maria.
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por Francisco Antônio de Andrade Filho
Próximo 13 de maio de 2012, dia das mães. Elas merecem uma homenagem especial, cada qual a seu modo. Visitei a loja virtual Ladoludens. Alegres, crianças e adolescentes olhavam e compravam brinquedos para suas mães e avós. Filhos, filhas e netos dialogavam com os adultos para brincarem com elas neste lindo dia. Ouvi os clientes elogiarem o casal empresário, designers Mateus e Alessandra, artistas de fazer brinquedos aqui expostos.
Olhei para o Abano Orelha. Ao seu lado, vi este bilhete:
“Albano é um bichinho simpático que vive nas copas das árvores e se esconde em meio à vegetação seca. Apesar de acostumado ao clima árido, se adapta bem em qualquer ambiente. Suas 'orelhinhas' lhe permitem ouvir o menor ruído e conferem maior autonomia de vôo quando pula de galho em galho. Ele é meio arisco com desconhecidos, mas muito carinhoso com quem aprende a confiar. Adora comer frutinhas silvestres, especialmente quando oferecidas na mão de pessoas amigas da natureza e que cuidam dele.”
Enquanto alegre com Abano Orelha, observei a felicidade de crianças, adolescentes, homens e mulheres de todas as idades com o mesmo boneco e outros brinquedos: Moniere, Bartozito, Lila Pupila, Bartolomeo. Em homenagem às suas mães, esses brinquedos eram acompanhados com bilhetes de amor, a exemplo destes:
Querida Mãe: “Cuidar de si não significa de modo algum perseguir uma certa aparência física ou moral, correr atrás de dinheiro, posses, poder, títulos, prestígio, reconhecimento, amor, etc. Significa que temos de desenvolver nossa capacidade de sentir nossas próprias emoções e as dos outros, pensar de modo justo e perceber a beleza do mundo”. (Rhonda Byrne)
Estimada Mãe: Eu quero seguir os sinais da Natureza. “Aprenda a dobrar-se com o vento, conservando a coragem e a força para não se quebrar. Mas preserve sua dignidade e aprenda a ajudar aqueles que não são tão fortes quanto você”. (Václav Havel).
Mãe: “A arte de escutar é como uma luz que dissipa a escuridão da ignorância. Se você é capaz de manter sua mente constantemente rica através da arte de escutar, não tem o que temer. Este tipo de riqueza jamais lhe será tomado. Essa é a maior das riquezas”. (Dalai-Lama)
Mãe, receba este bilhete de amizade: “A vida é como jogar uma bola na parede. Se for jogada uma bola verde, ela voltará verde; se for jogada uma bola azul, ela voltará azul; se a bola for jogada fraca, ela voltará fraca; se a bola for jogada com força, ela voltará com força: Por isso, nunca jogue uma bola na vida, de forma que não esteja pronto para recebê-la. A vida não dá, nem empresta; não se comove, nem se apieda. Tudo quanto ela faz é retribuir e transferir aquilo que nós lhe oferecemos”. (Albert Einstein)
“A meditação nada tem a ver com tempo e espaço. Ela tem algo a ver com você, com seu espaço interior. Assim, sempre que você estiver livre da rotina diária, relaxe e permita que ela aconteça. Ela pode acontecer em qualquer lugar e em qualquer tempo, porque ela não é temporal nem espacial”. (Osho)
“A meditação: não o ‘misticismo’, nem experiências extraordinárias, apenas um exercício de atenção, muito simples, gratuito, acessível a todos. Somente uma coisa: a atenção se dirige para o interior”. (Pierre Levy)
“É através da arte de escutar que seu espírito enche de fé e devoção e que você se torna capaz de cultivar a alegria interior e o equilíbrio da mente. A arte de escutar permite alcançar sabedoria, superando toda ignorância. Então, é vantajoso dedicar-se a ela, mesmo que isto lhe custe vida.” (Dalai Lama)
“Afirmar que a vida tem sentido é propor a fantástica hipótese de que o universo vibra com nossos sentimentos, sofre a dor dos torturados, chora a lágrima dos abandonados, sorri com as crianças que brincam. Tudo está ligado. Convicção de que, por detrás das coisas visíveis, há um rosto invisível que sorri, presença amiga, braços que abraçam, como na famosa tela de Salvador Dali. E é essa crença que explica os sacrifícios que se oferecem nos altares e as preces que se balbuciam na solidão”. (Rubem Alves)
Cante a riqueza de suas emoções durante toda sua existência.
“Neste exato momento, você pode começar a se sentir saudável, a se sentir próspero, a sentir o amor que o cerca, mesmo que ele não esteja lá. E então o universo corresponderá à natureza desse sentimento no seu âmago e se manifestará, porque é assim que você se sente”. (Michael Bernard Beckwith)
“Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante da tua face, e a glória do Senhor será a tua retaguarda”. (Isaías 58.8)
“Ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor o sustenta com a sua mão” (Salmos 37.24)
“O coração alegre aformoseia o rosto, mas com a tristeza do coração o espírito se abate”. (Provérbios de Salomão, cap. 15, verso 13)
“O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos”. (Prov. 14:30)
“Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios”. (Salmos 103.2)
Vibre com as belezas de seus sentimentos.
“Descendo ao fundo do poço é que a gente recupera os tesouros da vida. É onde se tropeça que se acha o seu tesouro. A mesma caverna em que a gente tem medo de entrar acaba sendo a fonte do que estava procurando” (Joseph Campbell)
“Fique onde você puder ficar. Dê o melhor de si na atividade à mão, e a oportunidade começará a procurá-lo. Chama-se ‘uma coisa leva a outra’” (Andrew Matthews).
“Sempre acontece aquilo em que a gente acredita; e a crença numa coisa faz com que ela aconteça” (Frank Lloyd Wright).
“A vida é engraçada. Se você se recusa a aceitar o que não seja o melhor, com certeza obterá o melhor” (W. Somerset Maugham).
“A origem do sofrimento é o desejo” (Buda).
“Mostre-me uma pessoa feliz e ingrata” (Kig Ziglar).
“Não ande por aí dizendo que o mundo lhe deve uma existência. O mundo não lhe deve nada. Chegou aqui primeiro” (Mark Twain).
“Só há dignidade no trabalho quando ele é livremente aceito” (Albert Camus).
“O trabalho é o amor tornado visível” (Khalil Gibran).
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por Francisco Antônio de Andrade Filho
Nesta página do Recado da Pesquisa, você, feliz, encontra alguns instantes de se viver bem. Bem-Vindo à Meditação. Pense nisso.
Um convite à sincronia com o outro. É possível?
O universo é um milagre maior do que somos capazes de imaginar. É tão maravilhosamente planejado que a qualquer momento todos recebemos as lições de que necessitamos dos outros participantes de nossa vida (Andrew Matthews).
Contradições da vida. Poderes científicos e espirituais, com ou sem ética? São possíveis?
Os meios pelos quais vivemos se distanciaram dos fins para os quais vivemos. Nosso poder científico ultrapassa nosso poder espiritual. Encaminhamos mísseis e descaminhamos homens (Martin Luther King).
Diferenças entre Religião e Espiritualidade
A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma.
A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.
A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.
A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.
A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior.
A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: "aprenda com o erro".
A religião reprime tudo, te faz falso.
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!
A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e, portanto é Deus.
A religião inventa.
A espiritualidade descobre.
A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.
A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras.
A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.
A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade você tem que buscá-la.
A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.
A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.
A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência.
A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser.
A religião alimenta o ego.
A espiritualidade nos faz Transcender.
A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.
A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.
A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.
A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.
A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência.
A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.
A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida.
(autor desconhecido)
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por Francisco Antônio de Andrade Filho
Em busca de saúde ocular, vou ao Centro Médico Prof. José Augusto Barreto – Av. Gonçalo Prado Rollemberg, 211 – Bairro São José – Aracaju/SE. Marco uma consulta com uma profissional de prevenção de doenças oculares e reabilitação visual. Aqui, vejo a luz se acender e brilhar fora e dentro de mim. Enxergo com o corpo e com a alma. Atento, percebo borboletas a se metamorfosearem no Consultório da oftalmologista Ana Cecília. Na sala de espera 709 e no seu Consultório, olho outros objetos, recheados de significados clínicos. Revelam uma forte espiritualidade, alinhada à “medicina de relação”. Demonstram a dimensão holística no cuidado com a saúde de seus pacientes. E sinto-me bem neste recinto, onde escuto músicas clássicas e assisto as borboletas bailando com a orquestra da transformação.
Assim, nessa casa de saúde ocular, ondas sonoras ecoam com instrumentos musicais de Johnn Sebastian Bach - “Eu te pertenço, senhor”. De repetente, observo as Borboletas daquela profissional a brincarem com as coisas da vida. São artistas desta clínica médica. Num jogo de luzes multicores, elas bailam por todos os recantos da sala. Bem mais alegres, escutam o som de outras músicas do mesmo gênero. No movimento dos braços de suas asas, tocam e dançam nas cordas musicais de Carl Orff, Jules Fréderic Massanet e Wolfgang Amadeus Mozart. E com essas bailarinas, descubro os segredos da admirável síntese do divino e da harmonia que reina nesse show musical. Hinos que sobem da humanidade até Deus. Transformam a cegueira em luz visível e de espírito. Atrai saúde para o corpo e a alma.
As borboletas, felizes no seu baile de metamorfose, sobrevoam os diversos objetos postados na sala de espera. Percebem um ambiente de espiritualidade oriental. E lembram a essência de toda vida espiritual que, segundo Dalai-Lama, é [...] a emoção que existe dentro de você, é a sua atitude para com os outros. Se a sua motivação é pura e sincera, todo resto vem por si. Você pode desenvolver essa atitude correta para com seus semelhantes baseando-se na bondade, no amor, no respeito, sobretudo na clara percepção da singularidade de cada ser humano [...].
