Adeus, Vida: espiritualidade da sobrevivência pós-morte em memória do deputado Adão Pretto (PT-RS)
by Francisco on sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Francisco Antônio de Andrade Filho
Nesta quinta-feira, no início da manhã, aos cinco de fevereiro de dois mil e nove, morre o deputado federal Adão Pretto – PT/RS. De todos os recantos do Brasil, instituições políticas, religiosas e movimentos sociais prestaram-lhe justas e sinceras homenagens. Reconheceram essa autoridade política, revestida de virtudes morais e cívicas a serviço do povo brasileiro. Lealdade aos seus princípios de vida; firme no combate às injustiças cometidas contra os trabalhadores rurais; a garra e a dedicação, eis as virtudes políticas, entre outras, de Adão Pretto.
Nesse sentido, o Movimento Nacional de Direitos Humanos, em sua nota de pesar pela morte do deputado falecido, escreve:
Sua voz firme, às vezes solitária no parlamento brasileiro, pelos sem terra, pelos pobres, pelos movimentos populares, era para todos quanto atuam na defesa dos direitos humanos deste país uma certeza de que ali não estava somente um companheiro de luta.
Ao este político de qualidade, dedico este momento de meditação sobre a espiritualidade da sobrevivência pós-morte.
Compreender a vida do ser humano é compreender seu sentido. Perguntar pelo sentido último da vida é colocar o homem numa atitude de reflexão de sua grandeza. É filosofar a vida e a morte. É encontrar e simbolizar suas condições existenciais de vida, aqui e depois da morte. É fazer viver sua vida, ir em frente, agir, modificar, transformar, buscar objetivos concretos e espirituais do ser humano.
Nos dias de finado, os vivos povoam a Cidade dos Falecidos, onde os vivos se encontram com os defuntos. Almas vivas se abraçam com as imortais. Muitos chorando, não pelos defuntos, mas por si mesmos, os vivos. Derramam lágrimas não em cima dos defuntos, mas nas suas próprias faces.
E à luz da Filosofia, indagamos: por que reverenciamos os mortos? O filósofo, Dr. José Luiz Ames, comenta assim, no meu site:
É precisamente aqui que entra a experiência da morte: na experiência do limite. Na morte nos deparamos com uma situação que nos atinge visceralmente, que toca a totalidade de nosso ser. Diante da morte, a vida se torna pergunta. Enquanto para a satisfação do desejo dependemos de nós próprios, a morte nos aponta para uma situação diante da qual somos impotentes. A morte atesta a impossibilidade do controle humano sobre a vida.
A sobrevivência depois da morte é um problema tão antigo quanto a própria história do homem. Foi uma preocupação constante do homem de todos os tempos.
Os mitólogos explicaram-na numa linguagem fantasiosa e que foge ao espírito científico do homem atual. Os teólogos, numa dimensão de fé, encontraram na Bíblia os mais sagrados e seguros argumentos a favor da imortalidade.
Seja como for, a verdade é que o ser vivo nasce para a vida despontando para a morte. Morte e vida de jovens e velhos representam duas faces da mesma realidade do ser-no-mundo. Só o homem tem consciência de ser-para-a-morte, desse inevitável destino do túmulo que lhe aguarda: sufocante, solitário, silencioso, escuro e úmido. Isso é uma tragédia para o homem que tem dentro de si mesmo uma ânsia incontida de se perpetuar no tempo, uma sede irresistível de não morrer. Enquanto isso, um convite à reflexão: sentir as palavras de William Blake:
Ver a eternidade num Grão de Areia
E o Céu numa Flor Agreste.
Segurar o Infinito na palma de sua mão
E a Eternidade em uma hora.
Mas, morte tem sentido para a vida. Não há vida sem morte; nem morte sem vida. E a eternidade existe. O infinito no finito-tempo. A vida continua depois da morte. Aqueles que sabem viver bem, se tornam imortais. Moisés, Lao-Tsé, Sócrates, Jesus, Tomás de Aquino, Giordano Bruno, Gandhi, Martin Luther King, Vladimir Herzog, Chico Mendes, Adão Pretto, dentre outros, brancos, amarelos, pretos, pardos, mulatos, índios. Todos vivem. Todos morrem e vivem.
