Aniversário do PT – Celebrar o Trabalho e sua Humanização

by Francisco on quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

por Francisco Antônio de Andrade Filho



 



No dia 10 de fevereiro deste feliz ano 2010, o Partido dos Trabalhadores/PT comemorou o seu 30º aniversário de fundação. Seus dois líderes, José Eduardo Dutra e Ricardo Berzoini, deram a arrancada das celebrações dessa festa e felizes, afirmaram:


"Celebramos um partido democrático, popular e socialista que soube unir setores diferentes da esquerda democrática”.




O Deputado Federal Marco Maia registra o legado do PT em sua relação com a Democracia. Convicto, fala assim, entre outras verdades:



“Através do PT, os brasileiros tiveram a oportunidade de eleger e reeleger um trabalhador metalúrgico como Presidente de República. Luís Inácio Lula da Silva colocou o Brasil na rota do desenvolvimento econômico, da distribuição de renda e da geração de empregos, além de projetar o País internacionalmente, conquistando o respeito e a admiração das grandes nações”.




Outros líderes desse Partido dos Trabalhadores, tais como, Pedro Wilson Guimarães, Professor da PUC/GO e UFG, e a Senadora Serys, homenageiam os 30 anos vividos pelo PT. Todos se sentem bem em celebrarem o trabalho e sua humanidade.

De minha parte, quero dizer que não sou ainda filiado a esse prestigiado partido político. Entrementes, declaro que meu coração vibra com seus projetos democráticos – embora limitados -, na construção da riqueza social em nosso País. É um partido político que busca no trabalho, a expressão radical de sua humanização

É com esse significado que canto meu hino de louvor aos 30 anos de vida do PT. Celebro seu aniversário ao olhar o trabalho como expressão de sua humanização. É um convite ao filosofar, neste final de semana, lá onde você sentir-se bem e no ato de celebrar a vida.

Na Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada em 10 de dezembro de 1948, lemos:


“Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do seu trabalho, à condições justas e satisfatórias e à proteção.




É no próprio homem que, em seu ato fundamental do trabalho, potencializa o caminho da humanização. Sabe-se que o trabalho é considerado, aqui, como ação transformadora das realidades, numa resposta aos desafios da natureza, relação dialética entre teoria e prática.

Percebe-se que, pelo trabalho, o homem se auto-produz, alterando sua visão de mundo e de si mesmo: do mundo cultural-educativo, do mundo econômico, político, social, com perspectivas éticas e com direitos econômicos da humanização, como prática do capital global.

Com o trabalho o homem se afirma e se nega. Aliena-se e liberta-se. Com meu professor Dermeval Saviani, da UNICAMP/SP, aprendi que o ato de agir sobre a natureza, adaptando-a as necessidades humanas, é o que conhecemos pelo nome de trabalho. Por isto, podemos dizer que o trabalho define a essência humana.

Com efeito, o homem compreende o mundo, quando o transforma pelo trabalho, descobrindo outro sentido do curso histórico: o reino da liberdade só será efetivo quando a natureza for humanizada pelo trabalho. Com isso, abre-se o caminho à consciência da liberdade.

Por esse processo de trabalho, então, o homem se defronta com a matéria da natureza, dotada de leis próprias, sobre as quais o trabalhador age para assimilar utilmente à sua vida as matérias oferecidas pela natureza. Por sua capacidade de conhecer, domina e apreende suas leis para modificá-las.

Por um lado, o trabalho torna-se, portanto, uma expressão contraditória, uma antinomia, uma contraposição, nas palavras de Marx e Engels, n’A Ideologia Alemã, “privação, choupanas, fealdade e cretinice”, degradação, pobreza e sofrimento para os trabalhadores estranhados. Enquanto isso, “maravilhas, palácios, beleza e inteligência”, riqueza, gozo e satisfação para os capitalistas, também alheios de seu produto.

Por outro lado, superadas as barreiras sociais, a atividade humana – trabalho como uma especificidade da prática educativa -, se apresenta como humanização da natureza e processo de emancipação de uma sociedade. O homem encontra aqui a sua liberdade.

Para seus comentários, aqui, no espaço cibernético, pontuo os dois tópicos:

I - Segundo Marx, n’A Ideologia Alemã, afirma-se que não se pode pensar, então, um projeto de emancipação humana desligado da realidade, nem conseguir uma libertação real a não ser no mundo real e com meios reais;

II - É o modo de vida material que condiciona o processo de vida social, política e espiritual. Não “é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, inversamente, o seu ser social que determina a sua consciência” (Karl Marx). É a partir do ser social que vamos entender os processos sociais da globalização capitalista numa perspectiva do trabalho humano.

Dilma 2010 – Por um novo caminho de emancipação humana na República do Brasil

by Francisco on terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

por Francisco Antônio de Andrade Filho



 




Durante essa semana passada, acompanhei os pronunciamentos da Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Entre tantos outros, destaquei a defesa da presença forte do Estado na economia. Com entusiasmo, observei sua habilidade na construção de um novo diálogo do poder político com o sistema do capital. Com ela, senti a possibilidade de uma presença maior do Estado em sua relação com o mercado. Em seu projeto de governo, o Brasil encontrará um novo caminho na distribuição de sua riqueza social, a emancipação política e econômica de nossa Pátria.