Curioso, observo mais borboletas. Desta vez, com suas asas, batem palmas com toques de amizade para com as águas de uma fonte, bem iluminada e localizada ao lado da porta do Consultório de Ana Cecília. Sábias, por natureza, elas se entre - olham e perguntam para o universo inteiro: “O Sol e a Terra são fontes de Vida”? E uma delas cochicha ao meu ouvido: “a luz emanada do Sol é simplesmente vida, nos dá energia e força para viver. O Sol ilumina nossa vida emanada de Deus”.
A postura dessas borboletas lembra a beleza das Praias do Litoral brasileiro. Enquanto caminhava nas areias e tomava banho de mar, a oftalmologista me chamou de “Peregrino da Praia de Atalaia”, onde me sinto bem, inserido na Natureza. Trabalho pela sua preservação. Ninguém pode atribuir algum mal a ela, quando na realidade é feito pelo próprio homem. Oferece uma carga nova capaz de renovar desde a menor célula até nosso corpo inteiro. Aqui, com as mesmas borboletas, aquele bater palmas ecoa em suas vidas como ondas sonoras do mar a tocarem nas cordas musicais das areias da praia. Cantamos e dançamos. Águas salgadas a comporem músicas de primeira qualidade. Juntos, praticamos hidroginástica. Cuidamos de nossa saúde.
Nesse clima de felicidade, as borboletas entoam hinos de louvor com palmas de amizade para os pacientes. Revelação do segredo de nascer e viver. Celebração da beleza e da alegria. Cada um de nós sente na pele que “água é vida”. A Natureza sopra ar para seus pulmões, oxigena seu cérebro, massageia sua coluna e navega por todo seu corpo-mente. Inspira e expira. E o sopro divino, diurnamente, entra e sai do seu corpo É a sabedoria divina do oxigênio na Terra. Respira. Vive. E Deus é vida.
Eis que surge uma borboleta muito especial. Ela nos abre a porta do seu Consultório. Borboletas, meditando em silencio, liam bilhetes clínicos com mensagens psicossomáticas. Enquanto isso, Drª Ana Cecília me examinava os olhos. Excelentes biotecnologias à disposição de seus clientes. Ela se veste da ética do biopoder com a saúde do ser humano.
A Borboleta Hortência, filósofa, lembra a dimensão holística de espiritualidade em Platão: “Da mesma forma que não pode curar os olhos sem a cabeça, ou a cabeça sem o corpo, também não se deve tentar curar o corpo sem a alma. Pois a parte nunca pode ficar boa se o todo não estiver bem”.
A Borboleta Orquídea, iluminista francesa, escolheu uma carta: Letre sur les Aveugles à l’Usage de Ceux qui Voient, escrita por Denis Diderot, em 1749 . Nela, o pensador iluminista retrata Saunderson, cego de nascimento, interrogado pelos políticos do seu tempo: - E o que são, em vosso parecer, os olhos? E o cego responde: - São um órgão sobre o qual o ar produz o efeito de minha bengala sobre minha mão […] Isso é tão certo que, quando coloco minha mão entre vossos olhos e um objeto, minha mão vos está presente, porém o objeto vos está ausente. A mesma coisa me acontece, quando procuro uma coisa com minha bengala e encontro uma outra.
Por sua vez, Borboleta Jasmim, doutora em Teologia, indica a leitura e a meditação com a mensagem espiritual do Evangelho de Jesus (Lucas, 18:35-43), curando o mendigo de Jericó.
Aquele filósofo grego, com o olhar da razão, via a totalidade das realidades do cosmos como aquele cego que, pelo ouvido, percebeu “o barulho da multidão que passava” ou pelo tato quando “Jesus parou e mandou que o trouxesse”.
O homem-Deus chamado Jesus, cheio de compaixão e ternura, confiança, doação, enternecimento, conquista a experiência espiritual de sentir-se Filho de Deus, de afeto e de extrema intimidade para com a saúde integral daquele mendigo cego que nesse momento viu seu médico, observou a multidão e as belezas da Natureza. Sua alma não dói mais. Agora, ouvia e via. Sentiu-se feliz e vivo. E enxerga tudo. Que emoções transformadoras de vida. O cego descobriu seu próprio corpo e encontrou o caminho espiritual.
Enquanto isso, a última Borboleta Margarida pensa e curte a mensagem de Rubem Alves: “Afirmar que a vida tem sentido é propor a fantástica hipótese de que o universo vibra com nossos sentimentos, sofre a dor dos torturados, chora a lágrima dos abandonados, sorri com as crianças que brincam. Tudo está ligado. Convicção de que, por detrás das coisas visíveis, há um rosto invisível que sorri, presença amiga, braços que abraçam, como na famosa tela de Salvador Dali. E é essa crença que explica os sacrifícios que se oferecem nos altares e as preces que se balbuciam na solidão”.
Nesse espaço agradável, descobri a dimensão holística da espiritualidade profissional vivida pela Drª Ana Cecília. Exprime a ética do cuidado para com a saúde integral do homem. É artista clínica, capaz de ver nos seres da natureza e das culturas, do corpo e da alma como as maiores riquezas da saúde do espírito do homem. É sua espiritualidade, sua transformação interior.
E mais. Filósofo, testemunho que o olhar dessa profissional - enquanto examinava os meus olhos de 72 anos -, se envolvia com questões existenciais: a dor e o sofrimento humanos não apenas dor física, mas a mental, social e espiritual. O ser humano como um todo, um nó de relações. É corpo. É alma. É profissional. Ama e sofre. É a mulher-Médica. Oftalmologista, ela diagnostica bem com as biotecnologias disponíveis em seu Consultório.
Fiquei curado por Ana Cecília e suas borboletas. Seres inteligentes esses, capazes de transformar a doença em saúde. E Enxergo bem melhor a escrita de Hipócrates: “Penso que o melhor médico, é aquele que tem a sabedoria de falar com os pacientes, segundo o seu conhecimento, da situação do momento; do que aconteceu antes e do que acontecerá no futuro”.
Para não concluir, provoco um debate com os visitantes de meu site, nestes termos: É necessário um novo modelo de empresa terapêutica, uma “medicina de relação”, antes da medicina de órgãos, que recupere a totalidade do ser humano e considere o paciente como pessoa na unidade de todas as suas dimensões. É nesta “aliança terapêutica” entre profissionais de saúde e pacientes, que pode animar uma nova cultura da saúde que evite a “coisificação” dos enfermos e a perda da humanidade na arte clínica.
Para festejar o nascimento de Jesus em 2010 [Recados de Meditação]
by Francisco on domingo, 19 de dezembro de 2010
por Francisco Antônio de Andrade Filho
Celebrar o aniversário de Jesus é descobrir o tesouro de uma espiritualidade sem religiões organizadas que nos engaiolam em prisões infernais de segurança máxima.
É Natal de 2010. Aniversário do Deus Menino. O Recado da Pesquisa lembra “Jesus nascido em Belém da Judéia” (Mateus, 2, 1), filho de “Maria e de seu esposo José” (Mateus, 18, 19). Neste instante, sigo a postura não mais de “uns magos do Oriente”, mas de “outros líderes do Ocidente”, que anunciam Deus sem religião. É possível? Olho para os céus e vejo novas estrelas que brilham com mensagens de espiritualidades de Frank Dick, Brian Tracy, Aloizio Gomes Barbosa, Alberto Caieiro, Ecléa Bosi, Gasparetto e Bob Proctor. Eles oferecem dicas de meditação para celebrarmos a boa nova de um broto divino, cidadão daquela cidade do Oriente. O Menino Deus nos liberta das cadeias eclesiásticas construídas nos mercados religiosos. Recomendo escolher um dia para olhar bem cada estrela que brilhar durante as os dias natalinos (Francisco Antônio de Andrade Filho).
Você é sua própria benignidade, confiança, respeito e alegria de viver. Descubra o poder de sentir-se bem com suas conquistas.
Ninguém neste mundo é melhor sendo você do que você mesmo. Não tente ser outra pessoa; tente apenas ser uma versão melhor de si mesmo. Este é o segredo de todo campeão (Frank Dick).
Pratique a lei da integridade
Você alcança a felicidade e o alto desempenho quando decide viver de maneira coerente com seus valores mais elevados e suas convicções mais profundas. Viva sempre de acordo com o que há de melhor em você (Brian Tracy)
Deus Menino é a expressão da arte de viver como criança igual a todas as outras
No céu era tudo falso, tudo em desacordo. No céu tinha que estar sempre sério. [...] A mim ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar a para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente tem na mão. E olha devagar para elas (Alberto Caeiro).
O olhar de uma criança que brinca fora da jaula do estereótipo
A criança sofre, o adolescente sofre. De onde nos vêm, então, a saudade e a ternura pelos anos juvenis? Talvez, porque nossa fraqueza fosse uma força latente e em nós houvesse o germe de uma plenitude a se realizar. Não havia ainda o constrangimento dos limites, nosso diálogo com os seres em aberto, infinito. A percepção era uma aventura; como um animal descuidado, brincávamos fora da jaula do estereótipo (Cléa Bosi).
O que é a vida para você? Descubra seu segredo. Relaxe e medite nisso.
Esta é a sua vida, e está esperando que você a descubra! Até agora você talvez tenha pensado que a vida é dura, uma luta, e, portanto, pela lei da atração, deve ter sentido a vida como dura e uma luta. Comece imediatamente a gritar para o Universo: “A vida é tão fácil! A vida é tão boa! Todas as coisas boas vêm até mim!” (Bob Proctor).
Natal é paz interior, revelação da própria vida.
Ter a paz é sentir a expressão da própria vida, que é tão valiosa. Vibre mais uma vez nessa paz e irradie esse prazer para tudo. A paz é a luz que invade a escuridão e anula as ilusões. A paz cria a verdadeira realização. Sempre vou repetir a palavra paz dentro de mim e ela vai me levar a esse estado único de prazer. Quero me manter assim até conquistar todos os meus objetivos nesta vida (Gasparetto).
O aniversário de Jesus é um convite para se celebrar a boa nova do amor na alegria, na justiça, durante toda sua vida.
