Perguntas super-interessantes sobre Software Livre

by Francisco on domingo, 11 de junho de 2006

Francisco Antônio de Andrade Filho

Neste novo tempo do Ciberespaço, descobrimos a habilidade de alunos e amigos se conectando em busca de informação, de novas formas de pensar, interagir e viver. Juntos, percebemos o poder e a fragilidade, com ética e sem ética, das tecnologias digitais da inteligência humana. Conseguimos registrar perguntas super-interessantes sobre Software Livre em confronto com o Software Proprietário. E à luz da Filosofia, indagamos e buscamos respostas em aberto. Diretor do HackerTeen, professor e aluno, tecemos um diálogo da cidadania digital.

O que representam para a inteligência e o conhecimento, os meios informáticos? Seriam valores, a capacidade técnica de fragmentar os modos de ser e pensar estabelecidos, hoje, e fazer emergir novos espaços para a cultura a serviço da Humanidade? Como é possível viver os desafios dos computadores inteligentes que incluem e excluem o homem do mercado de trabalho? Seria possível garantir a segurança computacional com as novas tecnologias da inteligência?

Os velhos, jovens, homens e mulheres de todas as idades, sabem muito bem que vivemos numa época singular, marcada pela enorme criação de riqueza, pela explosão das inovações e ao mesmo tempo marcada pelo sentimento agudo de alienação e isolamento, que ocorre quando os efeitos da informática, como, por exemplo, a economia globalizada, atingem os indivíduos que ainda não tiveram acesso à modernidade.

Destacamos um tópico de Ética, escrito por Baruch de Espinosa (1632-1677), assim:

Mas como os homens no começo, com instrumentos inatos, puderam fabricar algumas coisas muito fáceis, ainda que laboriosas e imperfeitamente, feito que, fabricaram outras coisas mais difíceis, com menos trabalho e mais perfeição, passando gradativamente das obras e instrumentos, para chegar a fazer tantas coisas e tão difíceis com pouco trabalho, também o intelecto, por sua forma nativa, faz para si instrumentos intelectuais e por meio deles adquirir outras forças para outras obras intelectuais, graças às quais fabrica outros instrumentos ou poder de continuar investigando, e assim prosseguindo gradativamente até atingir o cume da sabedoria. (Ética: 26).

E pesquisamos Uma questão de Liberdade: Software Livre versus Software Proprietário, artigo de Ricardo Amaro, disponível em , acessado em 30 Abril 2005. Atento, e com muita paixão, li este artigo, pensando e indagando como os nossos leitores. Seria ético, o Software “fechado”, com “total controle de todos os tipos de comunicação e dados de outrem”? O que podemos dizer sobre esses pensamentos do Ricardo?

Em tudo... Desde o software que recebe o pedido da mesa no restaurante, à transferência bancária via Internet, passando pela conversa amena no sistema de chat ou pelo curriculum que se escreve num processador de texto, os programas informáticos tocam os destinos de todos nós. [...] Por contraponto podemos falar de outro processador de texto, que faz exactamente a mesma coisa e mais um "par de botas", abre e guarda todos os formatos de texto, não custa nada a não ser o tempo de o instalar, podemos verificar o que o programa faz exactamente olhando para o seu código, podemos partilhá-lo com amigos, empresa, família e acima de tudo não nos obriga a registar o nosso nome nem os nossos dados.

No Netclass, do Programa HackerTeen (São Paulo), ministrava aulas de Ética, à distância, o Diretor Marcelo Marques desta Escola, e este professor, produzimos um diálogo com o aluno, Leandro Martins Morani, da Faixa Verde G02.

Questões inteligentes, respostas hábeis. Nenhuma delas, fechadas. Discutimos esta problemática do Software Livre versus Sofware Proprietário, assim:

- Francisco: O que representam para a inteligência e o conhecimento os meios informáticos? Seriam valores, a capacidade técnica de fragmentar os modos de ser e pensar estabelecidos, hoje, e fazer emergir novos espaços para a cultura a serviço da Humanidade?

- Leandro: Sim. A informática representa uma ferramenta prática a favor da evolução da inteligência e do conhecimento humano. Os meios informáticos permitem ao homem se aproximar de outras culturas, expandindo os horizontes do saber, derrubando fronteiras, unindo cada vez mais pessoas. Infelizmente, toda essa evolução se faz prejudicial para quem ainda não teve acesso à tecnologia. É importante um crescimento organizado e também o compartilhamento do conhecimento.

- Francisco: Como é possível viver os desafios dos computadores inteligentes que incluem e excluem o homem do mercado de trabalho?

- Leandro: Durante a História, o homem sempre se viu frente a desafios aparentemente impossíveis da serem superados, mas, na maioria das vezes, obteve sucesso. O desafio da nossa era é o uso cada vez maior dos computadores inteligentes, que incluem poucos e excluem muitos profissionais no mercado de trabalho. Vejo a solução no Software livre, que tem, hoje, um papel importante na inclusão digital.

- Francisco: Seria possível garantir a segurança computacional com as novas tecnologias da inteligência?