Pierre Fournier, violoncelista francês, disse certa vez sobre Bach:
Admirável síntese do divino e da harmonia que reina no coral “Eu te pertenço, senhor”-da Missa em si bemol menor- hino que sobe da humanidade até Deus, cria uma espiritualidade que apazigua toda dor, apaga toda amargura, e torna mais suave a nossa passagem pela Terra, dando-nos a fé em Deus e a crença em nossa felicidade eterna
A morte é um acontecimento necessário para dar ao EU pessoal possibilidade de um pleno desabrochar. A semente que, para poder germinar a sua vida e suas potencialidades.
Leia Mais: Andrade Filho "Ética e Espiritualidade no Final da Vida".
Forum de Belém: O Grito de Emancipação Humana da Dilma Rousseff Presidente na “Vox Populi, Vox Dei”
by Francisco on terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Francisco Antônio de Andrade Filho
Aconteceu aos trinta de janeiro de 2009, durante o Fórum Social Mundial em Belém do Pará/Brasil. Ouviu-se um grito de liberdade e uma voz forte dos presentes. Era o grito de emancipação humana da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Enquanto isso, uma multidão de militantes e participantes do Fórum gritavam “Olê, Olê, Olê Olá, Dilmaaaa”. Confirmava a esperança de uma mulher-presidente escolhida pela soberania popular na “Vox Populi, Vox Dei”.
Então, Dilma Roussef pegou o microfone, com voz feminina, recheada de beleza e virtudes, dialoga assim:
Queria dizer a todos vocês, a todas as mulheres, a todas as companheiras, que eu me sinto muito feliz de estar aqui, na tenda dos 50 anos da revolução cubana, que foi um acontecimento que teve um papel histórico na minha geração. Queria saudar minha companheira Ana Júlia. Não é fácil superar preconceitos. Por isso, você, Ana Júlia, você está abrindo o caminho para várias mulheres.
E enfatiza o bom combate de sua experiência de vida em prol da Democracia massacrada pela Ditadura Militar:
Minha militância coincide com o golpe de 64, quando começava uma trajetória, no Brasil, de intolerância, tortura, morte. Este é um processo muito importante, na história do país, porque os militantes que dele participaram saíram não apenas com todas as marcas, algumas físicas: saíram com a certeza da necessidade da construção de uma democracia e da participação [...] Todos aqueles que saíram da luta subterrânea, da clandestinidade, construíram esse momento luminoso da redemocratização. Mudaram, fizeram autocrítica, mas não mudaram de lado.
A esta mulher, dedico um momento de reflexão, de raiz filosófica, sobre a teologia latino-americana de libertação em diálogo com a dos conquistadores, de minha autoria e publicado aqui.
Era a década de 1960. A América Latina tomava consciência de sua dependência econômica, política e religiosa. Desencadeava-se um processo de libertação nos diversos segmentos da sociedade. A Igreja, à luz de suas convicções religiosas, marcada pelos avanços científicos deste tempo, pesquisava uma nova práxis da fé cristã que fosse fator de transformação e libertação. Exigia-se uma nova prática da mensagem do bem em contraposição a do mal. Surgia um novo tipo de inteligência da fé, uma reflexão sobre os compromissos assumidos pelos cristãos em situação de conflitos sociais. Era a teologia latino-americana que nascia vinculada à história da tirania e da opressão praticada em nome democracia neste continente.
De outro, os conquistadores medievais e modernos defendiam o conceito tradicional de teologia como ciência que elabora racionalmente verdades da fé. Procuravam compreendê-las sistematicamente e tirar delas novas conclusões. Camuflavam as realidades da vida. Impunham sua única “sabedoria” racional. Criavam o mesmo deus de uma maneira acadêmica, dentro de uma sala de estudo, de um escritório, de um Palácio Episcopal ou de um Pontífice de Roma, fora de todo compromisso histórico e cientificamente observado. E, nessa postura, permanecem até hoje e sempre restauram quando novos interesses ideológicos sejam necessários para eles.
