A Visão

by Francisco on sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Bruno Barbosa Gomes

Somos nós a semelhança de Deus
Ainda estamos longe...
Ele é nosso Pai assim como és dos teus
Somos filhos rebeldes

Entenderás o que há dentro de ti
Sinto um grande vazio
Quando ouvir o som do pulsar sem fim
Mas no fim ele pára

Alcançarás as asas do infinito
Só vejo limites
Quando veres com teus olhos unidos
Eis um mistério...

 



*Bruno Barbosa Gomes tem segundo Grau completo, fez cursos de Computação Gráfica e Web Design e atualmente trabalha com programação visual, criação de sites e artes plásticas.

Diário de leitura: a condição humana em seus limites

by Francisco on quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Inspirado no poema titulado “Instantes”, de autoria discutível, Rubem Alves, no livro “Se eu pudesse viver minha vida novamente”, toca o corpo e alma de seus leitores. Revela suas experiências e desvela o vivido do outro, também entrelaçado de “nostalgia, sonhos, perdas e ganhos” e de “pequenos detalhes que fazem toda diferença”. É um convite à reflexão e à descoberta do viver feliz, do nascer-criança ao envelhecimento saudável.

Neste 19 de setembro de 2007, dedicado e com respeito, li suas primeiras páginas. São espaços que indicam caminhos de vida e em busca de realizações na história do ser humano, criança, adulto e velho. Delas, capturei recados de felicidade. Emocionado e artista da letra, o autor cita o início do poema (página 11):

Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros [...].
Correria mais riscos,
Viajaria mais, contemplaria mais entardeceres.


Sinto-me animado pelo exame de consciência nos “Instantes” da minha vida. Nela, vejo acertos e desvios nos trilhos da caminhada. O viver é assim, uma pesquisa sem respostas certas É a condição humana em seus limites. Faz parte da Natureza, sem atribuir-lhe nenhum mal que não venha do próprio homem.

De outro, curioso, enriqueço-me na grandeza das indagações: Se fosse possível, começaria tudo de novo? Faria novamente a mesma coisa? Cometeria os mesmos erros? Faria as mesmas escolhas? As mesmas falsas metas e falsos deuses?

O tempo passou. Em todos os “Instantes” dos meus 69 anos, “com seus desenganos, fracassos e equívocos”, entranhados com momentos de realizações - anos felizes -, reviveria minha vida mantendo a plena memória.

Sei, no entanto, que o tempo é irreversível. Neste semestre, comecei os meus 70 anos. Convite à construção de uma vida nova. Não estou infeliz. Vivi minha história, “estou feliz onde estou”. Cuidei de jardins. Construí o meu “ethos”, convivendo com a esposa, filhos e noras.

Ainda trabalho. Tomo banho de praia. Sinto na pele que “água é vida”. A Natureza sopra ar para meus pulmões, oxigena meu cérebro, massageia minha coluna e navega por todo meu corpo-mente. Vivo um envelhecimento saudável, nem sempre percebendo que estou marchando com todos os velhos da minha idade para morrermos daqui a 40 anos. Vida feliz. Morte merecida com 111 anos, se Deus ou Natureza quiser e os médicos cuidarem.

Francisco Antônio de Andrade Filho.
Maceió, 19 de setembro de 2007.

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Se eu pudesse viver minha vida novamente
Rubem Alves. Organização Raissa Castro Oliveira. - Campinas, SP: Verus Editora, 2004

O Minotauro

by Francisco on quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Bruno Barbosa Gomes

A besta surge em meio às sombras
Esta é tua face desnuda
Grande e peluda
Do olhar que te assombras

Está em ti animalesca ação
Teu princípio destruidor
Onde há frieza ao invés de amor
Onde há instinto ao invés de razão

Vejas com o olhar da criança
Pois ela não vê só a visão
Ama qualquer coração
Porque guarda divina herança

Dai-te um presente cor de rosa
Para penetrar-te o íntimo
Fazer-te pulsar em puro ritmo
E tirar-te a cor dolorosa

 



*Bruno Barbosa Gomes tem segundo Grau completo, fez cursos de Computação Gráfica e Web Design e atualmente trabalha com programação visual, criação de sites e artes plásticas.