E Dilma falou confiante: “Mas definitivamente não estamos na fase neoliberal, aquela em que todo mundo achava que o Estado dava conta de tudo. Achamos que o Estado tem de ter uma presença clara na economia [...] Como é que a gente vai fazer moradia para todos os brasileiros que ganham até três, quatro salários mínimos, sem subsídio”?

Firme e sem medo, a ministra sinalizou a priorização do Estado e a união entre si, nestes termos: "o setor privado não pode abrir mão do Estado [...] É a combinação que faz o Brasil sair da situação que estava em 2003 para sermos cotados hoje para ser a quinta potência."

Nessa linha, as sábias e coerentes palavras da Dilma reportam o filósofo Fernando Braudel que escreve: “O Capitalismo só tem êxito quando começa a ser identificado com o Estado, quando é ele o próprio Estado”. Assim também, com Jean-Jacques Rousseau - “a sociedade de mercado consome a substância do Estado” -, sociedade essa como do modo capitalista de reprodução da riqueza social. Conforme pensa Marx, abre caminho à “emancipação social” do homem [...] “a necessidade de um mercado constantemente em expansão que impele a burguesia invadir todo o globo”.

Realidade efetiva e ativa da riqueza pós-moderna, o capitalismo, porém, desvela processo limitado e contraditório. Indispensável para a existência concreta da riqueza social no mundo de hoje, a mediação capitalista, contudo, corrói. Dilui-se. A ganância do lucro conduz fatalmente à crise. E cai numa contradição mais grave da história. Cria políticas e tecnologias responsáveis pelo genocídio da natureza e exclusão do homem do seu ecossistema natural e urbana.

Nesse fio, priorizar o Estado como programa de governo significa um mundo político e econômico possível. Um Brasil mais humano: projeto de emancipação humana a partir das condições materiais e espirituais do atual processo do Governo Lula.

Essa possibilidade de produção de um novo discurso pedagógico se concretizará quando o homem desfrutar do trabalho como desenvolvimento de “suas forças físicas e espirituais”, no controle do processo social em suas relações reais de existência.

Defendi essa realidade em minha tese de Doutorado em Filosofia Política na UNICAMP/SP. Esse novo Estado e essa nova economia é possível quando surgirem relações práticas com a produção de bens coletivos, sejam materiais, sejam espirituais, de relações sociais entre os homens e não relações entre mercadorias, entre coisas, e em benefícios de todos.

Só então “dentro da comunidade terá cada indivíduo os meios de cultivar seus dotes e possibilidades em todos os sentidos” (Marx). É a nossa cidadania a ser realizada e regida pelo trabalho.

Nesse outro fio, tracei algumas linhas sobre “Esse é o Cara – Dois projetos de emancipação humana”. Indico aqui, alguns tópicos para um novo diálogo filosófico com os comentaristas desta página, a seguir.

I. Existem no interior do mundo moderno, dois projetos. O projeto de emancipação política mediada pela democracia, mas intrinsecamente limitado e parcial. De outro, o projeto de emancipação humano-social, regido pelo trabalho, que abre horizontes ilimitados.

II. Dois projetos humanos que expressam uma nova postura dos dias de hoje, relação entre o homem e as realidades existenciais; do ser histórico produzido pela sociedade. De tempos modernos da atividade humana; da consciência de sua capacidade de conhecer, preservar e transformar a natureza e a sociedade. De o homem mudar suas condições de vida e situar-se de modo diferente nas relações sociais.

III. Dentro do processo econômico e político da história humana, o capitalismo viu abertas diante de si, as portas para um desenvolvimento extraordinário das forças produtivas e para a configuração de uma ordem social à sua imagem e semelhança. Contudo, isto significou - como foi muito bem expresso pelo lema positivista “ordem e progresso” -, que o desenvolvimento da humanidade, daí para diante, se faria tendo por base a propriedade privada e, portanto, a continuidade da exploração do homem pelo homem.

IV. Enquanto isso, o pleno desenvolvimento do mundo moderno seria, todavia, a superação do mundo regido pelo capital e sua substituição por um mundo regido pelo trabalho, ou seja, pela associação de homens livres que trabalham para viver e não vivem para trabalhar. E com isso, o homem se realizará.

V. Isso está ainda para acontecer. O chamado primeiro mundo – hoje o G-8 – é conservador, reacionário. Representa a decadência – lógica do projeto do capitalismo selvagem -, a ganância do lucro em detrimento da riqueza social. Nesse sistema, ainda não se constituiu uma forma de sociabilidade, onde o desenvolvimento das forças produtivas não atendeu as necessidades de todos, nem o trabalho chegou a ser um processo social para o uso comum dos bens.

VI. A emancipação humano-social será possível. Isso acontecerá com a destinação originária de todos os bens e produtos do trabalho humano para a felicidade de todos. Será o tempo em que os homens construirão uma forma de sociabilidade, capaz de superar o capital, a propriedade não-social e o Estado.

E o homem conquistará a sua Humanidade.

Presidente Lula em Recife - Ética do cuidado com a saúde

by Francisco on terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

por Francisco Antônio de Andrade Filho



 



O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva trabalhava em Recife. Além de inúmeros compromissos, inaugurava uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Paulista, a 20 quilômetros da capital pernambucana. Surpreendido por uma crise hipertensiva, foi internado no Hospital Português. Era quarta – feira, dia 27 de janeiro de 2010.

