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Natal de 2011 - Onde eu estou? E Você?

by Francisco on terça-feira, 20 de dezembro de 2011

por Francisco Antônio de Andrade Filho




Dedico estes instantes de meditação, de modo especial, a minha esposa, aos filhos, noras e netos. Igualmente, ofereço aos amigos e amigas do GEAP/Aeróbica/Aracaju/SE;  e a todos os internautas visitantes do meu sítio.  

Eu estou aqui e agora. Tempo de rituais natalinos. Falo de Deus, falo de mim mesmo. A sabedoria antiga já anunciava. No princípio era Deus e se tornou carne. Verbo, brotado do casal José e Maria. De Severina e Raimundo. De tantos outros seres do Universo, nascidos do Eros Divino. E você?  O Recado da Pesquisa indica novas trilhas na celebração de Natal 2011. Se você quiser, juntos descobriremos caminhos possíveis que nos conduzem até a presença da vida divina em mim e, quem sabe, em você. Bem-vindo a esta nova celebração de um Feliz Natal 2011.



Trilha um -“Meditação: reduz a ansiedade, torna a respiração equilibrada e profunda e melhora a oxigenação. e a freqüência cardíaca. Escolha um ambiente tranqüilo, sem distrações, e sente-se com postura ereta, fechando os olhos. Expire todo ar pela boca, livrando-se de qualquer preocupação, e inspire, fazendo com que sua barriga cresça. Expire o ar suavemente, procurando deixar a mente livre de qualquer pensamento. Concentre-se apenas na respiração.

Nesse momento o corpo e a mente entram em sintonia em um estado de profundo relaxamento. Quando sentir-se preparada, abra os olhos; e lembre-se daquele lugar de paz e calmaria que reside dentro de cada um de nós” (Flávia Figueiredo).



Trilha dois - Boa noite de sono: durante o sono nosso corpo produz melatonina, o hormônio que prepara e induz ao sono. Para uma boa produção de melatonina, durma sempre em ambientes escuros. Antes do  repouso evite alimentos estimulantes, como café, chocolate e álcool, que inibem a produção do hormônio. Para alívio da tensão, prefira chás de camomila, melissa ou maracujá”(idem).



Trilha três – Com Rubem Alves, descubra  O infinito na palma de sua mão.  Se você quiser, siga os caminhos possíveis, indicados pelo autor com a beleza dos poemas. Deus é uma criança.

[...] O Natal, antes de ter acontecido em Belém, se formou no coração de Deus. O Natal nasceu da tristeza de Deus. Ele olhou para os homens e os viu tão perdidos, tão loucos, tão fora do caminho: “Andavam desgarrados como ovelhas, sem saber que caminho tomar” (Is 53,6).

[...] Mais que festa, o Natal é ritual. Os rituais são repetições de um passado perdido, para o qual gostaríamos de voltar. Eles nos reconduzem às fontes donde brotam as águas da vida.

[...] Para isso aconteceu o Natal. Já que os homens não percebiam com os olhos da alma, quem sabe perceberiam com os olhos do corpo? Deus, então, se deu aos olhos dos adultos. E o que eles viram foi o assombroso, o espantoso, o jamais pensado, o insólito, o escandaloso. Deus é uma criança.

[...] Para quem quer um Deus assim, o Natal é uma decepção. O nenezinho não é gênio poderoso de garrafa. É uma criancinha fraca e sem defesa. José e Maria até tiveram de fugir para o Egito, para escapar de um adulto sanguinário que queria matá-la. Se ele fosse gênio de garrafa, com um simples piscar de olhos transformaria Herodes num gafanhoto.

[...] Aí eu entendi: Natal não é festa para crianças. Elas já sabem que Deus é criança. É festa delas para os adultos. São os adultos que estão perdidos. Por isso eu sugiro que no Natal as crianças façam coisa que nunca fizeram: que elas dêem brinquedos como presentes para os seus pais, mesmo que sejam brinquedos velhos. Ai - quem sabe -, o milagr

e acontece. Os adultos viram crianças de novo; e os filhos ganham então o melhor de todos os presentes, companheiros de brinquedos”



Deus Menino é a expressão da arte de viver como criança igual a todas as outras.

No céu era tudo falso, tudo em desacordo. No céu tinha que estar sempre sério. [...] A mim ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar a para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente tem na mão. E olha devagar para elas (Alberto Caeiro).



Escute as sábias palavras da escrita antiga. Elas nos animam:

“O coração alegre aformoseia o rosto, mas com a tristeza do coração o espírito se abate” (Provérbios de Salomão, cap. 15, verso 13).

........

“O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos”. (Prov. 14.30)



Neste Natal, homenageie a mãe de Jesus com Paula Fernandes em "Ave-maria Natureza".