O Abismo

by Francisco on sexta-feira, 27 de julho de 2007

Bruno Barbosa Gomes

O abismo é profundo
Como a imensidão da tua mente
Escuro é o fundo
Que esconde a grande serpente

O abismo sempre estará abaixo de nós. Temos que aprender a caminhar sobre ele, equilibrando-se na longa linha da consciência. Cada um tem a sua. E se a tua for forte e grossa, teu caminho estará seguro rumo à evolução. Mas se for fraca e fina, poderás cair nas presas da grande serpente.

A leveza é fundamental. Para isso, precisarás desprender-te do peso que carregas. Tudo o que te prende e rotula a um limitado universo.

E para ajudar no equilíbrio, um bastão poderás segurar: o bastão da sabedoria, da tua sabedoria. Se ele for longo, caminharás tranqüilo sobre a linha. Mas se for curto, o desequilíbrio pode ser inevitável.

Siga sempre em frente
Sem olhar para o fundo
Buscando eternamente
As verdades do mundo

 



*Bruno Barbosa Gomes tem segundo Grau completo, fez cursos de Computação Gráfica e Web Design e atualmente trabalha com programação visual, criação de sites e artes plásticas.

A Beleza

by Francisco on sábado, 21 de julho de 2007

Bruno Barbosa Gomes

A beleza não reside naquilo que tu vês
Porque a beleza reside na fonte
E essa é a parte divina de cada um
Não se sabe qual a aparência de Deus
E, mesmo assim, Ele é belo
Portanto, não é na aparência que está a beleza
E sim no todo interno

 



*Bruno Barbosa Gomes tem segundo Grau completo, fez cursos de Computação Gráfica e Web Design e atualmente trabalha com programação visual, criação de sites e artes plásticas.

Ouse saber mais

by Francisco on sábado, 2 de junho de 2007

Resenha
KANT, Immanuel. A religião nos limites da simples razão
Edições 70, LTDA. – Lisboa, Portugal.

Francisco Antônio de Andrade Filho

Identificada com a consciência, a religião da simples razão não tem necessidade de revelação divina. Esta tese básica do iluminismo religioso está presente na obra de Kant: “A religião nos limites da simples razão” (1793), trabalhada em quatro partes, a seguir, resenhada.

Na primeira parte (Kant: 29 - 61), a religião aparece como símbolo da luta entre o bem e o mal. Para isso, o autor faz longas elucubrações do mal na natureza e do mal radical. Bem e mal pertence não à natureza, e sim ato livre e responsável do homem. Ele discute ser o homem agente de seus atos. Pressupõe a razão pura prática, do “ser terrestre dotado de razão (...) fundamento subjetivo do uso de sua liberdade”. Pensante. Livre.

Assim, o mal moral reside só no livre arbítrio, e nunca no objeto que determina. Não está nas leis da natureza, mas na lei moral reconhecida como “ratio cognoscendi” da liberdade, na regra que o arbítrio se dá – a ordem ética. Por isso, escreve o autor: “o mal só pode surgir do mal moral, não dos simples limites de nossa natureza”.

Na segunda parte (63 – 61), penso que Kant fala de Jesus Cristo, dos dogmas cristãos da encarnação e redenção, no contexto da luta entre o bem e o mal. O princípio bom tem que dominar sobre o homem. A Providência, aqui identificada em Cristo, é a personificação do princípio bom, no qual se cumpriu a perfeição moral e para a qual todos os homens devem elevar-se a este ideal.

Mestre dos ensinamentos morais-não de origem divina -, torna a perfeição da moralidade. Nele, a comunidade racional reconhece a si mesma: “mestre de ensinamentos divinos, mas bem propriamente humano”, cuja comunidade ética pode fazer dele um exemplo e não arquétipo, “pois este não pode ser procurado em nenhum outro lugar do que na razão”.