- Leandro: Sim. Toda mudança, não importa qual, traz riscos. Risco de não adaptação, risco de insegurança com o novo. O mundo está cada vez mais computadorizado. Esse novo estilo de vida traz, logicamente, seus riscos. Uma sociedade interconectada permite acesso fácil a muitos dados e informações, e, pessoas sem um pensamento em prol da evolução, aproveitam a fragilidade alheia para tomar posse do que não as pertence. Por outro lado, existem pessoas e entidades dispostas a formar cidadãos que tenham como objetivo garantir a segurança da sociedade. O HackerTeen é um exemplo, dentre tantos outros. Enquanto houver gente de bem, será possível garantir a segurança computacional.

- Francisco: O Software Livre é mais confiável? Deveria ter donos? E nos governos?

- Leandro: O Software Livre, como já disse anteriormente, pode ser a solução para a exclusão digital. Se ele é ou não mais confiável, é relativo, depende muito de quem usa. O Software Livre tem dono: a comunidade. Todos trabalhando para seu desenvolvimento, para torná-lo forte frente às poderosas corporações que dominam o mercado hoje. Os governos, de todas as cidades e países devem apoiá-lo. Não faz sentido que o dinheiro dos nossos impostos vá parar nas mãos de empresas. A política de software livre dentro dos governos permitirá melhores investimentos em saúde e educação.

- Marcelo Marques: As leis de patentes e direitos autorais utilizadas pelas empresas são utilizadas de forma ética?

- Leandro: De certa forma, sim. Os criadores têm direito de cobrar por suas criações. Porém, acho errado que se cobrem licenças de uso, fazendo o cliente pagar não só pelo produto, mas pagar “eternamente” pelo software adquirido. Vejo isso como exploração.

- Marcelo Marques: O Software Livre é mais ético que o software proprietário?

- Leandro: Acredito que sim. O Software Livre opera recursos que aproximam cada vez mais pessoas de diversas áreas do conhecimento, enquanto que o software proprietário não permite o auto-desenvolvimento dos seus clientes a partir do momento em que os usuários não têm acesso ao seu código-fonte. O Software Livre favorece o crescimento do homem como ser social.


E Software Livre e o Software Proprietário, os dois, serão fontes de felicidade humana. E o reino da liberdade se instalará, e com ética, na Aldeia Global.

* Francisco Antônio de Andrade Filho é Doutor em Lógica e Filosofia da Ciência, na área de Filosofia Política, pela UNICAMP/SP. Professor Titular, aposentado da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Docente em Filosofia na Faculdade Maurício de Nassau, nos cursos de Administração, Direito, Comunicação Social e Enfermagem. Membro do Comité de Ética de Pesquisas em seres humanos, do Hospital Oswaldo Cruz – UHOC-UPE.

Como a TV Influencia as Crianças no Mundo Atual

by Francisco on sexta-feira, 9 de junho de 2006

Stella Menegolo

O mundo vive rápidas transformações em função das revoluções tecnológicas, nas quais a televisão tem um papel preponderante. Entre outros fatores, nos quais podemos dizer que esses encantos fazem com que as crianças passem boa parte do tempo diante da TV.

A TV pode e até deve ser utilizada como meio didático, já que é através dela que a criança recebe informações. As exibições constantes de "traição, violência e outras degradações morais provocam um conformismo e os espectadores passam a achar tudo isso muito comum". Desta forma a TV altera as percepções e valores, onde as suas funções e conceitos e não estão de acordo com o que aprendemos, vemos e ouvimos.

Em sua função a TV também precisa ser estudada dialeticamente aonde, a questão fundamental é de saber como as mensagens e o sujeito se constituem e de que maneira se confrontam.

A criança quando nasce é uma "tábua rasa" que vai consecutivamente aprendendo informações resultante das sucessivas experiências vividas em contacto com o meio. Em geral as crianças começam a ver desenhos animados aos 02 anos de idade, aos 06 já estão habituadas a elas e aos 6-11 vão conquistando a maioria. As crianças mais novas vêm os desenhos animados de forma nítida, que ajudam em sua compreensão e prende a toda a atenção.

Inconscientemente a criança exorciza seus medos, desenvolvendo suas
estruturas mentais. A criança entende valores como justiça, esperança ou abandono na linguagem mágica do "faz-de-conta". As novelas também atraem as crianças pois elas falam sobre a identidade social, como por exemplo: a procura de um filho trocado na maternidade, problemas de incesto, problemas de vida e morte.

No que se diz respeito aos desenhos animados, uma grande quantidade de violência está presente neste tipo de programação e que afeta bastante, significando uma forte influência nas crianças. Essa influência pode acompanhá-la até uma idade avançada e mais tarde a cometer violência.

Com toda a influência desse meio de comunicação, consequentemente, mudaram-se os costumes e o cotidiano dos lares. talvez não seja atrevido dizer, com apoio absoluto da maior parte da população mundial, que a televisão é nada mais nada menos que a mídia mais importante no cotidiano das pessoas. A Televisão é cultura para uns, destruição e violência para os outros.

A TV constitui um objecto de culto para as crianças, e está sendo cada vez mais substituidas pelos pais, pois os mesmo não tempo; a TV ´pode ser assim chamada de Babysistter, que desperta a atenção. Mas cabe aos pais, prestar atenção ao que seu filho assistia na Tv, impondo-lhe ordens.