Em diálogo com essa teologia dos conquistadores de Roma e de alhures, a teologia latino-americana de libertação tem um olhar diferente para este mundo diferente. Nessa época até os nossos dias, ela é reflexão das situações históricas reais. É “ato segundo”. Nasce da prática. A teoria vem depois. O ato primeiro é o agir ético e responsável com os seres humanos, com sua vida, com seus sofrimentos, seu bem-estar econômico e político. A teologia vem depois e é uma reflexão que supõe o ato primeiro de compromisso libertador do homem que é história, broto da natureza e de sua cultura inteligente. Não é discurso vazio, inacreditável, mistificador. Não “des-realiza” as contradições reais da vida. Não aliena o homem com frases fantasmáticas e grandiloquentes do mundo existente.
Assim, a proposta da referida teologia é a de ser um discurso situado na história em que vivemos. As injustiças, a miséria, a falta de respeito para com a riqueza social e as liberdades da coletividade, praticadas pela oligarquia política e religiosa levam a América Latina tomar consciência de seus direitos e deveres. Trata-se de um estudo crítico sobre a reflexão teológica, a partir da práxis da fé cristã. Não é uma coisa inventada pelos teólogos da libertação. Não é um tema metafísico. É uma prática política, de cidadania, cuja alavanca propulsora é sua religião, seja católica, protestante ou não.
Em oposição, a teologia dos conquistadores, antigos e também os da era digital, dá uma explicação espiritual e ideal aos problemas materiais e reais, volatizando sua densidade material, de modo a transformá-las em entidades espirituais “fora da realidade”. Por isso, essa teologia – a dos poderes celestiais -, opera como abstração do mundo e da história, separação frente à realidade, em suma, como fantasmagoria, expressão transcendente, abstrata, da situação existente e dos homens reais.
Em tal contexto, o discurso teológico latino-americano de libertação surge assim como uma teologia de emancipação humana nas condições concretas, históricas e políticas de hoje na América Latina. É uma teologia cuja missão é identificar-se com os homens massacrados e excluídos de todos os benefícios de suas nações. Segundo seus estudiosos e pesquisadores, é a libertação de Cristo se realizando em fatos históricos e políticos libertadores.
Para ler e pensar mais:
ANDRADE FILHO, Francisco Antônio de. Igreja e Ideologias na América Latina, segundo Puebla. São Paulo: Paulinas, 3ª ed, 1982.
BOFF, Leonardo. Teologia do Cativeiro e da Libertação, Petrópolis: Vozes, 2ª ed., 1985.
GUTIÉRREZ, Gustavo. Teologia da libertação. Petrópolis: Vozes, trad. Jorge Soares, 3ª ed., 1976.
Dilma Rousseff: A Beleza da Mulher Presidente do Brasil 2010
by Francisco on terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Francisco Antônio de Andrade Filho
A mulher sábia constrói sua casa, a tola a destrói com as próprias mãos (Prov.14,1).
Que tempos são esses, quando falar da beleza da mulher é destruir seu corpo e sua alma? Vida e morte, uma em contraposição a outra. Vida é morte dos demotucanos. Para eles, a beleza do corpo é feiúra da alma. Pois implica apenas interesses ideológicos da “mídia” golpista em defesa perversa de seu PIG. É a tortura e diluição da liberdade dos brasileiros.
Não é essa a postura divina, revelada na Bíblia, nos recados benéficos da blogosfera, dos simpatizantes e mensageiros da Dilma Rousseff, entre tantos outros internautas, amigos e amigas da primeira mulher presidente do Brasil em 2010
De outro, meditar a beleza da Dilma 13 Presidente do Brasil 2010 é revelar a ética das virtudes desta mulher. Beleza é vida do corpo integrada com seu estado de espírito em paz; alma cheia de ternura e livre da tortura dos carrascos e inimigos da Democracia durante a Ditadura Militar no Brasil. Mulher íntegra e determinada, Dilma é uma guerrilheira corajosa em defesa da emancipação humana. A ela, devemos a nossa liberdade na Democracia nos tempos de hoje.