Na terceira parte da obra em apreço (93 – 146), Kant fala de um povo moral de Deus e comunidade política (gemein Wesen). O que é isso? O filósofo alemão defende que o homem deve proteger sua liberdade e tornar possível o triunfo do bem mediante uma sociedade governada pelas leis da virtude. Esta será a sociedade ético-civil – um estudo (Zustand} jurídico-civil “(...) em que se encontram reunidos só leis não coercitivas, isto é, sob simples leis de virtudes”. Seu espaço sacro é a reunião de todos eticamente, numa casa onde todos se sintam bem.

O conceito de uma comunidade ética é de um povo de Deus regido pelas leis éticas que se realiza na forma de uma igreja, de um poder civil e garantido pela intervenção da divina-natureza. Assim, a igreja visível e racional esquematiza a igreja invisível. Cria o poder eclesiástico, mal da religião, coagindo “o ir a ela e a profissão de fé de seus estatutos ou a celebração de seus rituais (que) são tomados do modo pelo qual Deus propriamente quer ser servido”.

Na última parte (146 – 198), Kant fala do verdadeiro e falso culto, religião e sacerdócio. Para ele, a única verdadeira religião é a moral. A religião revelada é imposta e servil. É ilusão. Falso culto. Os “doutores” convertem-se em oficiais ou funcionários, dignitários eclesiásticos que transformam o ministério em império, apresentando-se a si e a todos e a tudo como lei divina, sacrificando a liberdade própria da religião natural. A este culto falso chama de fetichismo, nestes termos:

“O sacerdócio é a constituição de uma igreja em que reina o culto fetichista, isto é, onde, em lugar de princípios morais, são leis estatutárias, regras de fé e observância o que constitui a base e a essência do culto”.


Enquanto isso, o mesmo autor pondera em diálogo com o que se afirma:

“A religião natural enquanto moral [...] é um conceito racional prático puro [...] tem em si um grande requisito da verdadeira igreja, isto é, a universalidade (universalitas vel omnitudo distributiva) – a unanimidade”.


Advertido e censurado por Wöllner, criticado por seus pares, Kant vai em frente, ousando pensar de modo diferente. Sua preocupação central é descobrir essa dimensão inteligível que eleva o mal a um princípio razão. É a partir dele que o fenômeno religioso pode ser pensado. Pode discutir uma resposta à impotência sabida nossa que se abre a uma outra instância, sem que isso torne religioso o conceito que permite tal compreensão.

Esta postura filosófica do mal radical (radikales bose) provoca reações em Schiller, Herder, Goethe e outros pensadores da ilustração. Para eles, Kant não podia perder tempo divagando sobre a natureza má do homem, recuperando a doutrina católica do pecado original, do mito da queda de Adão e Eva.

E você, o que pensa e como vê essa resenha em discussão? Eis um convite: ouse saber mais, lendo, interpretando e criticando mais ainda:

ANDRADE FILHO, F.A. de. Razão e política – ensaios de filosofia moderna (tese de Doutorado). Maceió: EDUFAL, 1994.
ROMANO, Roberto. Kant e a Aufkl¨larung, in Corpo e Cristal: Mar Romântico (63 a 91) Brasiliense, São Paulo, 1982.

 

* É Doutor em Lógica e Filosofia da Ciência, na área de Filosofia Política, pela UNICAMP/SP. Professor Titular, aposentado da Universidade Federal de Alagoas – UFAL. Docente em Filosofia na Faculdade Maurício de Nassau. Membro do Comitê de Ética de Pesquisas seres Humanos no Hospital Oswaldo Cruz –UPE/Recife/PE. Avaliador do curso de Filosofia no INEP/MEC. Membro do Grupo de Estudos de Filosofia no Brasil (Seção UFMG).

Francisco Antônio de Andrade Filho

by Francisco