Nossa grandeza ou nossa mesquinhez se encontram - como semente ou flor - em nosso coração. E só há uma ordem; só pode haver uma ordem: render-se à doçura e à justiça do Amor.
O Amor é terrível contra os tiranos; é uma espada de luz contra os bajuladores; é a sarça que arde contra os corrompidos.
O Amor cega os que oprimem; abençoa a ternura dos amantes e lhes imprime alegria; incomoda os que atraiçoam; transtorna os que enganam a si mesmos e que, por isto, enganam os outros.
O Amor estende-se na relva e colhe a prata das chuvas; recolhe em seu seio os que foram humilhados, os que foram objeto de ironia e rejeição e os que enlouqueceram pelo desamor de tantos.
O Amor fecunda as flores e perfuma o mundo; estanca o sangue dos justos. Numa mão traz a cura, na outra, a justiça. Faz renascer a alma envelhecida, apaga os dissabores e as ilusões da mente.
O Amor ilumina a algazarra das crianças; o Amor nos despe de nossa arrogância; não nos julga pela nossa aparência, mas nos conhece pela nossa essência.
Quando nos sentimos mutilados, o Amor nos cobre com seu manto; é como um menino, descalço, descobrindo novas trilhas na escuridão do mundo.
O Amor não censura. O Amor não se omite. O Amor respeita as diferenças, mas denuncia as injustiças.
O Amor não é complacente com os que trazem na boca o beijo e, na mão, o punhal.Assim, em seu caminho de Luz e Silêncio, de Som e Magia, o Amor cumpre o seu destino (Aloízio Gomes Barbosa).
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Convites de Jó, Rubem Alves, Dalai-Lama, Pierre Lévy e Santo Agostinho [Recados de Meditação]
by Francisco on quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Dicas selecionadas por Francisco Antônio de Andrade Filho
Neste poema, Jó revela pureza de visão e de saber ouvir. Ele se valoriza primeiro, para respeitar o outro. Medite com ele e com você mesmo:
Eis o que vi com meus olhos, o que escutei com meus ouvidos e bem entendi. O que sabeis, eu sei também, em nada vos sou inferior (Jó, 13, 1-2).
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“Trago hoje uma técnica de defesa contra possíveis influências energéticas. Pratique-a todas as noites ou quando surgirem situações difíceis. Vamos lá? Feche os olhos e imagine que o astral é algo escuro que fica logo atrás e acima de você. Vamos mandar tudo o que é do astral para o astral. Você pode até perguntar: “Mas, Gasparetto, não sei o que é astral!”. Não importa: o seu corpo sabe e vai mandar embora só o que tem que sair. Se você propuser isso, ele vai fazê-lo.
Imagine, agora, a energia que vem debaixo da terra, passando pelo seu corpo e sendo jogada para esse escuro. Para que esse caminho da energia seja realizado rapidamente, use a respiração: inspire profundamente e expire rapidamente. Dá até uns arrepios…
Concentrada, diga: “sai de mim. Quero que saia tudo isso de mim. Não interessa o quê. Eu quero que saia”. Fale com raiva. A energia da raiva é energia de domínio. Estamos chamando nossa força para limpar nosso campo energético. Trata-se de uma força poderosa, pois é severa. O corpo inteiro ouve e faz o que você manda.
Continue a mentalizar: “sai, sai, sai’. Observe como seu corpo vai tendo sensações. Às vezes, a gente chega até a tremer. Se você sente que, em determinado local, a dor aumenta, é porque tem alguém grudado ali. Encosto mesmo! “Esse corpo é meu e pronto”. Aos poucos você sente que vai acalmando, até experimentar uma descontração, um relaxamento.
Vamos agora fazer uma captação positiva. Leve as mãos ao alto e puxe o prana. Agora suas mãos são antenas parabólicas que estão voltadas para o universo infinito. E diga: “Quero me abrir para esse infinito. Me vejo no meio dos astros, das estrelas, um lugar superluminoso”.
Mentalize, porque o corpo vai para onde a mente sintoniza. Um lugar lindo, cheio de paz. Traga as mãos para o peito e sinta que você é da paz. Pense que você é forte e boa, mas não boba. Que aprende a dizer não, que se responsabiliza por si mesma.
Abençoe-se! Que parta de você mesma um carinho, um elogio, um gesto de amor. Olhe para si como se olhasse para o próprio filho. Abençoe-se por todas as vitórias e pelos fracassos também, porque eles foram grandes tentativas. É abençoando-nos que somos abençoados. E essa benção é profunda”.
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Medite mais: coluna Gasparetto e Você
por Francisco Antônio de Andrade Filho
“Sabendo ouvir sua mente você se voltará para a fé e para a devoção. Você poderá cultivar a alegria em seu íntimo e conseguirá manter o equilíbrio de sua mente.
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É através da arte de escutar que seu espírito enche de fé e devoção e que você se torna capaz de cultivar a alegria interior e o equilíbrio da mente. A arte de escutar permite alcançar sabedoria, superando toda ignorância. Então, é vantajoso dedicar-se a ela, mesmo que isto lhe custe vida.
A arte de escutar é como uma luz que dissipa a escuridão da ignorância. Se você é capaz de manter sua mente constantemente rica através da arte de escutar, não tem o que temer. Este tipo de riqueza jamais lhe será tomado. Essa é a maior das riquezas.
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Olhe para a pessoa que lhe causa aborrecimento e tire proveito da oportunidade para controlar a própria ira e desenvolver a compaixão. Entretanto, se o aborrecimento for muito grande ou se você achar a pessoa tão desagradável que seja impossível agüentá-la, talvez seja melhor sair correndo”.
Escute mais: Dalai-Lama. Palavras de Sabedoria. Rio de Janeiro: Sextante, 2001, p.60; 61; 74
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Recado de meditação: Escute a voz da espiritualidade bíblica
by Francisco on segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Versículos escolhidos por Pedro Ramos Botelho
“Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante da tua face, e a glória do Senhor será a tua retaguarda.” (Isaías 58.8)
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“Ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor o sustenta com a sua mão.” (Salmos 37.24)
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“O coração alegre aformoseia o rosto, mas com a tristeza do coração o espírito se abate”. (Provérbios de Salomão, cap. 15, verso 13)
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“O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos.” (Prov. 14:30)
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“O amor é sofredor, é benigno: o amor não é invejoso: o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”
(1 Coríntios 13: 4-7)
Recado de meditação: Escute Rubem Alves na arte de orar
by Francisco on segunda-feira, 30 de agosto de 2010
escolhidos por Francisco Antônio de Andrade Filho
“Acontece que eu sei que o que as pessoas desejam, ao procurarem a terapia, é reaprender a esquecida arte de rezar. Claro que elas não sabem disso. Falam sobre outras coisas, dez mil coisas. Não sabem que a alma deseja uma só coisa, cujo nome esqueceu.”
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“A terapia é a busca desse nome esquecido. E, quando ele é lembrado e é pronunciado com toda a paixão do corpo e da alma, a esse ato se dá o nome de poesia. A esse ato se pode dar também o nome de oração”.
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“Para começar, abra bem os olhos! Veja como este mundo é luminoso e belo! Tão bonito que Nietzsche até mesmo lhe compôs um poema:Olhei para este mundo – e era como se uma maçã redonda se oferecesse à minha mão, madura dourada maçã de pele de veludo fresco... como se mãos delicadas me trouxessem um santuário, santuário aberto para o deleite de olhos tímidos e adorantes: assim este mundo hoje a mim se ofereceu..."
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“Mas isso não é tudo. Além das necessidades vitais básicas a alma precisa de beleza. E a beleza – o mundo a serve a mancheias. Está em todos os lugares, na lua, na rua, nas constelações, nas estações, no mar, no ar, nos rios, nas cachoeiras, na chuva, no cheiro das ervas, na luz que cintila na água crespa das lagoas, nos jardins, nos rostos, nas vozes, nos gostos”.
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“Além da beleza estão os prazeres que moram nos olhos, nos ouvidos, no nariz, na boca, na pele. Como no último dia da criação, temos que concordar com o Criador: olhando para o que tinha sido feito, viu que tudo era muito bom”.
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“Muitas orações são produtos da insensatez das pessoas. Acham que o universo estaria melhor se Deus ouvisse os seus conselhos. Pedem que Deus lhes dê pássaros engaiolados, muitos pássaros. Nisso protestantes e católicos são iguais. Tagarelam. E não se dão trabalho de ouvir. Não sabem que a oração é só um gemido. ‘Suspiro da criatura oprimida’: haverá definição mais bonita? São palavras de Marx. Suspiro: gemido sem palavras que espera ouvir a música divina, a música que, se ouvida, nos traria alegria”.
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Fonte: Alves, Rubem. Transparência da eternidade. Campinas: Verus, 2002. Páginas 53 a 57, passim.
Recado de meditação: Assim eu me amo para amar o outro
by Francisco on segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Escolhido por Francisco Antônio de Andrade Filho
“Não se incomode com o amanhã: o hoje é suficiente. Alguém ama você... Deixe que este seja um dia de alegria, um dia de celebração. Deixe-se ficar hoje tão totalmente no amor que sua totalidade e seu amor serão suficientes para que a outra pessoa não se afaste de você. Seu ciúme a afastará de você. Só o amor pode fazer mantê-la com você.”
“Não pense no amanhã. No momento em que você pensa no amanhã, sua vida de hoje fica meio desanimada. Contente-se em viver o hoje e deixe que o amanhã se resolva por si mesmo – ele tomará seu próprio curso. E lembre-se de uma coisa: se seu dia de hoje for uma bela experiência, uma bênção, desse hoje brotará o amanhã. Então, para que se preocupar?”
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“Relacionamento significa algo completo, acabado, fechado. O amor nunca é um relacionamento. O amor é relacionar-se. Ele é sempre um rio, fluente, sem fim. O amor não sabe o que é ponto final. A lua-de-mel começa, mas nunca acaba. Os amantes têm um fim, o amor continua. É um verbo, não um substantivo”.