Dilma Rousseff, a exemplo do Lula, o ”Sem medo de ser feliz – a esperança vence o medo” -, desperta nos cidadãos, coragem, confiança, respeito e responsabilidade junto ao eleitorado da soberania popular. Os dois, apoiados por essa autoridade política, com a ética das virtudes, garantem a beleza de se viver bem em nossa Pátria.
O que mais nos interessa na Dilma Rousseff é a beleza de seu espírito. Se ela, depois da cirurgia plástica, continua bonita, é porque essa beleza já existe dentro dela. Da sua alma, flui uma nova roupagem do belo num corpo saudável. A “Mãe do PAC” é mais bela ainda, de corpo e alma, com a prática das seguintes virtudes: autoconfiança, generosidade, conduta ética, tolerância, espírito alegre, concentração e sabedoria.
Que beleza da mulher é essa? É possível encontrar na Bíblia, fontes reveladas por Deus para se entender e aplicar à beleza da primeira mulher em suas virtudes e em seus deslizes.
Estudiosos afirmam que os Provérbios e o Cântico dos Cânticos – escrituras sagradas dos tempos de Salomão (970-931) antes da era cristã –, revelam virtudes e deslizes da mulher.
Para uma sã meditação e sem preconceito, com forte reflexão, eis alguns tópicos daquela literatura salomônica:
A mulher sábia constrói sua casa, a tola a destrói com as próprias mãos (Prov.14,1).
Uma mulher virtuosa é o diadema de seu marido e a mulher impudica é a cárie nos ossos (Prov.14,12).
Anel de ouro em focinho de porco, tal a mulher bela, desprovida de senso (Prov.11,22).
E no Cântico dos Cânticos, 6.10, li, vendo; meditei com olhos fechados e descobrir o elogio divino à beleza da mulher com estes termos:
Quem é essa que se eleva como a aurora,
Bela como a lua, resplandecente como o sol,
Temível como batalhões?
Por alguns desses instantes de meditação, senti a alegria integral. Corpo e alma, nadando nas águas da sabedoria antiga daqueles ditos de Salomão.
E pensei também em autoridades políticas, com traços virtuosos. Alguns políticos brasileiros reconhecem, também, a beleza desta mulher. Assim, José Alencar, o respeitável e digno vice-presidente da República afirma que Dilma Rousseff “reúne todas as condições para sucessão presidencial em 2010... condições excelentes para o trabalho sério e tem também de sensibilidade social”.
E o senador José Sarney, numa linguagem sacra, mas real, disse que “a ministra é sacerdotisa do serviço público”. E reafirmou:"Estive em praticamente todos os cargos da República e poucas vezes vi alguém tão dedicado à causa pública, tão estudioso dos problemas do Brasil quanto Dilma. Ela tem prestado bons serviços e vai prestar muitos mais".
Clóvis Campelo, poeta "Da Mulher A Luta Fica", destaca
A coragem e a beleza,
fica o instinto materno
que faz o Homem eterno
diante da Natureza.
Confiantes nesses traços de beleza, os leitores sentir-se-ão bem em casa com a vitória da primeira mulher presidente do Brasil 2010. O brilho de sua beleza imprimirá uma direção de vida do povo brasileiro. Qual bússola, o belo de seu corpo e de sua alma, apontará os caminhos de um País cada vez mais independente e soberano.