De olho na imprensa nacional e internacional, observei a conduta ética dos médicos, responsáveis pela saúde do Presidente da República. Lula passou por exame de eletrocardiograma, Raio X do tórax e exame de sangue. Firme, o médico Cleber Ferreira disse que a pressão arterial de Lula chegou a 18x12. A pressão arterial normal de Lula é de 11X8. Ele não é hipertenso. Essa crise hipertensiva é esporádica. Nunca teve uma alteração na pressão arterial. Pode ter sido provocada por um quadro de estresse e cansaço.

Segundo seus médicos, Lula já se sente bem com saúde. E anuncia volta ao trabalho, continuar sua agenda de viagem. E diz: “Eu sou carro-chefe. Tenho que trabalhar mesmo. Tenho que trabalhar mais. Obviamente que eu posso fazer isso com um pouco mais de cuidado...Eu tenho uma saúde muito boa, graças a Deus, mas a gente não pode brincar”. O Presidente Lula continua vivo e pronto para “não deixar a peteca cair” e preparar novos caminhos para sua sucessora.

Diante desse quadro, fiquei surpreso. O agir ético de sua equipe médica e do próprio presidente criou condições de ver o Brasil, como um espaço, onde sentimo-nos bem em casa. E mais, mantive a capacidade de maravilhar-me perante os valores da vida, de reverência à ética do cuidado com a saúde.

Esse, o momento de celebrarmos a saúde de nosso presidente. Nele e com ele, a soberania popular transformou o Brasil num templo precioso, onde ecoa um hino de louvor à ética da saúde.

E a vida do Lula é justiça e paz nesse país. Ele cria a cerimônia do amor divino, ao produzir riqueza social, cujos canais de confiança e responsabilidade com seu povo constituem a maior garantia de seu sucesso político na gestão da “res”(coisa) pública. É homem de caráter. Não trapaceia os cidadãos brasileiros. Assim, aqui, pelo árduo trabalho, descobriu a maneira de viver que conquista a felicidade humana. Isso é tudo. É vida. E vida é Deus.

De outro, nasce uma nova surpresa, interligada com o bem da saúde de Lula. Bela e verdadeira que, segundo Osho, “é uma das maiores bênçãos de Deus”, um grande diamante maravilhar-se da atuação médico-profissional em favor da saúde.

O agir ético do indivíduo em sua relação com o outro exprime a nossa situação fundamental como seres que habitam sua casa, sua vida. É a vida do bem em organizações humanas. A vida plenamente humana.

Aqui, sinto poder me surpreender bem mais forte, demonstrar que estou vivo e não um defunto que pisa numa pedra de ouro como se fosse numa camada de areia e barro vermelho. Vivo, vejo na conduta médica como uma expressão da ética do cuidado para com a saúde integral do homem. Jamais a letra fria, morta, mas seu espírito. Competência técnica, aliada à capacidade ética, capazes de descobrir a saúde do corpo como a maior riqueza da saúde do espírito do homem.

Nessa linha, reconheça nos médicos do Presidente Lula as maravilhas do Código de ética do Médico. Entre outras, são expressões ético-profissionais, de grande valia para a prática da ética do cuidado com a saúde integral do homem.

O Código de ética do Médico:

Art. 1° - A Medicina é uma profissão a serviço da saúde do ser humano e da coletividade e deve ser exercida sem discriminação de qualquer natureza.

Art. 2° - O alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional.

Art. 4° - Ao médico cabe zelar e trabalhar pelo perfeito desempenho ético da Medicina e pelo prestígio e bom conceito da profissão.

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Art. 13° - O médico deve denunciar às autoridades competentes quaisquer formas de poluição ou deterioração do meio ambiente, prejudiciais à saúde e à vida.

Art. 23 - Recusar-se a exercer sua profissão em instituição pública ou privada onde as condições de trabalho não sejam dignas ou possam prejudicar o paciente.

Art. 37 - Deixar de comparecer a plantão em horário preestabelecido ou abandoná-lo sem a presença de substituto, salvo por motivo de força maior.

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Meus aplausos para a equipe médica do Lula. Que o trabalho do Presidente seja uma garantia da vida e da saúde de todo povo brasileiro. Que a MÃE DO PAC seja vitoriosa na geração de maior riqueza social para o Brasil. Ela merece mais do que os 85% de aceitação entre seus eleitores no próximo outubro de 2010. Será a primeira mulher presidente de nosso País. Ela trabalha. Tem saúde. Sabe administrar. Tem caráter. Ela é a sábia mulher, revestida de qualidades humanas, de virtudes políticas.

Primeira Carta Aberta: Lula e Dilma em Minas Gerais

by Francisco on segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

por Francisco Antônio de Andrade Filho

foto por zappowbang

 



Caríssimos internautas,

Nesta primeira carta aberta, quero conversar com vocês, amigos leitores dos blogs Desabafo Brasil, Dilma Presidente e do site O Recado da Pesquisa, entre tantos outros espaços em defesa da verdade e dos direitos de cidadania no Brasil. Com Lula e Dilma, pretendo abrir meu coração e sentir o que acontece no cotidiano da vida política brasileira. Assim, em diálogo com os leitores e eleitores no ano 2010, desejo descobrir e discutir propostas dos candidatos que constroem confiança e responsabilidade como o maior bem desse governo com a construção da riqueza social em nosso país.

E aí, vocês escutaram Lula e Dilma no território mineiro? Perceberam o bem que eles plantaram em favor dos cidadãos em Minas Gerais? Pois, nesta conversa entre nós, confirmo que Lula se revela sábio. Sua maior garantia reside no poder pela Soberania Popular, e reconhecido no Mundo pela sua habilidade política.