As crianças interagem com a TV e elaboram suas representações de acordo com seu universo biopsicossocial. E partindo dessa influência que a TV exerce, principalmente em desenhos animados para as crianças, é importante que os pais saibam o que o seu filho está assistindo e interpretando sobre o desenho. Pois em sua maioria, os desenhos animados remetem conteúdos de:

- vencedor/perdedor

- bem/mal, etc... podendo prejudicar na educação familiar.

Objetivos:

De fornecer alternativas para o intercâmbio cultural entre Universidades, Escola e Sociedades.

Objetivos Especificos

1. Levantar referencial teórico atualizado sobre a relação TV/criança

2. Identificar os diferentes tipos de produção cultural presente na televisão.

3. Investigar as diferentes formas de manifestações dos folguedos infantis, antes e depois do advento da TV.


Considerações Finais

A criança substitui a falta de criatividade e a rigidez da escola pela beleza da cor e do movimento da TV. As imagens recolhidas pela criança têm um papel preponderante na sua formação e nos seus comportamentos futuros.

*Stella Menegolo é aluna do Iº Período do Curso de Direito da Faculdade Maurício de Nassau/Recife-PE.

Maquiavel: A Vitória sem Memória

by Francisco on terça-feira, 6 de junho de 2006

José Luiz Ames

Na aurora do Estado moderno um problema crucial era conseguir manter o poder num quadro institucional em que, no lugar do Direito, prevalecia a força. A conquista do mando supremo acontecia às custas da eliminação física dos outros pretendentes ao cargo. Num tal contexto, qual a maneira mais eficaz de lidar com os inimigos políticos? Maquiavel coloca-se este problema e mostra como ele tem sido resolvido pelos governantes que alcançaram êxito. Não se trata de uma recomendação moral. O que está em questão é saber como manter sob controle o poder conquistado.

A tese de Maquiavel é a seguinte: quem conquistou o poder numa luta ferrenha contra seus antigos ocupantes, “deve observar duas regras: extinguir os antigos governantes e manter as leis e os tributos” (O Príncipe, cap. III). Como acabar com os antigos governantes? Está ali a segunda parte da “regra de êxito” do florentino: não se pode tomar meias medidas. Nas palavras do florentino, “é preciso mimar ou aniquilar os homens, porque eles se vingarão de pequenas ofensas, mas não poderão vingar-se de agressões definitivas” (O Príncipe, cap. III). O governante que pretende vencer não pode olhar para os meios que emprega. Quando ele persegue os antigos ocupantes do poder e seus simpatizantes, deve ser drástico. Para ganhar precisa matar toda lembrança antiga. Não pode deixar pedra sobre pedra. Precisa praticar a política da “terra arrasada”.

Maquiavel ainda se encarrega de avisar aqueles que, porventura, forem tomados de escrúpulos diante do tamanho da injustiça que precisam praticar para ganhar: “tem uma regra geral que nunca ou quase nunca falha: quem se torna instrumento para que outro se torne poderoso se arruína” (O Príncipe, cap. III). O governante que não destrói a lembrança do antigo mandatário não faz seu sucessor. Mais: ao deixar espaço para o inimigo, fornece alimento para que cresça e reconquiste o poder perdido.

Na atualidade, a eliminação física dos adversários políticos é exceção. Afinal, vivemos num Estado de Direito em que prevalece a lei no lugar da força. No entanto, a lógica que comanda a mudança no mando do poder de Estado permanece a mesma, em todas as esferas da administração pública. A primeira iniciativa do novo Prefeito, Governador ou Presidente, especialmente quando é de oposição, é apagar toda lembrança da gestão anterior. Para tanto, substituem-se todas as pessoas que ocuparam cargos gerenciais na estrutura de poder, mudam-se as placas de inauguração, trocam-se os nomes dos prédios e dos projetos, abandonam-se as obras que deram certo, difamam-se as pessoas que ocuparam o poder. Enfim, destroem-se todos os símbolos que possam evocar a lembrança da gestão anterior. É verdade, ninguém é morto. No entanto, há uma morte simbólica tanto das pessoas que atuaram na gestão precedente, quanto dos projetos por elas desenvolvidos.

Maquiavel escreveu isso olhando para a política tal como ela efetivamente acontecia. Ele jamais disse que “seria bom” se todos agissem assim. Infelizmente, muitos dos que o leram o interpretaram dessa maneira. Escondem-se atrás de uma falsa “Ciência Política” para encobrir sua ambição sem medida. Dizem que a “política é assim mesmo”, como se fosse uma fatalidade. Tudo passa a girar em torno da conquista do poder pelo poder. Em vez de a política ser um instrumento a serviço do bem-estar de todos, torna-se um fim em si mesma. Com isso ela se degrada e perde sua originária força organizadora do bem comum. Os seus agentes, os “políticos”, são execrados como parasitas, algumas vezes não sem razão.

* José Luiz Ames é doutor em Filosofia e professor da Unioeste, Campus de Toledo.

Maquiavel: É Melhor Prevenir ou Remediar?

by Francisco

José Luiz Ames

Como deve agir o governante em relação aos problemas que enfrenta na administração? Maquiavel procura iluminar essa questão comparando o trabalho do político com o do médico. O problema enfrentado pelo dirigente é semelhante à doença enfrentada pelo médico. A comparação é a seguinte: “no princípio, uma doença é fácil de ser curada, mas difícil de ser diagnosticada. Com o passar do tempo, não tendo sido nem reconhecida nem medicada, torna-se mais fácil diagnosticá-la, mas também mais difícil de curá-la” (O Príncipe, cap. III). Quando o câncer é diagnosticado logo no seu início, as chances de cura são praticamente plenas. Já quando está em estágio avançado....