“E por que reduzimos a beleza do relacionar-se a um relacionamento? Por que temos tanta pressa? Porque o relacionar-se é inseguro e o relacionamento é uma forma de segurança. Relacionamento dá uma certeza. Relacionar-se é só um encontro entre dois estranhos, talvez só por uma noite, e, pela manhã, dizem adeus. Quem sabe o que vai acontecer amanhã?”
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Fonte: Faça o seu coração vibrar. Osho. Tradução de Denny Zuca. Rio de Janeiro, 2005, p.42 e 78.
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Recado de Meditação: Por uma nova vivência espiritual
by Francisco on sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Selecionado por Francisco Antônio de Andrade Filho
“A essência de toda vida espiritual é a emoção quer existe dentro de você, é a sua atitude para com os outros. Se a sua motivação é pura e sincera, todo o resto vem por si. Você pode desenvolver essa atitude correta para com seus semelhantes baseando-se na bondade, no amor, no respeito e sobretudo na clara percepção da singularidade de cada ser humano”.
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“O poder de cura do espírito segue naturalmente o caminho do espírito. Não reside entre as paredes dos prédios luxuosos, nem no ouro que cobre as imagens, nem na seda com que se modelam as roupas, nem mesmo no papel dois documentos sagrados, mas vive na inefável substância da mente e no coração dos homens. Devemos sublimar os instintos de nosso coração e purificar nossos pensamentos”.
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“Quando conseguimos criar um ambiente espiritual através de rituais e obediência a certas regras, estes procedimentos têm um poderoso efeito sobre nossas vidas. Se nos falta a dimensão interior necessária para a desejada experiência espiritual, então os ritos tornam-se meras formalidades, artifícios externos. Perdem o sentido e transformam-se claramente em hábitos dispensáveis, servindo apenas como passatempo”.
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Fonte: Dalai Lama Xiv - Bstan-'Dzin-Rgya-Mtsho. Palavras de Sabedoria. tradução de Maria Luiza Newlands Silveira e Márcia Clúdia Alves – Rio de Janeiro: Sextante, 2001, p. 9; 10; 12.
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Texto escolhido e meditado por Francisco Antônio de Andrade Filho
Fonte: Osho. Osho Todos os Dias. Tradução Leonardo Freire. – Campinas, SP: Verus Editora, 2003, p. 15.
“Estes são os verdadeiros ladrões: a dúvida, a suspeita, o medo.
Eles aniquilam sua própria possibilidade de celebração. Enquanto você estiver sobre a terra, celebre a terra. Enquanto durar este momento, desfrute-o até a essência. Devido ao medo, perdemos muito; devido ao medo, não podemos amar, ou, mesmo se amarmos, esse amor será sempre morno, sofrível, irá sempre até certo limite, e não além. Sempre chegamos a um ponto além do qual temos medo e estagnamos ali. Devido ao medo, não podemos entrar fundo em uma amizade; devido ao medo, não podemos orar profundamente.
Seja consciente, mas nunca precavido. A distinção é muito sutil. A consciência não está enraizada no medo; a precaução está enraizada no medo. A pessoa fica precavida para nunca errar, mas, então, não pode ir muito longe. O próprio medo não permitirá que você examine novos estilos de vida; novos canais para sua energia, novas direções, novas terras. Você sempre percorrerá o mesmo caminho, repetidamente, movendo-se para cá e para lá num vaivém, como um trem de carga.”
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por Francisco Antônio de Andrade Filho
Li o capítulo 4 “A lei da integridade”, do livro Prosperidade Profissional, escrito por Luiz Antônio Gasparetto. Trata-se de buscar o melhor de sua vida espiritual embutida na lei da integridade. Com ela, você encontrará proteção e enxergará o bem de seu próprio poder. Faça o seu melhor e cante sua vitória e o significado de vida feliz. Dedique seus minutos de meditação, hoje, com este destaque (p.130/131), do mesmo autor:
“A integridade só conhece e age pelo melhor. Mas toda vez que você, conscientemente, não faz o seu melhor, o seu sistema de integridade não o defende.
As coisas podem ser olho por olho. Dente por dente. Se uma pessoa é agressiva consigo mesma, nem sempre ela desencadeará a agressividade em sua vida. Se ser agressiva for o seu melhor, o sistema de integridade lhe trará o melhor. Mas se ela já sabe lidar com as coisas sem ser agressiva e de repente responde com agressividade, o sistema de integridade não vai interferir, pois não é mais de sua responsabilidade defendê-la, pois neste particular ele sabe que a pessoa está capacitada a fazê-lo por si. Daí a coisa vira pau pau, pedra pedra”.
Leia e medite mais: no mesmo livro, páginas 129 a 178.
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É Tempo de Espiritualidade – festeje sua Páscoa em 2010
by Francisco on terça-feira, 23 de março de 2010
por Francisco Antônio de Andrade Filho
A professora Jô abre seus espaços para bons momentos, como este, de espiritualidade no GEAP. Convida a buscar caminhos de felicidade, na Festa de Páscoa.
Páscoa é passagem. É abolição da escravidão do Homem, da Mulher, da Natureza e a conquista de sua emancipação material e espiritual. Significa mudança. Transformação. Tempo de espiritualidade, de celebrar sua Páscoa em 2010.
Páscoa é festa do renascer aqui e agora. Nas aulas da aeróbica, aqui neste habitat onde se vive com saúde integral. Celebre sua Páscoa no templo sagrado de sua casa. Na Cidade com justiça e riqueza social. Na sua vida.
Celebre sua páscoa, fonte de vida. Medite a boa nova de Jesus, filho do casal José e Maria. Sua palavra revela ser Jesus, o homem de uma mensagem que nos liberta e nos enche de vida. Nesse filho de Deus, sinta a vida. Dele aprendemos que é próprio do amor eliminar distâncias, ser verdadeiro e leal, humilde e transformador Não tolera a hipocrisia, defende a verdade. E recebemos a mensagem: não se vive sem Deus, não se vence sem amar.
Feliz Páscoa 2010. Seja amor onde há ódio; verdade onde há factóides; alívio onde há dor; pai onde há filhos. Seja sinal. Seja presença. Ele está vivo. E as forças do bem e da vida triunfarão para a alegria de todos. Homens e mulheres; terra, ar, água e fogo terão uma nova vida. Todo o Universo canta: a escuridão produzida pelos homens não existirá mais. E veio a luz. E o Reino de Deus se instalou bem longe dos poderes sacros, das gaiolas eclesiásticas e políticas.
Feliz Páscoa 2010. Aqui, cito o escritor Luiz Antônio Gasparetto. Ele indica trilhas, por onde somente você descobrirá o melhor para sua vida. Você é convidado a perguntar e a responder: “Quem é você para si mesmo? Você se tem em alta conta? Ou você se acha cheio de defeitos? [...] A vida está lhe tratando como você está se tratando e isto quer dizer que se você se judia quando não gosta de si, pense no que vai fazer com você [...] Por isso, é uma afirmação irresistível! A vida me trata como eu me trato. Os outros me tratam como eu me trato. E como é que você se trata?”
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“Se”: uma condição de amor na primeira carta de João (Meditação)
by Francisco on domingo, 14 de setembro de 2008
Francisco Antônio de Andrade Filho
“Se alguém disser: Amo a Deus, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus a quem não vê. Temos de Deus este mandamento: o que amar a Deus, ame também seu irmão” (I Jô. 4,20-21).
Nesta primeira carta de João, registrada na Bíblia, Deus fala sobre o amor. Revela uma profunda espiritualidade, o mais nobre sentimento de que é capaz o ser humano. O amor não se reduz à mera simpatia romântica, e muito menos à atração sexual. Consiste, essencialmente, em querer o bem do outro, empenhando nesta vontade o próprio ser. É o dom do ser próprio.
A experiência mostra que o amor não é olhar um para o outro, mas olhar junto na mesma direção. Sabe compreender as fraquezas sem justificá-las; sabe valorizar as qualidades, sem as lisonjear.
Se os seguidores dos líderes espirituais oferecessem a Vítima Divina ao Pai no altar, lembrando que seus irmãos têm algumas queixas contra eles, porque tramaram contra sua felicidade – mas não tivessem o coração repleto de amor -, em nada ajudariam a ninguém.
Se você está triste porque alguém invejoso ameaça sua posição, lembre-se daquele que nunca teve a oportunidade na vida.
Se você se decepciona com a ingratidão e com o não-reconhecimento pelo que você fez, lembre-se daquele cujo nascimento foi uma decepção.
Se um sonho seu foi desfeito, lembre-se daquele que vive num pesadelo constante, enganando-se a si mesmo, com sua vida incoerente.
A amizade é paciente, benigna. Não é ciumenta nem invejosa. Não se exibe, não se inflama de orgulho, não procura o próprio interesse, e deseja o mesmo bem para o outro. Não se irrita, não se alegra com as covardias e as traições, mas se compraz na verdade. Tolera tudo. Crê. Tudo suporta. Nunca decepciona.
Se eu pudesse trazer a escritora Lya Luft para uma aula magna numa Universidade, eu lhe pediria repetir a beleza de sua obra “Secreta Mirada”, 3ª edição, São Paulo: Mandarim, 1997: 209, nesta passagem:
“Não se cultiva o amor. Pode-se cultivar o convívio, porque ele exige treinamento e paciência, e acomodamentos nem sempre fáceis. Exige, mais que tudo, que se inventem certos pequenos rituais até inconscientes, para que não sufoque a poeira desse cotidiano com sua inevitável banalidade”.
Francisco Antônio de Andrade Filho
A essência de toda vida espiritual é a emoção que existe dentro de você, é a sua atitude para com os outros. Se a sua motivação é pura e sincera, todo resto vem por si. Você pode desenvolver essa atitude correta para com seus semelhantes baseando-se na bondade, no amor, no respeito, sobretudo na clara percepção da singularidade de cada ser humano.