Enquanto isso, a Ministra da Casa Civil, na construção de Minha Casa, Minha Vida; e por extensão, na edificação da Democracia do Meu Brasil, Minha Pátria, é competente, responsável e respeitada entre os homens e as mulheres. A Mãe do PAC se reveste de virtudes políticas. Ela é também sábia. Senti-me que naqueles instantes, Minas Gerais, se transformou um Estado de Ética Social. E mais ainda, uma expressão da sabedoria divina. Verdade, amigos. O Presidente e sua Ministra foram ovacionados pelo povo e reconhecidos como sábios nas palavras e nas ações.

Aconteceu nas cidades mineiras de Jenipapo e Juiz de Fora. Eram festas de inauguração, respectivamente, da barragem do rio Setúbal e da Usina Termelétrica. Vocês se lembram? Com sabedoria, Lula falou: “É importante que a gente inaugure o máximo de obra possível para que possa mostrar quem foram pessoas que ajudaram a fazer as coisas neste país.”

Parei um pouco e fiquei a refletir. E anotei minhas ponderações. Vejam se concordam. Naquela festa, “O Filho do Brasil” revelou-se sábio. Quase oito anos de governo, tempo de trabalho e política. Tempo precioso, plantou e quer colher o dia como que colhe os frutos de sua roça. O tempo foge. O tempo passa e não há forma de segurá-lo. Será que o “cara” leu Eclesiastes 1.9? Leiam o bilhete: “O que aconteceu acontecerá de novo, o que já foi feito será feito de novo, nada de novo há debaixo do sol”.

Que sabedoria nos ensina ainda o Presidente Lula? Sua fala no Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais, é a sabedoria da antiga escritura, nos termos do mesmo livro do Eclesiastes, 9.7: “Vai, portanto, come a tua comida e alegra-te com ela, bebe o teu vinho com um coração feliz. Veste-te sempre de branco e que não falte óleo perfumado nos seus cabelos. Goza a vida com quem amas todos os dias da tua vida. Pois Deus já aceitou o que fizeste”.

E Dilma também é sábia. Vocês ficaram atentas às suas palavras? Escutaram e/ou apenas ouviram? Ela foi toda energia junto aos ouvintes daquelas cidades mineiras. O Povo, livre na Democracia, ovacionava uníssono: “Dilma, Dilma”. E ela, firme, falou: “Nós do PAC temos um princípio: levar para onde haja Brasil e brasileiros investimentos para fazer esse país avançar e crescer sem olhar filiação partidária, se o prefeito ou o governador é a favor ou contra, se faz oposição ou não”.

Mais uma vez, meditei, caríssimos internautas. Festejar suas emocionantes e vibrantes palavras dessa mineira, Dilma, é vê-la inserida no Cântico dos Cânticos, 6.10. Vi e entendi o elogio divino a beleza da mulher com esses termos poéticos e verdadeiros: “Quem é essa que se eleva como a aurora, bela como a lua; resplandecente como o sol; temível, como batalhões”?

O que mais nos interessa em “Dilma, Dilma” – nessa voz da soberania popular -, é a beleza de seu espírito. Torna-se mais bela ainda, de corpo e alma, com a prática das virtudes em sua fala e no seu agir: autoconfiança, generosidade, conduta ética, tolerância, espírito alegre, concentração e sabedoria.

Caríssimos amigos. Vou terminar por aqui. Divulguem essa Carta Aberta em seus blogs e junto a todos aqueles que amam a sabedoria. A vida é isso aí, bem mais simples do que pensamos. Com abraços, sou feliz com vocês. Até o próximo encontro.

Sofia: você é a sabedoria divina

by Francisco on segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

por Francisco Antônio de Andrade Filho

Sofia: você é a sabedoria divina (foto de jsc*)

 



Na tarde, do dia 17 de agosto de 2009, no Hospital Santa Joana em Recife/PE, nasceu uma linda menina. Dois profissionais de saúde, competentes e amigos: a ginecologista, Vilma Guimarães; e o pediatra, José Nivaldo Vilarim. Hábeis em seu trabalho ético-profissional, ao lado dos genitores, Lucas (médico) e Geórgea (fisioterapeuta), cuidavam da vinda de uma criança. Parentes e amigos, entusiasmados e diante de um Telão, aguardavam a presença de um novo broto da Natureza. Viam-se no semblante de seus pais, sinais de alegria. E num instante divino, anunciaram: “Ela se chama Sofia”.

É domingo, manhã do dia 17 de janeiro de 2010. Recebo uma mensagem no celular com foto da Sofia que, na escrita de sua mãe, dizia: “Bom dia, vovô e vovó. Hoje, vou ter bolinho”. Era a celebração do seu quinto mensário. Dias anteriores, seu pai lhe filmava num vídeo. Escutou os gritinhos de felicidade desta linda e alegre menina. E exclamou: “Eh! minha Filha”.

Recordo-me ainda que sua vovó Tânia, com sinceridade e na verdade, afirmou: “Sofia é um Pingo de Deus”. E num tempo oportuno, referindo-se à obra de Jostein Gaarder, disse: “Lucas está vivendo no Mundo de Sofia”. E seu tio Mateus, vendo uma das suas primeiras fotos, observou: “Ela tem um olhar curioso!”. Num outro momento, falou: “Ela tem o espírito livre”. Entrementes, vejo Tiago, também seu tio, muito feliz com você nos braços. Ambos, com a aquela alegria e no silêncio, revelam sabedoria. Tornam-se sábios. Amigos da sabedoria. Pois é, do grego: filos+Sofia = amigo da sabedoria.