Leia mais: Mulher: virtudes e deslizes no Livro dos Provérbios de Salomão
Marisa Gibson
Seguindo os caminhos do presidente, a ministra da Casa Civil e presidenciável, Dilma Rousseff (PT), aprendeu rápido as primeiras lições e já demonstra muito interesse pelo Nordeste, região que assumiu Lula como um verdadeiro pai. E bastam bons discursos e anúncios de obras, como a refinaria, para que ela possa ocupar o lugar de mãe dos nordestinos. É só uma questão de jeito, no trato com as pessoas. E o primeiro desafio da ministra para superar a vantagem do governador de São Paulo, José Serra (PSDB) na corrida pela Presidência da República, é justamente mostrar-se simpática, se bem que neste quesito, os dois presidenciáveis estão empates: ambos são sisudos demais. Mas, isso Dilma também está aprendendo rápido. Ela, por exemplo, que sempre foi avessa à imprensa, concedeu, antes de chegar ao Recife, entrevistas a emissoras de rádio, por telefone, referindo-se aos jornalistas pelo nome de cada um, revelando que foi muito bem preparada pelos "media training" palacianos. E para quem fez, recentemente, uma cirurgia plástica no rosto, não podendo se expor ao sol, a ordem de serviço noturna para as obras da casa de força da refinaria, em Suape, foi um esforço pessoal grande, mas que deve ter assegurado alguns votos para que ela seja, quem sabe, a primeira mulher presidente do Brasil. A propósito, a cirurgia da ministra denuncia um cacoete dos marqueteiros de que é preciso falsear a realidade para se ganhar uma eleição. E convencidos de que o brasileiro gosta mesmo é de contos de fadas, embonecaram a ministra, coisa aliás que só as elites têm condição de fazer. Mas a ministra é reconhecidamente competente e é nesse campo que deve se centrar o embate com José Serra, que do ponto de vista político é muito mais sustentável e também carrega a bandeira da competência e da austeridade. Para o tucano, no entanto, o Nordeste é uma região adversa, mas se Dilma, guiada pelas mãos de Lula, Eduardo Campos e João Paulo, pode se consolidar como favorita dos nordestinos, o mesmo pode acontecer com José Serra nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde ele tem grande aceitação. É evidente que, no desenrolar da campanha, a condição de mulher vai ser explorada até a exaustão para sensibilizar o eleitorado, sobretudo o feminino, a votar em Dilma Rousseff. Os adversários, portanto, que se preparem. Diário de Pernambuco.
Via Blog da Dilma.
Acesse também: Desabafo Brasil e Blog da Dilma
Clóvis Campêlo
Quero morrer no fim da vida
qual chama suave que se apaga
ao sopro de uma brisa vaga,
final transmutação contida.
Qual brasa que afinal esfria,
viga que cede sem açoite,
naturalmente como a noite
substitui a luz do dia.
Naturalmente como a água,
que sempre nos mares deságua,
em vapor para o alto parte,
quero morrer no fim da vida.
E pra ser breve a despedida
me dê a vida engenho e arte.
Fausto de Sanctis: para festejar um novo ano 2009 na cidade democrática
by Francisco on segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Francisco Antônio de Andrade Filho
Foram momentos felizes. Entrevista recheada de boa nova para este ano de 2009. Indagações traiçoeiras e sorrateiras dos entrevistadores no programa “É Notícia” da Rede TV. Respostas atentas e conscientes, produzidas por um juiz da Operação Satiagraha. Muita alegria e felicidade com as bênçãos de Deus e mais justiça na cidade democrática.
Trata-se de Fausto de Sanctis da VI Vara Federal de São Paulo. Homem corajoso, revestido de um poder com ética e em defesa da soberania popular, passa a mensagem da ética com justiça cidade democrática contra o abuso, arbitrariedade e outros deslizes político-partidários do Supremo Tribunal Federal. Ao De Sanctis e aos demais juízes que o apóiem, dedico as reflexões, a seguir.
Há uma palavra grega, que explica o sentido etimológico da concepção de ética com justiça: “ethos”. Significa “domicílio”, moradia, o abrigo permanente, o país onde alguém habita, a casa onde se mora, as Instituições, onde se constrói, pelo trabalho, a riqueza social; política e econômica; a prática da ética profissional; e a felicidade do gênero humano.
A casa/ética se dá sempre no singular: é a exigência do ser humano de habitar humanamente seu mundo. As morais se dão sempre no plural, porque as formas e modo de habitar o mundo são múltiplos e diferentes. E o que são virtudes? Significa a qualidade ou a ação digna do homem. É a prática constante do bem, correspondendo ao uso da liberdade com responsabilidade. É o hábito de viver bem com outras virtudes, por exemplo, da confiança, do respeito, da integridade.
Nesta linha de meditação, Platão escreve um diálogo Sobre Democracia, onde se descobre e se vivem as maiores expressões éticas da liberdade e da riqueza social. Em diálogo com seu discípulo Glauco, fala da liberdade, assim:
– A que bem te referes?