(Dalai-Lama)
Apresentação: por que ética e espiritualidade no final da vida?
Sinto-me feliz e privilegiado ao receber o convite da equipe deste VI Congresso Brasileiro de Alzheimer para falar sobre a temática “Ética e Espiritualidade no Final da Vida”.
Esta é uma palestra em aberto com uma postura da filosofia em diálogo com a da teologia e a das ciências da saúde. Com auto-estima, assim, elevada, animado mesmo, com a ética da responsabilidade, pesquisei fontes bibliográficas adequadas a essa temática.
Isso não quer dizer que abdico de meu próprio referencial, de minha postura filosófica, de princípios e valores para falar sobre o assunto. Esse referencial vai ficar evidente, assim pretendo, ao longo da palestra.
Quais os objetivos da palestra?
Desejo inserir a compreensão do referido tema nos cuidados paliativos junto aos doentes no final da vida. À luz da filosofia em diálogo com a teologia e as ciências da saúde (1), quero descobrir a dimensão holística da ética e espiritualidade; buscar seus caminhos de felicidade nos cuidados paliativos junto aos doentes na fase terminal da vida humana.
Aqui, pretendo igualmente realçar a importância da espiritualidade como uma das fontes de inspiração do novo, busca de sentido de vida e de morte – não só no âmbito das religiões -, mas também no das tecnociências (2) de suas novas descobertas terapêuticas, de pesquisas em seres humanos. Religiões e ciências, mesmo limitadas com seus poderes sem ética, trabalham com o divino, com o sagrado, com o espiritual. Proclamam a presença da divindade em cada percepção cognitiva da ética e da espiritualidade.
Confiando na participação dos congressistas deste evento, espero encontrar os caminhos da ética e da espiritualidade em pacientes no final de vida. Com base em meditações filosóficas e no respeito ao pensamento de outros pesquisadores, fico contente em poder abrir algumas trilhas de transformação, de interesses por valores não apenas materiais, mas outras que inspirem profundamente nossas vidas na convivência com pacientes no final da vida.
Nesta perspectiva, unidos numa só voz, com questões básicas diferenciadas, sentir-me-ei à vontade para indagar: por que a busca do sentido de nascer, envelhecer, ficar doente e morrer? Nos dias de hoje, qual o lugar da espiritualidade na arte clínica? Quais as expressões éticas dos cuidados paliativos no final da vida (3)? Pode-se afirmar a existência espiritual de uma vida pós-morte? O que fazer com os familiares em luto, quando do adeus à vida (4)? Para não concluir o debate, sugiro algumas dicas ético-espirituais (5) dos profissionais de saúde no cotidiano familiar e hospitalar.
1. Ética e espiritualidade em diálogo com a filosofia, teologia e ciências da saúde.
Eis o encontro do saber filosófico em Kant com o da Teologia, um hino de louvor à razão e à fé, neste dia de reflexão. Esta afirmação expressa a interface da Filosofia e da Teologia em questões de ética e espiritualidade nos dias de hoje. Filósofos, teólogos e profissionais de saúde em diálogo neste evento.
Com profundo respeito aos diversos saberes dos participantes deste congresso, coloco-me à disposição para o mesmo diálogo num contexto multidisciplinar, especificamente permeado pelo universo filosófico, de um lado; e, de outro, os motivos teológicos, os das ciências da saúde.
No texto clássico, O Conflito das Faculdades (1963), escrito por Kant em 1798, existem alguns indicativos para se intuir a fala da filosofia com outras ciências.
É tempo da "Aufklärung", das luzes racionais. Kant parece refletir sobre as relações da Faculdade de Filosofia (considerada "inferior") com as Faculdades de Teologia, de Direito e de Medicina (considerada "superiores"), e estipula que a função de filosofia é pensar livremente sobre os eventuais conflitos entre esses saberes ditos "superiores".
A Faculdade de Filosofia, segundo este filósofo, precisa fazer-se reconhecer como o lugar de garantir sua completa liberdade de julgamento.
Constituída de mestres, professores e doutores, quais "eruditos corporativos... independentes e letrados", a Universidade era uma espécie de instituição dita autônoma - que estaria autorizada a admitir estudantes que vinham das escolas inferiores. Em oposição, Kant defende a "Faculdade de Filosofia, ciência livre, onde a razão seja autorizada a falar abertamente".
Penso que, nessa questão, a idéia básica é a de construir a filosofia como ciência, com bases inteiramente novas, cuja verdade é "destinação total do homem e a filosofia desta destinação chama-se moral".
Nesta postura, Kant discute a necessidade do “pluralismo” dialético que premune contra o egoísmo lógico, com a indagação: "pois será que pensaríamos muito e pensaríamos bem se não pensássemos por assim dizer em comum com outros, que nos participam seus pensamentos e aos quais comunicamos os nossos?".
Ainda na “condição de filósofo”, lembro o texto do mesmo pensador alemão A Religião nos limites da simples razão, escrito por Kant em 1793. Nele, os princípios exegéticos da escritura, contemplados pelo teólogo bíblico, são de caráter filosófico. Kant escreve:
O teólogo bíblico é [...] o doutor da Lei para a fé da igreja, que tem por fundamento os estatutos, isto é, em leis derivadas da vontade do outro; enquanto isso, o teólogo natural é o sábio da razão para a fé religiosa, isto é, para aquela em que se baseia em leis interiores deduzidas da própria razão...
E insiste:
Assim, pois, os teólogos da faculdade têm obrigação, e consequentemente, também, o direito de manter a fé na Bíblia; porém, sem prejuízo da liberdade que têm os filósofos de submetê-lo em todo momento à crítica da razão [...].
Nesta crítica kantiana, concebe-se a filosofia como um modo de pensar, uma postura diante do mundo, voltada para qualquer objeto: pode pensar a ciência, seus valores, seus métodos, seus mitos (ANDRADE, 2007), a religião, a arte, o homem, a tecnologia, a vida, as pessoas, culturas, mundo. Ética e espiritualidade.
De outro, no texto “O Banquete”, Platão e outros convivas se confraternizam com o prêmio do jovem poeta Agatão. Erisímaco, médico – filósofo, fala nesse encontro, assim:
Não é revoltante que em honra de todos os deuses tenham sido compostos hinos e entoados cantos e que nenhum poeta jamais tenha feito um poema em louvor de Eros, deus venerável e esplêndido? [...]
De minha parte, quero prestar-lhe tributo e creio que ficaria bem a todos os presentes fazer o elogio do deus. [...]
Sim, há dois Eros. Médico, eu o sei, pois ele não se ocupa apenas dos corpos, mas também das almas. Médico, porém, sei que Eros é mais vasto, que seu poder não se limita aos homens, mas estende seu império a todos os seres.
O que é Eros? A harmonia e a união dos contrários, a atração ordenada dos opostos [...] Eros é uma força cósmica, universal, que, aplicada para o bem, nos traz a felicidade perfeita, a paz entre os homens e a benevolência dos deuses.
Essa meditação oportuna e pertinente, no campo da filosofia, faz lembrar a mensagem espiritual do Evangelho de Jesus (Lucas, 18:35-43), curando o mendigo de Jericó.
Aquele filósofo grego, com o olhar da razão, via a totalidade das realidades do cosmos como aquele cego que, pelo ouvido, percebeu "o barulho da multidão que passava" ou pelo tato quando "Jesus parou e mandou que o trouxesse".
O homem-Deus chamado Jesus, cheio de compaixão e ternura, confiança, doação, enternecimento, conquista a experiência espiritual de sentir-se filho de Deus, de afeto e de extrema intimidade para com a saúde integral daquele mendigo cego que nesse momento viu seu médico, observou a multidão e as belezas da Natureza. Sua alma não dói mais. Agora, ouvia e via. Sentiu-se feliz e vivo. E enxerga tudo. Que emoções transformadoras de vida. O cego encontrou seu caminho espiritual.
É o filósofo pensando. É o cego vendo, conhecendo para crer (intellego ut credam) e crendo para conhecer (credo ut intellegam) Jesus, o Filho de Deus. Vendo e crendo a partir da objetividade, de um homem-Deus que liderava a multidão, curava os doentes, de seu corpo e de sua alma.
Deus é objeto da razão, de o cego ver de novo, de ser curado. Pratica o bem. Atitude ética exemplar. Fala a fé: expressão máxima das religiões à luz da teologia que pensa, age e revela espiritualidade.
A filosofia dialoga também com as ciências da saúde. E indaga: porque uma filosofia das artes clínicas? Por que uma atitude de meditação, hoje, sobre ética e espiritualidade dos cuidados paliativos em pacientes no final de vida?
Trazer para esta discussão a lógica da filosofia em sua interface com medicina e outros saberes clínicos é contribuir para uma profunda compreensão em torno do lugar da bioética encarnada na mesma temática (SIQUEIRA, 2002:89-106) com a saúde integral do homem (LEO, 2002:51-72). Nela encontramos o sentido profundo e holístico da espiritualidade, seus caminhos de transformação interior do homem.
A Filosofia deste saber clínico (Londres, l997: 111), com recorte da bioética, é o exame crítico, através de uma visão filosófica, de uma epistemologia das ciências médicas, do seu significado como uma prática clínica, analisando seus fundamentos, suas conceituações, suas ideologias e as bases filosóficas de sua ética.
Na discussão sobre essas questões, a equiparação entre os profissionais de saúde e o filósofo, na integração de seus saberes, pode suscitar algum questionamento importante para a temática a mim confiada.
Em nossos dias, a evolução dos aparatos médicos é tão grande, que temos vontade de superar a facticidade humana e instaurar um reino de utopias, de "preocupações e razões de esperança". Pela ajuda da técnica e do desenvolvimento científico, o homem possa desafiar a morte. Desperta um desejo humano de prolongar a existência e superar a doença. É a ética e a espiritualidade nas ciências da saúde.