Na política, explica Maquiavel, acontece algo semelhante. “Quando se percebe com antecedência os males que surgem, eles são curados facilmente. Quando, porém, por não terem sido identificados, se deixa que cresçam a ponto de todos passarem a conhecê-los, não há mais remédio” (O Príncipe, cap. III). Os problemas na política são como um câncer no corpo: quando o governante os deixa crescer, destroem os melhores planos que ele porventura possa ter.

A imagem utilizada por Maquiavel para explicar o modo de agir de um político é muito apropriada para entender nosso cotidiano. Notamos muitos dirigentes que parecem incapazes de perceber a gravidade de um problema. Estão inteiramente voltados às grandes metas de sua administração. Na verdade, os problemas não podem ser separados entre si conforme o tamanho. Tal como um câncer, o perigo está naquilo que o problema pode causar ao projeto político. Basta, por exemplo, uma licitação mal explicada para comprometer a honestidade de toda administração...

A verdadeira inteligência política está naqueles que têm a sensibilidade de perceber os grandes problemas no seu nascedouro. Estes são políticos predestinados ao sucesso, porque combatem os obstáculos na sua raiz. Os medíocres, infelizmente a maioria, “empurram com a barriga”. Pensam que “deixando rolar” as coisas se acomodem sozinhas. É o que geralmente acontece, só que da pior forma: como numa doença não tratada, amplia o quadro de deterioração da comunidade política.

O dirigente incompetente, aquele que não resolve no começo os problemas, é também perigoso. Assim como o médico que não diagnostica a doença em tempo pode levar o paciente à morte, o governante que não combate as dificuldades no nascedouro prejudica toda comunidade. Do mesmo modo que o conselho de classe cassa o diploma do médico fajuto, deveria existir um mecanismo para cassar o mandato do dirigente incompetente. O primeiro leva à morte uma pessoa. O último, conduz a coletividade inteira à falência!

* José Luiz Ames é doutor em Filosofia, e professor da Unioeste, Campus de Toledo.

A Bioética nos Serviços Público de Emergência: relato de uma experiência

by Francisco on segunda-feira, 6 de março de 2006

Gercineide Maria Jesus de Lemos

A Bioética nos serviços de emergência surge como forma de reflexão para os profissionais de saúde associada a ação integrada da tecnologia do saber. Os avanços tecnológicos motivam os que fazem saúde, a buscar aprimoramento profissional utilizando técnicas avançadas em pacientes que podem dar respostas satisfatórias a determinados procedimentos terapêuticos, rejeitando aqueles que são considerados sem “CHANCE”, justificado pela necessidade de proteger a vida humana.

Com os avanços tecnológicos surge novos paradigmas para a Bioética, os pesquisadores do mundo contemporâneo recorrem a novas conhecimentos técnicos. Observamos avanços na área da Biomedicina (Bernard, 1998), entre outros.

O serviço de emergência na sua maioria hoje passa por um processo desordenado de pessoas que necessitam de assistência á saúde, originárias de diversos lugares detentoras dos mais variados graus de instrução. Na maioria dos serviços públicos da SUS (Sistema Único de Saúde), informam ter déficit de servidores para o atendimento humanizado o que observamos são pessoas vestidas de branco por ser ali também campo da pratica de diversos cursos de saúde que ainda não encontram-se devidamente capacitados para um atendimento qualificado como é necessário em situações de emergência onde a vida e a morte se encontra lado a lado.Aos olhos de quem precisa de atendimento existe pessoas vestidas de branco e que podem atender as suas necessidade porem os abandonam encima de macas, cadeiras de rodas, bancos de madeira, papelão forrando o chão, gritam reclamam, mas sua voz não consegue chegar aos ouvidos de quem cuida, justificado por excesso de pacientes, trabalho.

É neste ambiente marcado pela dor, sofrimento, medo da morte, ansiedade, desejo de ser atendido como pessoa e não com simples objeto da pratica do fazer que surge transformação no agir humano, processo reflexivo da pratica do atendimento ao ser humano em sua totalidade, apoiado no seu objeto próprio da ética. A humanização na saúde precisa ser resgatada urgentemente.

Entendemos que a bioética precisa ser incorporada a todas as áreas de atendimento reforçando o agir humano, nas situações de emergência sua aplicabilidade é fundamental uma vez que o paciente ao chegar para atendimento recebe um cadastro e muitas vezes fica a espera nas condições desumanas já relatadas chegando mesmo a morte sem ter o direito de ser atendido como merecia ou o caso exigia, tomamos como exemplo um ato cirúrgico ou necessidade de Tratamento Intensivo ficando em cima de uma maca sem os devidos tratamentos requerido chegando a ser considerado sem condições de ir para a UTI por ser considerado em fase final. Ora se a eutanásia no Brasil é crime o que estamos assistindo afinal?

Torna-se imprescindível que os profissionais de saúde e as autoridades envolvidas façam uma avaliação do que está acontecendo com a saúde, refletindo sobre a luz da ética profissional e da bioética.