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=klEHP24pXv8?rel=0]

Ave Maria
mãe das estrelas, mãe do céu.
Alma doce da natureza

Oh seiva viva que nutre esse chão
dá tua luz a tudo que vive e respira
leva a dor do coração.

Oh doce mãe estende teu manto
pra essa terra que tanto precisa de ti
transforma os corações dos homens
pra que o paraíso aconteça aqui.
Santa Maria.



Fonte da imagem

Por que e o que é uma Filosofia da Medicina? [Estudos e Pesquisas em Bioética]

by Francisco on segunda-feira, 13 de junho de 2011

por Francisco Antônio de Andrade Filho



 



O melhor médico é também um filósofo (Galeno).

Na discussão sobre bioética, a temática de equiparação entre o médico e o filósofo, da relação Medicina-filosofia, na integração de seus saberes, pode, talvez, suscitar algum questionamento importante, principalmente, quando, em nossos dias, a evolução dos aparatos médicos é tão grande, que temos, muitas vezes, vontade de superar a facticidade humana e instaurar um reino de utopias, de "preocupações e razões de esperança", no qual, pela ajuda da técnica e do desenvolvimento científico, o homem possa desafiar a morte. Para isso contribuem, sem dúvida, as excentricidades que os meios de comunicação, todos os dias, veiculam, como também um desejo humano de prolongar a existência e superar a doença.

Não é nossa intenção, aqui, discutir a questão tal como ela se apresenta no senso comum da apreensão quotidiana, nem dar razão a um delírio humano romântico que chega às raias da (des) razão, mas, ao contrário, trazer uma contribuição para a história da bioética que, por sua vez, está ligada à história da Medicina e esta, à antropologia filosófica. Há, incontestavelmente, uma enorme curiosidade arraigada em nosso inconsciente, sobre a possibilidade da superação de nossos limites: uma nova esperança de vida. E uma determinada concepção de filosofia e de ciência fez uso desse lugar comum. Queremos mostrar aqui alguns momentos históricos da Medicina e, como tal, Medicina se liga ao conjunto de um saber filosófico que pressupunha um modelo bem concreto de homem e de moralidade. Enfim, pretendemos indicar a compreensão da Ética da Vida - Bioética, ou de sua negação, por uma "Medicina infalível" ou por uma filosofia inútil, sem razão e sem esperança, de uma " bios sofia", de um saber sem vida. Não é apenas uma "rede da vida" jogada, lançada só na " bios sofia", com base em teorias organicistas, mas Estudos e Pesquisas Integradas em Bioética: um novo paradigma da relação entre ciência e tecnologia.

A base da Medicina na Antiguidade era a doutrina de Hipócrates, somada à de Platão, à de Aristóteles e à de outros clássicos da sabedoria antiga. Os médicos da escola hipocrática tinham grande facilidade para o diagnóstico e chegaram a determinar importantes procedimentos da Medicina, como a enfermidade renal e a adenite dos órgãos peritoniais.

Escritor de talento extraordinário, Platão nos deixou, entre seus diálogos, o Banquete ou em grego, "Symposion". Aqui, vemos uma rica aproximação da Filosofia com a Antropologia médica. No diálogo com o convidado Pausânias, Erisímaco toma a palavra e pensa a construção do saber filosófico integrado ao da Medicina. Expressa desta forma:



“Sim, há dois Eros. Médico, eu o sei, pois ele não se ocupa apenas dos corpos, mas também das almas. Médico, pois sei que Eros é mais vasto, que seu poder não se limita aos homens, mas estende seu império a todos os seres. O que é Eros? A harmonia e a união dos contrários, a atração ordenada dos corpos. Por isso, a Medicina - arte da amizade entre os humores e os elementos no corpo e na alma - é a primeira ciência do amor [...] Eros é a força cósmica, universal, que aplicada para o bem, nos traz a felicidade perfeita, a paz entre os homens e a benevolência dos deuses” Uma terceira figura clássica da Medicina antiga é Aristóteles, para quem, o problema do movimento é central, não só no que diz respeito à Física e à Metafísica, como também na análise do corpo humano. Na perspectiva aristotélica, o coração é a sede do movimento do corpo, a parte em que a alma comunica ao organismo a sensibilidade e o próprio movimento, a própria vida. O coração é o que se forma, por primeiro, no embrião, é o princípio da vida no sentido cronológico, lógico e ontológico. Nele, os seres vivos possuem um princípio vital formativo que justifica sua organização.”




Estude e Pesquise mais:
Platão. O Banquete, São Paulo: Abril Cultural, 1993, Coleção Os Pensadores.
Aristóteles. Ética a Nicômaco. São Paulo: Nova Cultural, 1987.