É no ambiente, hoje, marcado por grandes transformações e processos contraditórios que a Bioética parece nascer como um novo domínio da reflexão e da prática, que toma como seu objeto específico questões humanas na sua dimensão holística, inclusive a espiritual no âmbito da prática clínica, jurídica ou da investigação científica.
Novo paradigma da relação entre ciência e tecnologia, a bioética surge como uma ciência que reflete, discute e almeja atingir um consenso na defesa de valores individuais "ameaçados em decorrência do avanço da ciência e da tecnologia”. É o homem integral que está em jogo em sua convivência social.
2. Ética e espiritualidade na religião e ciência.
O que é ética? Confiança, respeito, unicidade, integridade; palavras-chave, eixos centrais de alguns caminhos da ética e da espiritualidade. Práticas constantes do bem.
Há uma palavra grega, que explica o sentido etimológico da concepção de ética com justiça: “ethos”. Significa “domicílio”, moradia, o abrigo permanente, o Brasil onde habitamos, a casa onde se mora, o hospital onde se constrói, pelo trabalho, a segurança de vida, prática da ética profissional, a felicidade do viver e morrer.
Conforme Platão, ética é o “Bem que nos permite sentirmo-nos bem em casa”. Criamos hábitos, maneiras constantes de agir, de tratar as coisas da casa, de dividir os espaços, mediante os quais habitamos humanamente o mundo.
E numa dimensão holística da ética espiritualidade, o mesmo pensador grego afirma: “Da mesma forma que não pode curar os olhos sem a cabeça, ou a cabeça sem o corpo, também não se deve tentar curar o corpo sem a alma. Pois a parte nunca pode ficar boa se o todo não estiver bem”.
E Aristóteles pensa: “toda ética é a busca do bem humano, da felicidade humana”. E Kant escreve: “Age (atue) exclusivamente segundo a máxima que te leva a querer, ao mesmo tempo, que ela se torne lei universal”.
A ética tem essa função de imprimir uma direção na vida, de mostrar estilos de vida. Ela é uma espécie de bússola que aponta os caminhos de realização espiritual e os perigos da autodestruição.
Com essa missão de advertir, a ética mostra aos profissionais de saúde, o caminho de construção ou destruição do homem, de vida ou morte. De espiritualidade. De cuidados paliativos aos doentes no final de vida. De superação de conflitos inerentes à convivência com o mundo.
O que é espiritualidade? É possível alinhar a ciência com a religião? Uni-las?
Religião e ciência são inseparáveis, mas distintas da dimensão espiritual na vida humana. É polêmico afirmar a possibilidade de se vê uma ao lado da outra. Os caminhos da espiritualidade são trilhados pelo respeito mútuo, tolerância, convivência e transformação interior, vivificada na religião ou na ciência.
Para alimentar o debate desta questão, escolhi alguns tópicos da leitura do texto Anjos e Demônios (Brown, 2004). Ele trata de questões que passam pela cabeça de todos: a existência de Deus e Ciência, a possibilidade de se ter fé no Universo (Deus ou Natureza) e do alinhamento entre o científico e o espiritual.
Padre Leonardo fala com sua filha Vitória (p.60):
- Vou me mudar pare a Suíça [...] estudar Física na Universidade de Genebra.
- Física? – exclamou Vitória, - Pensei que você amasse Deus!
- Eu amo e muito. Por isso é que quero estudar suas regras divinas. As leis da Física são a tela que Deus estendeu para pintar sua obra – prima.
E no laboratório de seu pai, Vitória conversa com Kohler (p.60/65):
- por onde começar. [...] disse ela imperturbável, com seu sotaque.
- Pelo começo – pediu Kohler. – Conte-nos a experiência de seu pai.
- Alinhar a ciência com a religião sempre foi o sonho da vida de meu pai – disse Vitória – Ele esperava provar um dia que ciência e religião são dois campos totalmente compatíveis, duas abordagens diferentes para se encontrar a mesma verdade [...]. A ciência e a religião não estão em desacordo. É que a ciência ainda é muito jovem para compreender.
Reagindo, Kohler contradiz o pensamento de Vitória (p.69), assim:
- O avanço científico traz riscos [...]. Sempre trouxe. Programas espaciais, pesquisa genética, medicina, todos cometem erros. A ciência precisa sobreviver a seus próprios enganos. Para o bem de todos.
O camerlengo, porta-voz do Papa no Vaticano (p.429), lembrando sua doutrina, verbera, assim:
- A ciência e a religião não andam juntas. Não buscamos o mesmo Deus [...] Quem é seu Deus? Um Deus de prótons, massa e carga de partículas? Como seu Deus inspira seus fiéis? Como é que seu Deus chega ao coração do homem para lembrar-lhe que ele é explicável por um poder maior? [...] Isso não glorifica Deus, isso desmerece Deus.
Com base nessa interface – unir religião e ciência -, questões éticas – chave brota dos anseios espirituais à procura da dimensão integral do homem em final de vida (Anjos, 2008: 15-18). Nessa situação, o que mais interessa aos pacientes é a espiritualidade com as qualidades do espírito humano, como o amor, a compaixão, a paciência e a tolerância.
Nesse sentido, compreende-se o significado da espiritualidade. Alguns autores (Boff, 1999:127-156) entendem ser a espiritualidade “a qualidade de todo ser que respira, ser que vive, como o ser humano, o animal e a planta”. Dá-se não apenas nas religiões, mas nas ciências entre outras dimensões humanas e as da Natureza.
Aqui, penso poder recordar a tese central de Espinosa em sua obra intitulada Ética (1660). Pesquisei seu conceito de liberdade como uma expressão ética, a de que “Deus ou Natureza” (Deus sive Natura) "é causa livre de todas as coisas [...] nos concede um intelecto determinado e uma vontade indeterminada". Liberdade, aqui, não significa neutralidade face ao erro e ao mal, à falsidade e à falta de solidariedade Expressa o valor da espiritualidade do homem como broto da Natureza, a Mãe Terra, o universo. Quando conhecemos “Deus sive Natura” e todas as verdades, somos livres, menos quando falam em nós as paixões, sobretudo a de mando sobre nossos semelhantes.
Se atinarmos com verdades claras e distintas, com laborioso trabalho do intelecto determinado - e não infinito como a vontade -, podemos ter alguma base para a nossa força livre sem imposição sobre os demais corpos e mentes.
Na fala deste clássico da filosofia, afirma-se que, na própria essência divina, existe o alento, a paz interior para a nossa vida. Escreve ele: "basta-nos saber que somos livres e podemos sê-lo; sem oposição alguma que venha do querer divino, que, de outro lado, somos causa do mal" - neste sentido de que nenhum ato poderia ser chamado mal, salvo do ponto de vista de nossa liberdade.
A Ética - esse hino à vida livre -, juntamente com o Tratado Teológico-Político e outras obras clássicas desse pensador, constituem-se fontes inesgotáveis para nossas meditações nos espaços de livre expressão como o de agora.
É o livre exercício do juízo crítico em questões religiosas e político-institucionais. Por causa delas e com elas, ter valorizado a tal ponto o ser humano, Espinosa encontrou na sua frente a mais fantástica campanha do silêncio, perseguição e censura proveniente daquelas mesmas instituições religiosas e políticas, católicas e protestantes. Poderes sacros, mal da religião. Poderes sem ética, destruidores da espiritualidade humana.
Nesta linha, tomo a liberdade de levantar algumas questões críticas para uma releitura de Espinosa nos dias de hoje, a seguir.
Seria a espiritualidade um refúgio confessional para se manterem discursos e sermões fanáticos e mercantilistas que fogem da ciência na construção das normas éticas?
Não estaria a espiritualidade, cooptada pelas religiões institucionalizadas em vista de impor a sociedade suas conotações teocráticas? Poderes, com ou sem ética?
A forma mais elevada de vida – a humana – é a mais devastada, terrorizada, aniquilada, com bilhões de seres morrendo de fome e de doenças curáveis. Palácios políticos e episcopais; cidades, igrejas e hospitais sem leis sem ética e sem espiritualidade: miséria, degradação, corrupção!
Aqui, penso poder considerar também que a espiritualidade dos profissionais da saúde exprime a ética do cuidado para com a saúde integral do homem. Esses artistas clínicos são capazes de descobrirem os nos seres da natureza e das culturas, do corpo e da alma como as maiores riquezas da saúde do espírito do homem. É sua espiritualidade, sua transformação interior.
É sabido que a ordem mundial atual, na busca de uma nova constituição política, é perversa, brutalmente contraditória: apesar de a vida – biosfera (vegetal, animal e humana) – ser o elemento mais precioso do planeta, ela é prejudicada e ameaçada de extinção.
Morte da Natureza é espaço para a morte de Deus, de hospitais sem remédio. Inexistência de profissionais de saúde. De todos os seres sem respiração, sem espírito, sem vida; sem ética e sem espiritualidade. Cadáveres sem sepulcros.
3. Expressões éticas na espiritualidade dos cuidados paliativos com doentes no final da vida.
- I
Uma primeira questão ética e de espiritualidade: o que falar da eutanásia e distanásia diante da vida e da morte?
Eutanásia (ANDRADE FILHO: 2001), vida e morte. Três expressões interligadas. Relacionando-se. É que forças opostas, unidade e luta dos contrários, constituem movimentos comuns e inerentes a todas as coisas materiais e espirituais. Em contínua transformação. Inacabadas, no mundo de final de vida. Interligadas, uma vivendo em função da outra.
Eutanásia: a vida produz a morte. Distanásia: as máquinas hospitalares prolongam o sofrimento e a morte. Mercados humanos à mercê do poder econômico sem ética. A vida e a morte, produtos rentáveis à disposição de seus clientes.
Lembram-nos Fátima Oliveira (1997), Hubert Lepargneur (1999), entre outros, que definem etimologicamente, a eutanásia (eu = bom; thanatos = morte) significando “boa morte, morte suave e sem sofrimento”, morte harmoniosa e morte sem angústia. Fácil. Feliz. Domínio sobre sua própria vida ou sobre a vida de outrem. Libertação livre do viver e do morrer. “Homicídio por piedade”, ação de aliviar o sofrimento de doentes terminais.