E indago: como ficar sábio nos dias de hoje? Será que esse tio se revela sábio, apenas sob a beleza divina e inocente dos olhos de sua sobrinha que se descobre sábia? O importante, Sofia, é que você seja única e especial na sua pureza, beleza e perfeição. E saiba que está tudo certo com você. E que você é ótima como é.

Do mesmo modo, a vovó Ivonete, com sinceras emoções, enfatiza: “Sofia está uma menina cada vez mais bonita. Irei aproveitar minhas férias brincando com nossa princesa.” Seu tio Eric e sua namorada Renata, deram-lhe um telefone de brinquedo. Mais do que palavras jogadas ao vento, essa ação se constitui bem mais forte, com um gesto de carinho e atenção. Sofia, seu outro tio Erivelt, na simplicidade vibrante de um telefonema a seus pais, disse: “Sua menina é muito bonita, visse? Ela tem um jeitinho de dormir fazendo pose”.

Desse modo, todos, Ivonete e seus filhos, demonstram cuidados com você, Sofia. Eles querem vê-la livre, aquela moça bonita que ri e brinca. Sedutora da liberdade de consciência, a “princesa” se sente emancipada, longe das algemas dos homens que têm medo da liberdade. Que fabricam gaiolas para passarinhos. Que constroem prisões de máxima segurança para homens e mulheres. Escravos de si mesmos.

E Sofia, iluminada, integrada e vivida na sabedoria divina, abre o livro Transparências da Eternidade, de Rubem Alves. E medita: “Deus é alegria. Uma criança é alegria. Deus e uma criança têm isso em comum: ambos sabem que o universo é uma caixa de brinquedos. Deus vê o mundo com olhos de criança. Está sempre à procura de companheiros para brincar.”

Nesse sentido, Nathanael Lima, homem de fé e assíduo leitor da Bíblia, elogia Sofia, com essa mensagem do Rei Davi: " Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias; cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda."

E, contente, resolvi conversar com você, Sofia. Quero registrar nesta página os sentimentos de amor, confiança, benignidade, lealdade e compaixão. Espero não aprisioná-la em gaiolas de palavras. Você é você. Livre para voar como pássaros nas verdes florestas de seu mundo e de sua vida.

Que minha escrita transforme-se em sabedoria divina. Agora, sinto-me bem com sua vida e sua vinda. Vejo-me sábio, algo que nos transcende. Juntos, você e eu somos livres como na afirmação de Blake: “Ver um mundo em grão de areia e um céu numa flor silvestre, segurar o infinito na palma da mão e a eternidade em uma hora”.

Assim, Sofia, você é a sabedoria divina. Beleza inefável e pura naquele seu olhar inocente, atento e risonho frente às portas da casa. Quando se diverte com seus brinquedos e se relaciona com os seus, você é sábia sem palavras. Simplesmente, você é vida na alegria de seus lábios. Expressão da menina do “reino dos céus”(Mt. 19.13), no movimento de seu corpo e de sua alma. E Deus é vida, paz das crianças.

Acabo de chegar da Praia de Atalaia, Aracaju/SE, onde atualmente resido. Quem sabe, nas praias, a sábia Sofia, sentindo-se Natureza, trabalhe pela sua preservação. Sua voz ecoa pelo universo inteiro, com a pergunta: O Sol e a Terra são fontes de vida?

Você, Sofia – a sabedoria divina -, dirá: é isso aí! Tomo também banho de praia. A luz emanada do Sol é simplesmente vida, nos dá energia e força para viver. O Sol ilumina nossa vida emanada de Deus. Ela pode afastar nossos medos, limpando nosso ser de toda a negatividade que causa dificuldade. A Luz nos oferece uma carga nova capaz de renovar desde a menor célula até nosso corpo inteiro.

Sofia continua com a palavra: sinto na pele que “água é vida”. A Natureza sopra ar para meus pulmões, oxigena meu cérebro, massageia minha coluna e navega por todo meu corpo-mente. Inspiro e expiro. E o sopro divino, diurnamente, entra e sai do meu corpo É a sabedoria divina do oxigênio na Terra. Respiro. Vivo. E Deus é vida.

Realmente, entre os elementos da Natureza, se destacam o Sol (Fogo) e a Terra, fontes de vida. Segundo o filósofo Jean-Jacques Rousseau, “A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável”. E Luiz Antônio Gasparetto nos adverte “É bom reconhecer a obra da Natureza em nós”.

Aqui, Sol (Fogo) é “considerado um presente dos deuses, muitos acreditam que o fogo é sagrado. Sua principal utilidade é a limpeza espiritual e de ambientes, uma vez que ele é um purificador e transformador poderoso”. Enquanto isso, a “terra” nos dá alimentos e remédios, por isso é conhecida como a “Grande Mãe” de toda a vida. Esse elemento é regenerador e traz segurança, estabilidade e força para quem o tem por perto. Por isso, com Sofia, apelo: respeite a Natureza ou Deus. Você não vive sem ela. Você se considere morto sem essa coisa divina. Lembre-se: Sol e Terra são fontes de vida.