*Enfermeira, Psicóloga, Mestre, Professora da disciplina Ética Profissional do Curso de enfermagem da Faculdade Mauricio de Nassau. Coordenadora gestora do Curso de Enfermagem da Faculdade Mauricio de Nassau. Profª. de Ética e Deontologia e Enfermagem da Fun.de Ens. Sup. de Olinda FUNESO.

Desafios para a Educação de Alunos com Necessidades de Atenção Especial: o problema dos portadores do TDA/H

by Francisco on quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

José Luiz Ames

A “necessidade especial”, sobre a qual pretendo tecer algumas considerações, é chamada, tecnicamente, “Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade”. Este problema afeta, segundo os estudiosos, de 5 a 7 por cento das pessoas em idade escolar. A presente comunicação é muito mais uma reflexão sobre uma experiência de vida do que uma análise abstrata a partir de teorias educacionais. Embora esteja centrada na análise de uma “necessidade especial” específica, grande parte das considerações pode perfeitamente ser expandido para outras “necessidades especiais”.


1) Como se comporta um portador do TDA/H

O diagnóstico organiza os critérios conforme três “tipos” principais cujas características, no entanto, se confundem: o desatento, o hiperativo e o impulsivo. Os indivíduos manifestam níveis distintos do transtorno.

1.1) O desatento

a) Tem pouca atenção e, com freqüência, comete erros em trabalhos escolares e avaliações escritas por puro descuido. Examinando a prova que ela mesma fez, é capaz de apontar os próprios erros e até se aborrecer por ter cometido falhas tão tolas.

b) É comum perder a atenção no que o professor está falando e ficar pensando em coisas bem distantes das aulas. Costuma-se dizer que “voa” ou “viaja” nesses momentos. Essa mesma perda constante de concentração é o que dificulta, por exemplo, a leitura de um livro recomendado pela escola. Com freqüência precisa voltar a ler do início da página, pois é como se tivesse “dado um branco” no momento em que estava lendo um trecho.

c) Outras vezes, quando está fazendo algo que é do seu interesse (como ver TV, jogar videogame, etc.), é capaz de ficar tão concentrado que parece não escutar quando é chamado. Isso significa que o portador do TDA/H é capaz de ficar hiper-concentrado (se estiver interessado) ou, então, ficar desconcentrado (quando não tiver interesse).

d) Tem grande dificuldade de fazer as tarefas escolares sozinho, porque se distrai a todo instante, interrompe e leva muito tempo. Isso faz desses momentos verdadeiras batalhas entre pais e filhos.

e) Só funciona sob pressão, seja no que diz respeito às tarefas escolares, seja para estudar para provas. Essa pressão pode ser tanto a dos pais como a do tempo. Quer dizer, estuda apenas quando percebe que praticamente não tem mais tempo suficiente para fazer determinada atividade e se não fizer vai redundar em prejuízo.

f) É facilmente distraído daquilo que está fazendo. Por exemplo, basta que alguém chame o seu nome ou que ocorra um ruído diferente para que se perca quase completamente da tarefa que estava realizando, em especial se era uma leitura ou aula.

g) É em geral muito desorganizado com seus pertences e na maneira com que tenta fazer as coisas. Por isso, está freqüentemente perdendo objetos, como lápis, livros, etc. Costuma fazer várias coisas ao mesmo tempo, mas dificilmente completa alguma. Não lê um livro por completo, mas começa vários e lê partes de cada um.

h) Quando se pede a alguém com TDA/H que efetue 2 ou 3 tarefas ao mesmo tempo, ou que transmita um recado, freqüentemente haverá esquecimento de algumas das tarefas solicitadas.


1.2) O hiperativo

i) É muito ativo, inquieto, tem dificuldade de ficar sentado na sala de aula. Quando é forçado a ficar sentado, fica se revirando na cadeira o tempo todo.

j) Fala muito, é barulhento a ponto de perturbar a classe e ser freqüentemente advertido pelos professores.

k) Não consegue esperar sua vez, seja em jogos, filas, etc. Fala quando não deve, interrompe as pessoas, responde sem ouvir a pergunta por inteiro. Muitas vezes revela falta de tato, dizendo coisas inadequadas, que saem de supetão.

l) Apresenta um comportamento de busca constante de novidades e fortes emoções, como esportes radicais e outros desafios.

m) Costumam ser estabanados, derrubando os objetos por onde passam.

1.3) O impulsivo

n) Tem baixa tolerância à frustração. Insistentes, não suportam uma resposta negativa.

o) Impaciente, toma decisões precipitadas, e muitas vezes se arrepende logo em seguida. Impulsivo também para dirigir. Quando adulto muda freqüentemente de trabalho, relacionamentos ou residência.

p) É muito emotivo, tem freqüentes oscilações de humor e se irrita com facilidade.

q) No trabalho tem um rendimento abaixo do que seria capaz.

r) Tem baixa auto-estima.