O enorme progresso das tecnociências, nos últimos anos, abriu horizontes de esperança e bem-estar, de vida e morte, pela capacidade das biotecnologias de prolongarem indefinidamente uma vida por meios artificiais, motivos sociais, humanos e econômicos.
Eis alguns destaques nesse campo, do jogo da vida e da morte na fronteira dessas questões e de outras formas de vida e morte do homem e da mulher.
Para Márcio Palis Horta (1999), “morrer é parte integral da vida e da existência humana [...], tão natural e imprevisível como nascer”. Sua tradicional definição do instante do cessar dos batimentos cardíacos tornou-se obsoleta.
Hoje, ela é vista como um processo, como um fenômeno progressivo e não mais um momento, ou evento. Morrem primeiro os tecidos mais dependentes do oxigênio em falta, sendo o tecido nervoso o mais sensível de todos. Três minutos de ausência de oxigenação são suficientes para a falência encefálica que levaria à morte ou, no mínimo, ao estado permanente de coma, em vida vegetativa.
Para os senhores participantes discutirem neste VI Congresso Brasileiro de Alzheimer, indico algumas questões em termos de ética e espiritualidade.
A vida humana deve ser sempre preservada, independentemente de sua qualidade? É ético empregar todos os recursos tecnológicos para prolongar um pouco mais a vida de um paciente terminal?
Quando sedar a dor significa abreviar a vida, é lícito fazê-lo? Até onde se deve prolongar o processo de morrer quando não há mais esperança de vida, de a pessoa voltar a gozar de saúde, e todo esforço terapêutico na verdade só adia o inevitável, prolonga a agonia e o sofrimento humano?
A busca de respostas a essas indagações constitui um desafio aos pesquisadores argumentando a favor e contra a prática desta “bios e thánatos” humanas.
A moral hipocrática objeta contra a prática da eutanásia. A Deontologia médica inspirada no filósofo Hipócrates é falaciosa. É uma camuflagem.
Filósofo, indago: proibir os profissionais de saúde a jamais ministrar medicamentos letais, mesmo a pedido do paciente, é uma teoria ideal desse filósofo ou uma prática contraditória, vivenciada nos hospitais?
Thomas More, em sua obra Utopia (1516), defende-a, quando “a doença é incurável e faz-se acompanhar de dores agudas e contínuas angústias”.
E o iluminista Montaigne (1987) disse que o principal problema da Filosofia é a morte, registrando em seu livro Ensaios, escrito em 1580/88: “Quem não souber morrer que não se preocupe. A natureza o instruirá plenamente num instante e o fará com exatidão”.
Estas atitudes filosóficas frente à prática ou não da eutanásia e da distanásia fazem pensar a relação médico-paciente. Confiança nele ou desconfiança na injeção que cura ou o mata?
É verdade que o paciente se coloca nas mãos do médico. Mas, o que fazer quando o próprio médico informa: “Não há mais nada a fazer”, ou quando “a própria medicina cria situações desumanas, nas UTI’s, por exemplo, e depois se recusa a assumir responsabilidades por ela”, e ainda no fato de que “as novas condições do morrer obrigam os profissionais de saúde a se ocuparem também da morte do ser humano”?
Filósofo, penso que estas discussões e seus argumentos “contra” e “a favor” sobre essas formas de vida e morte tendem a camuflar outras dimensões de exclusão sócio-econômicas do cidadão. Escondem outras formas de violência contra ele. A eutanásia (“má morte”), a distanásia (“morte dolorosa”, fútil), narcotanásia (“morte narcotizada”), mistanásia (“morte infeliz”), ortotanásia (“direito de morrer com dignidade”) e outras palavras correlatas são, na prática, verdadeiras “penas de morte”, sem julgamento e sem lei. São sentidos ideológicos da vida e da morte, acobertando outras violências cotidianas. Violências que matam: a fome, seqüestros, corrupções econômicas e políticas. A eutanásia e a distanásia é também exclusão da cidadania, sua ausência. Exploração e embrutecimento do homem. Sua alienação.
Em outros termos, o próprio homem inventa a linguagem dessas formas existenciais e outras experiências culturais, de vida e de morte. Onde estaria a autonomia do paciente nessa sua “libertação da morte”? Nos seus familiares? Nos profissionais da saúde? E existem outros caminhos?
- II
Em contraposição à eutanásia e à distanásia, pergunta-se ainda: a ortotanásia constituiria expressão ética e de espiritualidade dos cuidados paliativos aos pacientes no final da vida?
O teólogo Pessini (2003: 401 - 402) pensa que, diferentemente da eutanásia e da distanásia, a ortotanásia “morte no seu tempo certo” é sensível à humanização da morte, ao alívio das dores e não incorre em prolongamentos abusivos com aplicação de meios desproporcionados que imporiam apenas nada mais que sofrimentos adicionais.
Uma contribuição fundamental da ética teológica é, assim, nos presentear com uma mística no resgate de sentido e valor da vida humana.
A reflexão ético-teológica, hoje, trabalha não apenas com conceito da “vida e da dignidade humana estritamente ligada à biologia [...]; aos processos da natureza biológica. Os conceitos teológicos assumem valores maiores por ‘causas humanitárias’, opções de fé”.
São os mártires que sacrificam suas vidas ou sacrificadas por poderes sagrados -sua espiritualidade -, por causa do Reino dos Céus e em nome de suas religiões. Outros mártires, homens-bomba que sacrificam suas vidas por causa do Nirvana, vida eterna dos muçulmanos. Sua espiritualidade institucional.
Segundo esse raciocínio, vida e morte, além do seu aspecto natural, são cultivadas (Boff, 1999). E argumenta-se, assim: a vida na sua dimensão física não é um dado absoluto, mas um bem fundamental. São experiências culturais. Mortos e vivos estão sempre juntos e contradizendo-se. A vida contra a morte. A morte contra a vida. Opondo-se. Invisíveis.
A vida é tudo. Morte é ruína. Vida e morte transformam-se em mercadorias. Vida e morte nas igrejas e nas sinagogas. Vida e morte nos hospitais. Vida e morte nos campos de batalha. Vida e morte nos assaltos. Vida e morte nas empresas. Vida e morte na cidade e no campo: de milhares por violência, das guerras bélicas de Bush e de outros poderes, sem ética e sem espiritualidade. De falta de pão para o ser humano viver e da mais alta tecnologia para “bem-morrer”. De exclusão do homem e da mulher, de seus bens materiais e espirituais.
Somos programados para viver e morrer. Projeto genético. Criamos a linguagem de outro projeto institucionalizado. Cultivamos outras vidas e outras mortes. Da eutanásia, abreviação de vida; da distanásia, prolongamento da agonia, vida fútil, sofrimento e adiamento da morte; da ortonásia, “morte no seu tempo certo”, morte digna, sem abreviações desnecessárias e sem sofrimentos adicionais; e tantas outras formas físicas e simbólicas, de vida e morte na atual sociedade globalizada.
E mercantilizamos a vida e a morte. Utopia do reino de Deus e do Alá. Vida no além-morte. Céu. Nirvana. Inferno. Terra. Aqui viveremos e morreremos. Livres e algemados. Filósofos, teólogos, médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais de saúde. Todos, na sua interface de vida e de morte.
- III
Quais os aspectos éticos da espiritualidade nos cuidados paliativos junto aos doentes no final da vida?
É possível pensar e praticar “o mundo como pode ser: uma outra globalização” (SANTOS, 2000: 20). Um mundo possível, um outro mundo mediante uma globalização mais humana: projeto de emancipação humana a partir das condições materiais e espirituais da própria globalização. Essa espiritualidade se torna vida, quando surgirem relações práticas com a produção de bens coletivos, materiais e espirituais em benefício do homem e do meio ambiente.
Na perspectiva desse diálogo, conduz-se a uma maior compreensão da ética e da espiritualidade nos cuidados com a saúde integral do homem (BOFF, 1999:133-156). “A arte perdida de cuidar” (SIQUEIRA:89-106) desafia, hoje, os profissionais de saúde em sua arte de clinicar e cuidar dos pacientes no final de suas vidas.
Nesta visão, os aspectos éticos da espiritualidade apontam capacidade de compreender um problema clínico não em um órgão, mas em um ser humano integral. Sugerem aos profissionais de saúde, de bem utilizar as máquinas com raciocínio clínico. É a ética e a espiritualidade dos cuidados paliativos junto aos doentes no final de vida, do acolhimento, da escuta-resposta e da esperança de cura para os que sofrem (LEO, 2002:51-72).
Na visão cartesiana, o corpo aparecia como uma máquina amiúde necessitada de ser reparada através de tratamentos particulares e intervenções impessoais. Na visão sistêmica, ao contrário, o corpo hoje é visto como um sistema complexo de partes interativas onde o corpo e a mente não são separáveis.
É necessário um novo modelo de empresa terapêutica, uma "medicina de relação", antes da medicina de órgãos, que recupere a totalidade do ser humano e considere o paciente como pessoa na unidade de todas as suas dimensões. É nesta "aliança terapêutica" entre profissionais de saúde e pacientes, que pode animar uma nova cultura da saúde que evite a "coisificação" dos enfermos e a perda da humanidade na arte clínica.
Lembram-nos ainda outros estudiosos (PESSINI & BERTACHINI, 2004:7) que em 2002 a Organização Mundial da Saúde redefiniu cuidados paliativos, assim:
Uma abordagem que aprimora a qualidade de vida, dos pacientes e famílias que enfrentam problemas associados com doenças ameaçadoras de vida, através da prevenção e alívio do sofrimento, por meios de identificação precoce, avaliação correta e tratamento da dor e outros problemas de ordem física, psicossocial e espiritual.
Essa (re)humanização dos saberes de saúde deve partir de uma revisão crítica destas áreas de conhecimento, de sua educação, “de uma concepção antropológica na qual o ser humano é visto como totalidade integrada” e toda enfermidade é vista como produto do homem inteiro: corpo, psique, espírito, história, sociedade.