Um convite, Sofia. Que tal, parar um pouco com nossa conversa? Se quiser, posso agendar outro encontro e, juntos, descobrirmos novos caminhos de vida no “Jardim da Sofia”, idealizado e preparado por sua vovó Tânia. Porém, hoje, é você, Sofia: a jardineira que planta o jardim, na linguagem de Rubem Alves, em sua obra As Cores do Crepúsculo - a estética do envelhecer: “Quem não sabe pensa que jardineiro só sonha com terra, água e plantas. Mas os jardineiros têm também sonhos e amor. Jardins sem amor são belos e tristes. Mas quando o amor floresce, o jardim fica perfumado e alegre.”

Tópicos de Lógica nos clássicos da Filosofia

by Francisco on sábado, 10 de outubro de 2009

por Francisco Antônio de Andrade Filho



Vimos ser a Lógica o estudo da razão do ponto de vista de seu uso no conhecimento ou como meio de chegar à verdade. Discutimos o problema central da Lógica Menor ou Formal e o da Lógica Maior ou Material. Indagamos: quais são as regras que precisamos para raciocinar corretamente? Em que condições o raciocínio é não somente correto mas também verdadeiro e demonstrativo, e faz adquirir a ciência?


Trata-se de discutir os métodos das ciências. Enquanto tentativa de explicar a realidade, a ciência caracteriza por ser uma atividade metódica. De lógica. Atividade da fala que, ao se propor conhecer a realidade, busca atingir essa meta por meio de ações passíveis de serem reproduzidas. Linguagem essa que constitui um conjunto de concepções sobre o homem, a natureza e o próprio conhecimento, que sustentam um conjunto de regras de ação, de procedimentos, prescritos para se construir conhecimento científico.


Referir-se-á lógica filosófica é suscitar o debate sobre o enfoque dado pela dialética como um caminho de investigação trilhado pelos clássicos da filosofia. É através da dialética - dessa arte de no diálogo -, que os filósofos demonstram uma tese por meio de uma argumentação capaz de definir e distinguir claramente os conceitos envolvidos na discussão. Indicam o modo de compreendermos a realidade como essencialmente contraditória.


Assim, para o filósofo Tales (625-548 a.C.), a origem da vida estava na água; para Anaxímenes (585-528 a.C.), estava no ar. Segundo Heráclito (540-470 a.C.), o ser está no "vir-a-ser" ou no devir. O ser está a cada momento se modificando. Para Pitágoras (580-497 a.C.), "o número é o fundamento de todas as coisas (...) E, de fato, tudo o que se conhece tem número. Pois é impossível pensar ou conhecer algumas coisas sem aquele", afirmava ele.


Platão (426-348 a.C.) filosofava: "Pensamento e discurso são, pois, a mesma coisa, salvo que é ao diálogo interior da alma consigo mesma que chamamos pensamento". E Aristóteles (348-322 a.C.) dizia: "É, pois, manifesto que a ciência a adquirir é a das causas primeiras, pois dizemos que conhecemos cada coisa somente quando julgamos conhecer a sua primeira causa".


RENÉ DESCARTES (1596-1650)
"Entendo por método regras certas e fáceis, que permitem a quem exatamente as observar nunca tomar por verdadeiro algo de falso e, sem desperdiçar inutilmente nenhum esforço da mente, mas aumentando sempre gradualmente o saber, atingir o conhecimento verdadeiro de tudo o que será capaz de saber". (Regras Para a Direção do Espírito)



BARUCH DE ESPINOSA (1632-1677)
"Mas como os homens no começo, com instrumentos inatos, puderam fabricar algumas coisas muito fáceis, ainda que laboriosas e imperfeitamente, feito que, fabricaram outras coisas mais difíceis, com menos trabalho e mais perfeição, passando gradativamente das obras e instrumentos, para chegar a fazer tantas coisas e tão difíceis com pouco trabalho, também o intelecto, por sua forma nativa, faz para si instrumentos intelectuais e por meio deles adquirir outras forças para outras obras intelectuais, graças às quais fabrica outros instrumentos ou poder de continuar investigando, e assim prosseguindo gradativamente até atingir o cume da sabedoria". (Tratado da Correção do Intelecto)



JEAN-JACQUES ROUSSEAU (1712-1778)
Tópicos do Discurso Sobre as Ciências e as Artes (1750)
"Na política, como na moral, é um grande mal não se fazer de algum modo o bem e todo cidadão inútil pode ser considerado pernicioso (...) Os antigos políticos falavam constantemente de costumes e virtudes, os nossos só falam de comércio, de dinheiro e de poder (...) Avaliam os homens como gado. Segundo eles, um homem só vale para o Estado pelo seu consumo"


"... Reconhecei, pois, a pouca importância de vossas produções e, se o trabalho dos mas esclarecidos de nossos sábios e de nossos melhores cidadãos nos proporciona tão parca utilidade, dizei-nos o que devemos pensar dessa chusma de escritores obscuros e de letrados ociosos que, em pura perda, devoram a substância do Estado."