2) Como a escola deveria lidar e como geralmente lida com esses alunos

Para facilitar a compreensão do que pretendo dizer, aquilo que está em itálico corresponde àquilo que penso ser a maneira como a escola efetivamente lida com os alunos portadores de TDA/H.

a) Treinamento e conhecimento sobre TDA/H

É essencial que os professores estejam conscientes que o problema é fisiológico e biológico por natureza. Essas crianças não estão deliberadamente tentando incomodá-los. Seu comportamento não é planejado para deixá-los loucos. Essa conscientização ajuda a manter a paciência, senso de humor e habilidade em lidar com comportamentos indesejáveis de uma maneira positiva.

A informação teórica dos professores é praticamente nula. Os cursos de licenciatura, no máximo, oferecem uma noção geral desse e de outros tipos de distúrbios. É, no entanto, insuficiente para embasar uma ação pedagógica conseqüente. Em virtude do fato de não conhecerem o assunto, escola e professores tratam esses alunos, muitas vezes, como indisciplinados, rebeldes, desleixados, incapazes e desinteressados. Os pais são chamados constantemente à escola devido ao comportamento do filho. Isto evidencia que não entenderam a diferença própria dessa forma de agir humana.

b) Estrutura escolar adequada

Alunos com problemas de atenção precisam de uma sala de aula estruturada. Eles precisam ter as tarefas escolares organizadas de maneira tal que possam ser divididas em partes, com o professor instruindo e mostrando como fazê-las diretamente a eles. Requer a presença de um monitor, isto é, de um auxiliar do professor para acompanhar a execução das tarefas dos alunos de modo individualizado. A escola precisa ter um serviço de apoio psico-pedagógico para auxiliar o professor e o aluno na resolução dos problemas.

Como a escola funciona? Não existe atenção individualizada. O professor atende seus alunos como se fossem uma massa informe. Tudo o que destoa da massa é convertido em indisciplina e remetido à coordenação ou direção. Não existem auxiliares de ensino para as situações em que ocorre a presença de alunos com necessidade de atenção especial.

c) Flexibilidade, comprometimento e vontade do professor em trabalhar com o aluno num nível pessoal

Isso significa disponibilizar tempo, energia e esforço extra para realmente escutar os alunos, dar apoio e fazer as mudanças e acomodações necessárias. O professor precisa adequar a metodologia de ensino às peculiaridades da pessoa.

Em geral, nossos professores são verdadeiras “máquinas ambulantes”: correm de uma sala para outra, de uma escola a outra. Muitos não conseguiriam confirmar sequer quantos alunos têm, muito menos conhecê-los um a um. Como, nestas condições, esperar que conheça e se envolva afetivamente com seus alunos?

d) Modificar tarefas, reduzir o trabalho escrito, rever a finalidade do sabido

Aquilo que uma criança comum leva 20 minutos para fazer, freqüentemente custa ao aluno portador de TDA/H horas para completar (especialmente os trabalhos escritos). É preciso permitir que o aluno faça um número razoável de exercícios e não necessariamente todos aqueles que estão na apostila ou que são exigidos dos demais colegas. Propiciar mais tempo para a execução das tarefas. Esses alunos muitas vezes sabem a informação, mas não conseguem escrevê-la, principalmente em testes. É necessário ser flexível e permitir que os alunos com essa dificuldade tenham tempo extra para fazer testes e/ou possibilitar que sejam testados oralmente ou, ainda, avaliá-los pelo conjunto de suas atividades. Diminuir os trabalhos e projetos escritos para esses alunos. Ser sensível ao extremo esforço físico que representa para eles escrever algo que parece muito simples para você ou os demais colegas.

Nossa educação é conteudista. O ensino médio, particularmente, está focado no vestibular, não na preparação para a vida. As escolas, de certa forma, estabelecem um “ranking” segundo o número de aprovações que seus alunos obtiveram no vestibular. Basta observar as faixas afixadas orgulhosamente na frente das escolas por ocasião em que são publicados os resultados dos vestibulares. Qual a importância daquilo que aprendemos? Para que serve mesmo? Um teste interessante é tentar resolver os exercícios da apostila de nosso filho. Se não sabemos, é porque não precisamos daquele saber. Honestamente, é difícil responder à pergunta do filho: “Para que preciso estudar isso?” Se não quisermos enganá-lo, deveríamos simplesmente dizer: “para passar no vestibular!”.E depois, para que serve? Se tivermos de ser absolutamente sinceros, “para ser descartado”. Significa que lidamos com conhecimentos descartáveis. Aprendemos uma montanha de coisas que jamais utilizaremos na vida. Aprendemos para jogar fora tão logo sua finalidade tenha se realizado. As baixas notas desmotivam e levam o portador da TDA/H a abandonar os estudos.

e) Limitar a quantidade de tarefas para casa

Tipicamente, nas casas de pessoas portadoras de TDA/H, a hora da tarefa é um pesadelo. Muitos professores mandam para casa todo trabalho que não foi terminado em sala de aula. É preciso lembrar que, se o aluno foi incapaz de completar a tarefa durante a aula, provavelmente não vai completá-la em casa.

f) Sensibilidade do professor para não constranger ou humilhar alunos na frente de seus colegas