– À liberdade – repliquei. – Pois, numa cidade democrática ouvirás
dizer que este é o mais belo de todos os bens; daí por que um homem nascido livre não poderia habitar alhures exceto nesta cidade.
Aristóteles (383-322 a.C.), em suas obras O Político e Ética a Nicômaco produz também juízos de valores sobre ética é justiça na cidade democrática, feliz e livre. Esses textos se entrelaçam numa mesma dimensão política, na constituição de uma cidade feliz e livre.
A felicidade humana consistiria em uma certa maneira de viver, e a vida de um homem é resultado do meio em que ele existe, das leis, dos costumes e das instituições adotadas pela comunidade à qual ele pertence. A meta da política é descobrir primeiro a maneira de viver (bios) que leva a felicidade humana, e depois a forma de governo e as instituições sociais capazes de assegurar aquela maneira de viver. Para este filósofo grego, aquele que “fosse incapaz de integrar-se numa comunidade (koinonia), o que seja auto-suficiente a ponto de não ter necessidade de fazê-lo, não é parte de uma cidade (polis), por ser um animal selvagem ou um deus”.
O homem só alcança sua plenitude na comunidade. Ninguém alcança a felicidade solitariamente. Ninguém é feliz sozinho. Nós somos sempre felizes na solidariedade da comunidade política. Nós precisamos da sociedade e Aristóteles tem uma palavra maravilhosa que poderia estar na Bíblia: “o homem que não precisa da sociedade ou é um Deus, ou é um besta”.
Aristóteles analisa uma virtude que é única e exclusiva da sociedade: a virtude da JUSTIÇA, isto é, a virtude da cidadania, de um bem para todos. Toda cidadania está ligada a um conceito de justiça. Então, não adianta que eu reivindique ao Estado, direitos, se eu não convivo numa comunidade onde todos não se tratam com justiça. Dessa forma, nunca haverá tribunais suficientes para resolver nossas causas, porque cada um de nós trapaceia o outro assim que puder. Isso não é uma convivência justa.
Mais adiante, Montesquieu (1689-1755) deixa sua contribuição para os dias de hoje ao afirmar nas Leis do Espírito: “a liberdade é um bem tão apreciado que cada qual quer ser dono até da alheia”. E insiste: “A liberdade política, num cidadão, é esta tranqüilidade de espírito que provem da opinião que cada um possui de sua segurança; e, para que se tenha esta liberdade cumpre que o governo seja de tal modo, que um cidadão não possa temer outro cidadão“.
Mas em que consiste a liberdade política? Ele responde: A liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem. E argumenta: se um cidadão pudesse fazer tudo o que elas proíbem, não teria mais liberdade, porque os outros também teriam tal poder. E alerta: É verdade que nas democracias o povo parece fazer o que quer; mas a liberdade política não consiste nisso A liberdade consiste em fazermos algo sem sermos obrigados assim agir. Pois, continua a pensar, numa sociedade em que há leis, a liberdade não pode constituir senão em poder fazer o que se deve querer e em não ser constrangido o que não se deve desejar.
E o homem conquistará sua Humanidade, com ou sem Supremo Tribunal Federal. Que o novo 2009 seja de menos ganância de poder sem ética e mais respeito ao Presidente Lula, forte com sua Soberania Popular. Por outro, que alguns Juízes da Suprema Corte não se apeguem à letra da lei, mas ao seu espírito democrático que vivifica o Executivo e o Legislativo. Que a partir da coragem, hombridade e respeito à justiça, sejam motivações de se festejar o ano novo 2009 preparar novos caminhos da Democracia em 2010 com Dilma Presidente.
Leia Mais: Ética e Cidadania em Montesquieu
Expressão de Liberdade versus Libertinagem do PIG
Francisco Antônio de Andrade Filho
É possível descobrir a relação entre ética, liberdade e libertinagem na cibercultura dos dias de hoje? Como ela manifesta a conexão do homem e da mulher com sua própria essência, que é a aspiração a liberdade? Seria ética, a postura de indignação e de repulsa dos construtores da Democracia contra a tirania da libertinagem do PIG? Esse Partido cria terror e insegurança em nossa querida Pátria.