" Se a cultura das Ciências é prejudicial às qualidades guerreiras, ainda o é mais às qualidades morais. Já desde os primeiros anos, uma educação insensata orna nosso espírito e corrompe nosso julgamento. Vejo em todos os lugares estabelecimentos imensos onde a alto preço se educa a juventude para aprender todas as coisas, exceto seus deveres. Vossos filhos ignoram a própria língua, mas falarão outras que em lugar algum se usam; saberão compor versos que dificilmente compreenderão; sem saber distinguir o erro da verdade, possuirão a arte de torná-los ambos irreconhecíveis aos outros, graças a argumentos especiosos; mas não saberão o que são as palavras magnanimidade, eqüidade, temperança, humanidade e coragem; nunca lhes atingirá o ouvido a doce palavra Pátria e, se ouvem falar de Deus, será menos para reverenciá-lo do que para temê-lo. Preferiria, dizia um sábio, que meu aluno tivesse passado o tempo jogando péla, pois pelo menos o corpo estaria mais bem mais disposto. Sei que é preciso ocupar as crianças e que a ociosidade constitui para elas o maior dos perigos a evitar. Que deverão, pois, aprender? Eis uma questão interessante. Que aprendam o que devem fazer sendo homens e não o que devem esquecer ."


"Que é a filosofia? Qual o conteúdo das obras dos filósofos mais conhecidos? Quais são as lições desses amigos da sabedoria? Ouvindo-os, não os tomaríamos por uma turba de charlatães gritando, cada um para seu lado, numa praça pública: 'Vinde a mim, só eu não engano!' Um pretende não haver corpos e que tudo existe como representação; o outro, não haver outra substância se não a matéria, nem outro deus senão o mundo. Este avança não haver nem virtudes, nem vícios, e serem quimeras o bem e o mal morais; aquele, que os homens são lobos e podem, com a consciência tranqüila, se devorarem uns aos outros. Oh! Grandes filósofos, por que não reservais para vossos amigos e filhos essas lições proveitosas? Teríeis logo a recompensa e não temeríamos encontrar entre os nossos amigos alguns de vossos sectários."



MONTESQUIEU (1689-1755)
"Coloquei princípios e vi os casos particulares submeterem-se a eles como por si mesmos, as histórias de todas as nações serem apenas seqüências e cada lei particular a outra lei, ou depender de outra mais geral (...) Não extraí meus princípios de meus preconceitos mas da natureza das coisas" (Espírito das Leis)



IMMANUEL KANT (1724-1804)
"Sou, por meu gosto, um pesquisador. Experimento toda a sede de conhecer e a ávida inquietude de progredir, do mesmo modo que a satisfação que toda aquisição proporciona. Houve um tempo em que acreditava que só isso poderia fazer a honra da humanidade e desprezava a plebe que tudo ignora. Foi Rousseau que me tirou da ilusão. Esse privilégio ilusório se desvanece, aprendo a honrar os homens e ter-me-ia por mais inútil que o comum dos trabalhadores se não estivesse convencido de que a especulação à qual me entrego pode conferir um valor a tudo mais: fazer ressaltar os direitos da humanidade." (Observações sobre o Sentimento do Belo e do Sublime)


"O Iluminismo é a saída do homem da sua menoridade de que ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de se servir do entendimento sem a orientação de outrem. Tal menoridade é por culpa própria se a sua causa não reside na falta de entendimento, mas na falta de decisão e de coragem de se servir de si mesmo sem a orientação de outrem. Sapere aude! Tenha a coragem de te servires do teu próprio entendimento! Eis a palavra de ordem do Iluminismo". (Resposta à Pergunta: Que é Iluminismo?)



HEGEL (1770-1831)
"Este livro apresenta o devir da ciência em geral ou do saber. O saber como é inicialmente, ou o espírito imediato, é o que é desprovido de atividade espiritual, a consciência sensível. Para chegar ao saber propriamente dito ou para gerar o elemento da ciência, que é para a ciência o seu puro conceito, esse saber deve percorrer penosamente um longo caminho. - Esse devir, tal como se apresentará em seu conteúdo, com as figuras que se mostrarão nele, não será o que se imagina primeiramente sobre o título de introdução da consciência não científica na ciência, também será algo diferente do estabelecimento dos fundamentos da ciência; - e algo bem diferente desse entusiasmo que, como um tiro de revólver, começa imediatamente com o saber absoluto e se desembaraça das posições diferentes, declarando que nada tem a ver com elas". (A Fenomenologia do Espírito; o prefácio)



* texto publicado neste site originalmente em 2002.

Eutanásia: a vida produz a morte

by Francisco on sábado, 3 de outubro de 2009

por Francisco Antônio de Andrade Filho

Eutanásia, Vida e Morte. Três expressões interligadas. Relacionando-se. É que forças opostas, unidade e luta dos contrários, constituem movimentos comuns e inerentes a todas as coisas materiais e espirituais. Em contínua transformação. Inacabadas, no mundo da finitude. Fazem sentido, uma vivendo em função da outra. Eutanásia: a vida produz a morte.

Lembram-nos Fátima Oliveira (1997), Hubert Lepargneur (1999), entre outros, definem etimologicamente, a eutanásia (eu = bom; thanatos = morte) significando "boa morte, morte suave e sem sofrimento", morte harmoniosa e morte sem angústia. Fácil. Feliz. Domínio sobre sua própria vida ou sobre a vida de outrem. Libertação livre do viver e do morrer. "Homicídio por piedade", ação de aliviar o sofrimento de doentes terminais.

O tema da eutanásia se tornou, hoje, um dos mais agudos e debatidos no campo da ética médica e da Bioética, à luz da Filosofia e áreas afins. O enorme progresso das técnociências, nos últimos anos, abriu horizontes de esperança e bem-estar, de vida e morte, pela capacidade da medicina de prolongar indefinidamente uma vida por meios artificiais, motivos sociais, humanos e econômicos. Vejamos alguns destaques dos bioeticistas nesse campo, do jogo da vida e da morte na fronteira da eutanásia.