A auto-estima das pessoas portadoras de TDA/H é frágil. Alunos com TDA/H normalmente se consideram fracassados, porque seu rendimento escolar é baixo. E é baixo por todos os motivos vistos acima: dificuldade de concentração, de atenção, de manter o interesse continuado, etc. É preciso evitar o ridículo. Preservar a auto-estima é o fator primordial para realmente ajudar esses alunos a serem bem sucedidos na vida. É preciso elogiar antes de criticar. O portador do TDA/H geralmente tem comportamento agressivo, “pavio curto”. É particularmente avesso à autoridade, seja esta de que natureza que for: pais, professores, direção da escola, Deus, e até mesmo entes físicos que se mostram impermeáveis à modificação, como um programa de computador (o Windows)! Diante de uma grosseria que um aluno com TDA/H profere, contra o professor ou algum colega, o modo mais eficiente de desarmá-lo não é, em absoluto, revidar com a força da autoridade: alterando a voz, ameaçando (expulsar da sala, encaminhar à coordenação, etc), ou através de comandos negativos (fica quieto, cala a boca, senta, etc.). É preciso apelar à inteligência dele e desenvolver a empatia. Mostrar empatia significa ter sentimentos e fazer declarações que reflitam um reconhecimento sincero dos sentimentos do aluno e uma preocupação real para com eles. Além de mostrar que, como professor, se importa com o aluno, esse aspecto da empatia enfatiza "Eu quero o melhor para você"; “eu me importo contigo”.

Creio oportuno lembrar aqui um exemplo referido para explicar como funciona a psicanálise. A história é a seguinte. Numa reunião de amigos, um deles sugeriu uma brincadeira: tomar 5 palitos de fósforo e formar figuras. Os demais deveriam adivinhar o número formado pelos palitos. Começou, então, colocando 4 palitos com a cabeça voltada num sentido e um quinto no sentido contrário. Qual o número? Três! A lógica imaginada pelos presentes: 4 palitos menos 1 é igual a 3. Aos poucos, porém, quase ninguém mais acertava. Até que um dos presentes passou a acertar todas. Qual era o segredo? O arrumador dos palitos estendia, atrás da figura formada pelos palitos, a quantia de dedos de sua mão correspondentes ao número formado!

Significa: muitas vezes olhamos unicamente para o óbvio e não vemos aquilo a que aponta. Não vemos os dedos atrás da figura formada pelos palitos. Quando o portador do TDA/H diz uma grosseria, por exemplo, tendemos a agir como os amigos da brincadeira dos palitos. Só vemos a grosseria e nos confrontamos com o aluno sobre as palavras e gestos praticados por ele. Não vemos o que isso significa. Não interpretamos. Tal como os amigos da brincadeira não viam a mão estendida atrás dos palitos, não vemos o pedido de socorro por afeto, carinho, atenção, reconhecimento, ocultos na grosseria. Quando o professor o expulsa da sala ou revida a agressão com outra agressão, mostra-se, na verdade, cego para entender o mais profundo e real significado do gesto.

g) Valorizar as diferenças dos alunos e ajudar a ressaltar seus pontos fortes

É de fundamental importância propiciar muitas oportunidades para que os portadores de TDA/H possam demonstrar aos colegas aquilo que eles sabem fazer bem. Em outras palavras, é necessário reconhecer a diversidade dos estilos de aprendizagem e as diferenças individuais na sala de aula. Promover o esforço e ressaltar as capacidades do aluno portador de TDA/H. Destacar aquilo que ele sabe fazer bem é permitir que se sinta capaz. Somente assim elevaremos sua auto-estima. Sempre evitar a comparação com colegas. Jamais permitir o reforço negativo: “você nunca vai conseguir!” “Porque não faz como fulano?” “Se fulano conseguiu, porque não faz também?” etc.

Nossa educação está centrada em respostas. Valorizamos as verdades absolutas, inquestionáveis. Nossos livros-texto estão organizados de maneira a desenvolver no aluno a capacidade de reproduzir e memorizar um conjunto de informações tidas por essenciais. Não estimulamos a inteligência.Basta conferir a importância dada ao tipo dos exercícios de “preencher” ou de “assinalar”. Não provocamos no aluno a dúvida. Oferecemos a ele a resposta certa, irrefutável. Em vez de afirmar categoricamente “É”, deveríamos levá-lo a questionar “por quê?” , “como?”, “qual o fundamento disso?”


3) Conclusão

Penso que nossas escolas oferecem ensino para pessoas que aprendem sozinhas. Elas não estão preparadas para ensinar aqueles que realmente precisam de ajuda. Não vêem rostos, histórias. Não desenvolvem sentimentos, emoções. Vêem alunos, isto é, massa. Quando surge a diferença, por exemplo, quando aparece alguém que não aprende sozinho, ou que altera a ordem das coisas com seu comportamento diferenciado, descobrimos toda a fraqueza da escola e da formação do professor. Nossos professores, quando muito, conhecem o conteúdo de sua disciplina. Poucos, pouquíssimos mesmo, têm domínio das diversas dimensões da vida humana que transcendem a sua disciplina específica. O mais triste é que muitos, mesmo quando desafiados a se aprofundar, ou quando se defrontam com um problema concreto, se escondem no altar de seu saber como se fosse um refúgio inexpugnável. A universidade não prepara em profundidade para todas as situações que o futuro profissional encontra. Isso é, até mesmo, impossível. O que é necessário, é que a formação que ela oferece seja tal que crie no aluno a disposição de retornar à universidade quando se defrontar concretamente com um problema e se aprofunde naquela questão.