Nada tem sido tão discutido na “Aldeia Global”, e de modo polêmico, quanto a relação entre a pluralidade de éticas, das quais não se excluem, nem os valores de liberdade, nem os malefícios da libertinagem nos espaços de comunicação dos Blogs.
Em homenagem ao sucesso do Governo do PRESIDENTE LULA e na forte esperança da DILMA PRESIDENTE 2010, eu crio e reproduzo este momento de meditação, a seguir.
Os blogs criam um novo mundo, um ambiente mental, afetivo e comportamental bem diferente que as gerações passadas: estreitando relacionamento entre pessoas, povos e culturas, fontes de esperanças para todos. É a liberdade de imprensa, poder com ética. Desabafo Brasil. Dilma 13 – Presidente 2010, uma expressão de liberdade, com ética e em diálogo com a “mídia livre e independente”.
De outro, blogs do PIG demotucanos, de modo negativo, atingem a vida do cidadão – a educação em todos os níveis: massificação de uma cultura superficial, violenta, sem ética e imposta pela “mídia”, um novo tempo de perversidade –, a do desrespeito à vida e aos direitos humanos. É a libertinagem do PIG, poder da era digital sem ética. Podres poderes, violentos, mentirosos e nojentos, que atendem apenas aos interesses do mundo econômico: degradação da natureza e aniquilação da vida social – e os interesses da vida humana.
Tanto aqueles quanto esses, devem a liberdade de expressão a essa mulher: Dilma Rousseff.
E com Platão, medito e provoco um debate. Segundo ele, a liberdade num Estado democrático, é “o mais belo de todos os bens”. Como entender, nos dias de hoje, os poderes políticos nacionais e internacionais que, em nome da Democracia, cometem tiranias, massacrando os cidadãos de seu país e de outras nações? E as “tiranias” contra os que “abusam da liberdade”? Como a liberdade poderia levar também à “tirania”? Seria para colocar limites no uso abusivo da mesma liberdade?
Respondo com Baruch de Espinosa (1632-1677) em suas conhecidas obras clássicas intituladas: a Ética (1660) e o Tratado Teológico-Político (1670).
Recordo-me do seu conceito de liberdade como uma expressão ética no plano ético e dos atos, o de que “Deus ou Natureza” (Deus sive Natura) “é causa livre de todas as coisas [...] nos concede um intelecto determinado e uma vontade indeterminada”. Liberdade, aqui, não significa neutralidade face ao erro e ao mal, à falsidade e à falta de solidariedade.
Quando conhecemos “Deus sive Natura” e todas as verdades, somos livres, menos quando falam em nós as paixões, sobretudo a de mando sobre nossos semelhantes.
Podemos ter alguma base para a nossa força livre sem imposição sobre os demais corpos e mentes. Na própria essência divina, existe o alento para a nossa vida. Escreve ele: “basta-nos saber que somos livres e podemos sê-lo; sem oposição alguma que venha do querer divino, que, de outro lado, somos causa do mal” - neste sentido de que nenhum ato poderia ser chamado mal, salvo do ponto de vista de nossa liberdade.
Existe, hoje, o Partido da Imprensa Golpista – PIG, a violência simbólica do poder político. Pior ainda, em nome de uma política minoritária, quer de partidos, quer da imprensa, falada, escrita e virtual, em todas as suas cores; - quer de poderes legislativos e judiciários -, procura expor os membros de um coletivo à conformação de suas palavras aos desejos de mando e de jugo de uns pelos outros.
Infelizmente, nos dias de ontem contra Espinosa, e de hoje, contra outros pensadores críticos e inovadores, aqueles poderes podres encobrem o domínio das mentes e corpos finitos, no dito do filósofo, “transformam homens racionais em animais ou em autômatos”, interessados em troca de favores pessoais.
É o massacre da liberdade humana em troca de prestígio material e de poder na tentativa de destruir a soberania popular – encarnada em LULA -, e na defesa das tribunas do PIG e de alguns setores privilegiados. E tudo isso, nas Tribunas e nas Cortes, “em nome de Deus”. E haja paciência de outros deuses, finitos e autoritários.
Leia Mais: Filosofia no tempo da globalização: modernidade e pós-modernidade