Para Márcio Palis Horta (1999), "morrer é parte integral da vida e da existência humana (...), tão natural e imprevisível como nascer. Sua tradicional definição do instante do cessamento dos batimentos cardíacas tornou-se obsoleta. Hoje, ela é vista como um processo, como um fenômeno progressivo e não mais um momento, ou evento. Morrem primeiro os tecidos mais dependentes do oxigênio em falta, sendo o tecido nervoso o mais sensível de todos. Três minutos de ausência de oxigenação são suficientes para a falência encefálica que levaria à morte encefálica ou, no mínimo, ao estado permanente de coma, em vida vegetativa."

Logo a seguir, com Leocir Pessini, insinua algumas respostas com questões éticas. A vida humana deve ser sempre preservada, independentemente de sua qualidade? Devem-se empregar todos os recursos tecnológicos para prolongar um pouco mais a vida de um paciente terminal? Devem-se utilizar processos terapêuticos cujos efeitos são mais nocivos que o mal a curar? Quando sedar a dor significa abreviar a vida, é lícito fazê-lo?

São perguntas incisivas com prováveis respostas abertas à discussão. A busca de respostas a essas questões éticas constitui um desafio aos pesquisadores com argumentos a favor e contra a eutanásia. Vamos dialogar.

A moral hipocrática objeta contra a prática da eutanásia. A Deontologia médica inspirada no filósofo Hipócrates é falaciosa. É uma camuflagem. Proibir os profissionais de saúde a jamais ministrar medicamentos letais, mesmo a pedido do paciente, é uma teoria ideal desse filósofo ou uma prática contraditória, vivenciada nos hospitais? Thomas More, em sua obra Utopia (1516), defende-a "se a doença é incurável e faz-se acompanhar de dores agudas e contínuas angústias". E o iluminista Montaigne (1987) disse que o principal problema da Filosofia é a morte. E pensou: "Quem não souber morrer que não se preocupe. A natureza o instruirá plenamente num instante e o fará com exatidão".

Estas atitudes filosóficas frente à prática ou não da eutanásia fazem pensar a relação médico-paciente. Confiança nele ou desconfiança na injeção que o cura ou o mata? É verdade que o paciente se coloca nas mãos do médico. Mas, o que fazer quando o próprio médico informa: "Não há mais nada a fazer", ou quando "a própria medicina cria situações desumanas e depois se recusa a assumir responsabilidades por ela", e ainda no fato de que "as novas condições do morrer obrigam os médicos a se ocuparem também da morte do ser humano"?

Penso que, estas discussões e seus argumentos "contra" e "a favor" sobre eutanásia tendem a camuflar outras dimensões da vida e da morte. Escondem outras formas de violência contra o ser humano. A eutanásia, a cacotanásia ("má morte"), a distanásia ("morte dolorosa"), narcotanásia ("morte narcotizada"), mistanásia ("morte infeliz"), ortonásia ("direito de morrer com dignidade") e outras palavras correlatas são, na prática, verdadeiras "penas de morte", sem julgamento e sem lei. São sentidos ideológicos da vida e da morte, acobertando outras violências cotidianas. Violências que matam: a fome, seqüestros, corrupções econômicas e políticas. A eutanásia é também exclusão da cidadania, sua ausência. Exploração e embrutecimento do homem. Sua alienação. Em outros termos, o próprio homem inventa a linguagem da eutanásia e outras experiências culturais, de vida e de morte. Onde estaria a autonomia do paciente nessa sua " libertação da morte"? Nos seus familiares? Nos profissionais da saúde?

Segundo esse raciocínio, vida e morte, além do seu aspecto natural, são cultivadas (Boff, 1999). São experiências culturais. Mortos e vivos estão sempre juntos e contradizendo-se. A vida contra a morte. A morte contra a vida. Opondo-se. Invisíveis. A vida é tudo. Morte é ruína. Vida e morte transformam-se em mercadorias. Vida e morte nas igrejas. Vida e morte nos hospitais. Vida e morte nos assaltos. Vida e morte nas empresas. Vida e morte dos sem-terra-teto. Utopia do reino de Deus. Vida no além-morte.

Somos programados para viver e morrer. Projeto genético. Criamos a linguagem de outro projeto. Cultivamos outras vidas e outras mortes: projeto institucionalizado.

E mercantilizamos a vida e a morte.




Bibliografia

1. BOFF, Leonardo. Morte e ressurreição na nova antropologia, in Leonardo Boff, Ética da Vida. Brasília: Letra Viva, 1999: 219-237.
2. HORTA, Márcio Palis. Eutanásia – problemas éticos da morte e do morrer, in Bioética (rev.), V.7 num.01-1999. Conselho federal de Medicina, 1999: 27-33
3. LEPARGNEUR, Hubert . Bioética da eutanásia – argumentos éticos em torno da eutanásia, in Bioética (rev.), V.7 num.01-1999. Conselho federal de Medicina, 1999: 41-48.
4. MONTAIGNE, Michel de.(1553-1592): Ensaios. São Paulo: Nova Cultural, 1987.
5. OLIVEIRA, Fátima. Bioética – uma face da cidadania. São Paulo: Moderna, 1997.
6. SANVITO, Wilson Luiz. Eutanásia – os limites da assistência, in Valdemar Augusto Angerami – Camon (org.). A Ética na Saúde, São Paulo: Pioneira, 1997: 61-7

* texto publicado neste site originalmente em 2000.