A escola, por sua vez, tem uma estrutura eficiente, quando muito, nos aspectos administrativos. Mantém a limpeza, a disciplina, a organização escolar. Os aspectos psico-pedagógicos são tratados como de menor importância. Isso pode ser facilmente confirmado pela ausência de equipes multidisciplinares para atender as necessidades de atenção especial requeridas pelos alunos. Igualmente pelo pouco espaço dado à discussão e análise das questões que vão além dos conteúdos disciplinares. As “reuniões pedagógicas”, além de esparsas, geralmente se limitam a constatações sobre o desenvolvimento intelectual dos alunos. Não têm como dinâmica a contínua análise e discussão em profundidade dos problemas constatados e o encaminhamento de soluções para aquelas questões que transcendem a simples assimilação das informações.

A conclusão a que chego é a seguinte: infeliz é a vida do aluno com necessidades especiais. A escola só ensina aqueles que seriam capazes de aprender mesmo sem ela. Quem realmente precisa do professor e da escola está órfão. E maltratado!


Bibliografia

BOURBON, Sérgio. Informações Básicas. In: www.adhd.com.br Artigos.
Sam Goldstein, PhD* Compreensão, Avaliação e Atuação: Uma Visão Geral sobre o TDAH. In: http://www.hiperatividade.com.br/
TAYLOR, John. Corrigir Sem Criticar. http://www.hiperatividade.com.br/article.php?sid=69
RIEF, Sandra. Fatores Importantes no Trabalho com Alunos com TDAH. http://www.hiperatividade.com.br/
RIEF, Sandra. Sete elementos-chaves para o sucesso na sala de aula.
Maria Cristina Bromberg. TDAH e a Escola. http://www.hiperatividade.com.br/
Maria Cristina Bromberg. TDAH e a Profissão. http://www.hiperatividade.com.br/

O Natal Existe?

by Francisco on domingo, 4 de dezembro de 2005

Anderson de Oliveira

Certo dia, não faz tanto tempo, resolvi conversar com uma amiga que não escutava a alguma época. Depois de algum tempo em um agradável diálogo, perguntou-me ela:

-Como você está se sentindo, vendo a época mais linda do ano se aproximar?

Então, sinceramente, lhe disse:

-Esta pode ser uma época bela, mas não penso que possamos estar convictos de que temos algo para comemorar. Digo-lhe mais: penso que são poucos hoje os alheios à ignorância da própria reflexão sobre suas próprias vivências . -Por que o diz?-perguntou surpresa a minha amiga:

-O natal é a comemoração do apogeu da vida e da eternidade do amor. Simboliza o nascimento do ser que representa em sua própria vida o amor que deve ser sentido pelos homens. O que quer dizer, que o natal não existe?

-O natal existe, e está tão vivo em nossa vida que o percebemos sem que ele sequer possa tocar no ínfimo da nossa oceânica ignorância. Se admitimos que um homem, que é descrito pela nossa história como um dos que mais amou com sinceridade todos os homens, dentre todos que já existiram na história que construímos a cada dia, que este homem é o símbolo da gênese da maioria dos mais valiosos princípios que resolvemos seguir, estes que devem ser representados a cada dia da nossa convivência cotidiana, será que seguimos estes princípios? Será que, a partir do momento que nos desviamos dos nossos princípios, que são baseados na virtude e no bem, expressos na vida e no amor entre os homens, estamos sendo dignos de comemorar o nascimento de um homem tão virtuoso?

Minha amiga, então, duvidosa, perguntou-me:

- Eu sei... Eu também não penso que estamos valorizando a virtude e aplicando os princípios que se julgam necessários para que possamos viver em paz com plenitude. Pois não o vivemos! Há tanto desrespeito ao ser humano em nossos tempos... Então me responda: Você comemora o natal?

-Claro, por que não? Não disse que não deveríamos comemorar, mas sim que deveríamos lembrar dos princípios que definem o que é esta data tão especial, mas que se torna mais especial pelas nossas atitudes e pensamentos a cada dia, de acordo com a nossa consciência ou não. Tornam-se peculiares por serem atitudes virtuosas ou não, como está acontecendo a todo o tempo. Devemos reconhecer, eu assim acredito, que o “espírito natalino” como assim é conhecido, deve ser reconhecido não apenas próximo ou no dia de natal, mas todos os dias que os princípios que simbolizam este dia, e que admitimos como universais para as nossas atitudes tornem-se cotidianos, habituais. Isso é a prática da virtude, do princípio do bem, do amor tanto a vida de outrem quanto a própria vida. Acredito que a cada dia que tomarmos atitudes baseadas nesta idéia da importância do ser humano, seja em qualquer lugar, com qualquer pessoa, este dia também será natal. Devemos, a cada dia de natal, sim, agradecer por termos a oportunidade de renovar o ânimo infinito celebrando a vida virtuosa que escolhemos dar e receber a partir de nossa razão de seguir estes virtudes, ou, se estivermos errados e ignorantes, de mudar o caminho e escolher novas buscas, que sejam dignas de serem comemoradas a cada dia.E digo mais, este dia será mais bonito, mais agradável, mais pacífico, mais humano ... acho que precisamos de dias assim todos os dias...dias de natal...

*Anderson de Oliveira é aluno do curso de Administração, II período, da Faculdade Maurício de Nassau, Recife/PE.