Nesse sentido, tive a grande alegria de ser membro de um dos Comitês de Ética e Pesquisa em seres humanos, aqui em Recife. Foram momentos de grandes emoções espirituais que me deram leveza à alegria de viver junto aos colegas desta organização e visitas espontâneas nas enfermarias.
Com os pesquisadores, aprendi o profundo significado de seus projetos para teorias e práticas dos cuidados paliativos junto aos doentes no final da vida. Encontrei nesses trabalhos de pesquisas expressões de ética e espiritualidade.
Naquelas enfermarias, vi pacientes fora de possibilidades terapêuticas – diagnosticas assim pelos médicos -, em fase terminal.
Silenciosa e espiritualmente, cada um dos enfermos falava: “meu corpo dói, minha alma sofre. Não quero viver assim”. Por que prolongar uma vida inútil no hospital-empresa? Com sofrimento atroz, grita forte e ecoa pelos corredores e leitos das UTIs: “rejeito a prática da distanásia, quero a ortotanásia e com tratamento que alivia a dor física, psicossocial e espiritual”.
Na verdade, ao avaliar alguns projetos encaminhados àquele comitê de ética – a mim confiados -, constatei pesquisas geriátricas em idosos com doença de Alzheimer no final de vida, com distúrbios e desordens psiquiátricas mais comuns nesse estado, responsáveis pela perda de autonomia e pelo agravamento de quadros patológicos.
De outro, o que se observa, hoje, quase sempre é que a depressão nestes pacientes é examinada e condicionada à aparência externa da vida e voltado para o órgão enfermo, sem que se observem os aspectos éticos, espirituais, existenciais e psiquiátricos do paciente. Afeta a família como um todo, exige recursos públicos muito grandes para reverter suas complicações.
Avaliei um outro projeto, rico de questões éticas, de espiritualidade e de importância dos cuidados destinados a apoiar o paciente com câncer no final de vida.
Pois, tratava-se de “investigar até que ponto o processo de profissionalização e adoção de ações estratégicas pode interferir no objetivo primário da instituição que é a humanização do atendimento a pacientes com doenças de câncer” em estado avançado. Sob o aspecto de ética e espiritualmente, exigia-se a combinação da “profissionalização” com a aceitação da condição humana e compreensão do sofrimento do paciente para termos de fato um tratamento humanizado e eficaz.
Uma terceira pesquisa inspirava como prioridade a necessidade que os profissionais de saúde tenham ética e espiritualidade, cuidando de si. Sócrates alertava: “Medice, cura te ipsum”. E vocês mesmos poderiam meditar com o filósofo Lévinas ao indagar assim: “Como podem esses sujeitos almejar um estatuto de humanidade e pertença se não se olham no rosto com tanta brevidade?”.
Como podem esses profissionais querer sucesso com seus pacientes, quando eles mesmos não têm consigo? Onde reside sua própria alma, compaixão e amor próprios? Com mais propriedade perguntarão suas mães que tanto se preocupam com a saúde de vocês, mais do que os pais. Nem conversar com vocês, elas conseguem. Precisam marcar visitas em seus consultórios, uma vez por ano, para apenas uma pergunta: “como vai filho”? E se brincar, não será atendida.
O olhar desses profissionais do cuidado se envolve com questões existenciais, a dor e o sofrimento humanos não apenas dor física, mas a mental, social e espiritual. O ser humano como um todo, um nó de relações. É corpo. É alma. É profissional. Ama e sofre.
Por último, tomei conhecimento de uma outra pesquisa, também recheada de traços éticos e espirituais. Realça a dificuldade dos profissionais que trabalham em cuidados paliativos com a família de pacientes com HIV/AIDS fora de possibilidades terapêuticas no final da vida. Enfrentam questões de como a mesma família se sente frente a este paciente em leito hospitalar com esta situação. Com atitudes espirituais da família e outros cuidadores – bondade, compaixão, amor -, o aidético pode se sentir mais tranqüilo no leito, de mostrar mais confortável e não se sentir tão culpado pela situação que seus acompanhantes passam.
Aqui se destaca a necessidade de uma visão antropológica holística que valorize as diversas dimensões do final da vida. Estamos diante de um quadro clínico no qual não é mais a questão da cura que está em jogo, mas sim seu bem estar, do sentido da vida, o alívio e controle físico e espiritual. Os cuidados paliativos dos profissionais de saúde – que aliam competência técnico-científica e humana -, não é eutanásia e sim uma nova prática desses artistas da vida de saúde para cuidar dos pacientes com HIV/AIDS.
Além disso, essa postura leva a se perceber a ética da responsabilidade coletiva no tornar mais humanos atos profissionais/paciente/família. Ao prestar cuidados, é essencial dar atenção à pessoa como uma totalidade única inserida numa família e numa comunidade.
Talvez a sabedoria antiga, registrada no Eclesiástico 30, 16-17, possa contribuir para os envolvidos nos cuidados paliativos aos doentes no final da vida. Neste livro está escrito:
“Não há riqueza maior que a saúde do corpo, nem contentamento maior que a alegria do coração”.
“É melhor a morte do que uma vida amarga e o descanso eterno, mais do que uma doença prolongada”.
4. Adeus, Vida: espiritualidade da sobrevivência pós-morte.
Compreender a vida do ser humano é compreender seu sentido. Perguntar pelo sentido último da vida é colocar o homem numa atitude de reflexão de sua grandeza. É filosofar a vida e a morte. É encontrar e simbolizar suas condições existenciais de vida, aqui e depois da morte. É fazer viver sua vida, ir em frente, agir, modificar, transformar, buscar objetivos concretos e espirituais do ser humano.
Nos dias de finado, os vivos povoam a Cidade dos Falecidos, onde os vivos se encontram com os defuntos. Almas vivas se abraçam com as imortais. Muitos chorando, não pelos defuntos, mas por si mesmos, os vivos. Derramam lágrimas não em cima dos defuntos, mas nas suas próprias faces.
E à luz da Filosofia, indagamos: por que reverenciamos os mortos? O filósofo, Dr. José Luiz Ames, comenta assim, no meu site www.orecado.org:
É precisamente aqui que entra a experiência da morte: na experiência do limite. Na morte nos deparamos com uma situação que nos atinge visceralmente, que toca a totalidade de nosso ser. Diante da morte, a vida se torna pergunta. Enquanto para a satisfação do desejo dependemos de nós próprios, a morte nos aponta para uma situação diante da qual somos impotentes. A morte atesta a impossibilidade do controle humano sobre a vida.
A sobrevivência depois da morte é um problema tão antigo quanto a própria história do homem. Foi uma preocupação constante do homem de todos os tempos.
Os mitólogos explicaram-na numa linguagem fantasiosa e que foge ao espírito científico do homem atual. Os teólogos, numa dimensão de fé, encontraram na Bíblia os mais sagrados e seguros argumentos a favor da imortalidade.
Seja como for, a verdade é que o ser vivo nasce para a vida despontando para a morte. Morte e vida de jovens e velhos representam duas faces da mesma realidade do ser-no-mundo. Só o homem tem consciência de ser-para-a-morte, desse inevitável destino do túmulo que lhe aguarda: sufocante, solitário, silencioso, escuro e úmido. Isso é uma tragédia para o homem que tem dentro de si mesmo uma ânsia incontida de se perpetuar no tempo, uma sede irresistível de não morrer. Enquanto isso, um convite à reflexão: sentir as palavras de William Blake:
Ver a eternidade num Grão de Areia
E o Céu numa Flor Agreste.
Segurar o Infinito na palma de sua mão
E a Eternidade em uma hora.
Mas, morte tem sentido para a vida. Não há vida sem morte; nem morte sem vida. E a eternidade existe. O infinito no finito-tempo. A vida continua depois da morte. Aqueles que sabem viver bem, se tornam imortais. Moisés, Lao-Tsé, Sócrates, Jesus, Tomás de Aquino, Giordano Bruno, Gandhi, Martin Luther King, Vladimir Herzog, Chico Mendes, dentre outros, brancos, amarelos, pretos, pardos, mulatos, índios... todos vivem. Todos morrem e vivem.
A morte é um acontecimento necessário para dar ao EU pessoal possibilidade de um pleno desabrochar. A semente que, para poder germinar a sua vida e suas potencialidades.
5. Para não concluir, curtam essas dicas espirituais dos profissionais da saúde.
Para Platão, corpo e alma são inseparáveis: “Da mesma forma que não se pode curar os olhos sem a cabeça, ou a cabeça sem o corpo, também não se deve tentar curar o corpo sem a alma. Pois a parte nunca pode ficar boa se o todo não estiver bem”.
Entre outros líderes espirituais, Jesus, o filho de Deus, apresentou uma dica multidimensional, assim: “O que quereis que os outros vos façam, fazei-o vós a eles”. (Mt 7,12; Lc 6, 31).
Pierre Fournier, violoncelista francês, disse certa vez sobre Bach: “Admirável síntese do divino e da harmonia que reina no coral “Eu te pertenço, senhor”-da Missa em si bemol menor- hino que sobe da humanidade até Deus, cria uma espiritualidade que apazigua toda dor, apaga toda amargura, e torna mais suave a nossa passagem pela Terra, dando-nos a fé em Deus e a crença em nossa felicidade eterna”.
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* Palestra proferida no VI Congresso Brasileiro de Alzheimer, Recife, 13 a 16 de agosto de 2008.
** Francisco Antônio de Andrade Filho é Doutor em Lógica e Filosofia da Ciência, na área de Filosofia Política, pela UNICAMP/SP. Professor Titular, aposentado da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Docente em Filosofia na Faculdade Maurício de Nassau, no curso de Enfermagem. Membro do Comitê de Ética de Pesquisas em seres humanos, do Hospital Oswaldo Cruz – UHOC-UPE. Avaliador do Curso de Filosofia/INEP/MEC. Membro do Grupo de Estudos de Filosofia no Brasil – 1979....
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