Alexandre Severo Medeiro
Estão enraizadas no solo...
Estão enraizadas nos jarros...
Estão enraizadas nas paredes...
Estão enraizadas por toda parte...
Você está enraizada em meu coração...
Você entrou com tudo para sempre...
Você enraizou em cada veia ardentemente...
Enraizou-me em seus pensamentos...
Estou completamente apaixonado...
Sou um lírio...
Uma samambaia...
Uma rosa...
Um cravo...
Sou a planta que produz o seu oxigênio...
Sou o seu oxigênio...
Sou a sua vida...
Sou o seu amor...
Sou uma esperança desiludida da vida...
Sou um pássaro que voa...
Sou o rio que desce...
Sou a noite...
Sou o luar...
Sou o sol...
Sou tudo, apenas para você...
Semíramis Alencar
Analisemos o termo empresa pensante: é aquela em que o indivíduo é a razão de ser daquela instituição. Nas empresas pensantes, a interação dos membros é estimulada, bem vinda e recompensada, a comunicação direta entre todos os envolvidos e interessados em seu progresso é fundamental.
Desde que nascemos à comunicação é fonte para todo o aprendizado da criança. Não se resolve um problema sem diálogo, a troca de experiências é essencial para a interação entre os funcionários.
As situações de diálogo devem ser constantemente estimuladas, o que é um importante passo para o crescimento de uma empresa.A conversa com os colegas de trabalho contribui para descontrair e compartilhar informações importantes para o desempenho de suas funções profissionais.
Aquilo que fazemos na empresa com os erros é função do pensamento da organização. Podemos optar por punir os erros ou aprender com eles.
Cada empresa tem uma forma de agir quando acontece algum erro na jornada de trabalho. Existem empresas que encaram os erros como fonte de aprendizado, enriquecimento e aperfeiçoamento. Outras condenam o erro sempre como uma falha grave, sem ter aproveitamento algum. Empresas com este conceito sobre o erro desconhecem a teoria de que todo aprendizado provém do erro.
Aprender com os erros é fundamental se estivermos comprometidos com o aprendizado contínuo. O aprendizado resulta da tentativa e erro; podemos descobrir resultados positivos errando.
Devemos refletir e questionar acerca dos erros que cometemos na vida profissional e pessoal. Aprender com a tentativa de buscar o que é certo. O que idealizamos é eliminar nas empresas o medo de errar e assim optar por um caminho de aprendizado contínuo, num ambiente de confiança e respeito entre todos os envolvidos na tarefa de ensinar aprendendo.
Os problemas que possam ocorrer por falta de motivação ou stress, pela
pressão e as cobranças dentro do ambiente de trabalho devem ser analisados e resolvidos dentro da empresa, com atitudes conciliatórias que aliem o dialogo a melhores condições de trabalho.
Estes problemas devem ser constantemente levantados de forma a garantir o bem-estar de seus profissionais e assim o sucesso da empresa.
As empresas exigem estrutura, ordem e regras para funcionar: oposto do ambiente propício à criatividade humana. Caos, flexibilidade e estruturas menos rígidas são básicas para o desenvolvimento de idéias e planos inovadores.
As empresas precisam oscilar entre a ordem e o caos, processo que fomenta o pensamento criativo. A ordem excessiva sufoca a criatividade e o caos excessivo não fornece as estruturas básicas para que suas idéias alcancem um estagio inteligível, logo, palpável.
Na empresa pensante, a criatividade não é delegada a determinada divisão da estrutura corporativa nem designada como uma das funções de determinados níveis da gerência.
A criatividade torna a cultura corporativa alimentada, encorajada e recompensada em todos os níveis, principalmente nos setores ativos da empresa, diretamente em contato com o cliente.
Semíramis Alencar
A função da escola é formar indivíduos aptos para escrever, ler e se relacionar com outros indivíduos, à partir da compreensão do léxico. Mais do que isso, a escola forma o cidadão para interagir e transformar o seu meio.
Garantir a democracia é tornar a cultura acessível à todos, fornecendo informações necessárias para melhor compreensão do universo em que vivem. Sem a escola não há base cultural mínima necessária para que o indivíduo acompanhe os progressos da sociedade e progrida intelectualmente.
A democratização da cultura começa na escola. Desde as primeiras séries do Ensino Fundamental, quando incentivamos a criança a pensar sobre o seu cotidiano, sobre os núcleos e filosofias que a cercam até, e principalmente, o Ensino Médio quando o aluno já deverá de ter as bases de conhecimento do mundo para que possa agir em sua transformação,no contato democrático com seus semelhantes.
No entanto, a escola deverá estar consciente de que a educação é mais do que o repasse sistemático de informações e conceitos. A escola é onde acontece o preparatório para a vida em sociedade e a formação do ser humano com bases na ética e no conhecimento sócio-histórico de seu país.
Como desenvolver a democracia cultural dentro da escola? à partir das vivências dos próprios alunos, vindas de sua própria comunidade, através de questionamentos sobre suas principais necessidades à níveis municipais, estaduais ou nacionais na medida em que o alunado vai transcendendo os níveis escolares.
A criança tem um interesse natural por sua cultura. Ela manifesta isso à cada momento: ao pedir para uma estória ser contada, ao perguntar pelo passado de seus pais ou avós e para saber suas raízes. A cultura começa a ser democratizada à partir do momento em que a criança divide estas experiências com outras.
Quando adolescente, seu interesse em compreender as tradições e as transformações de sua cidade são de suma importância para a preservação de sua tradição regional e para a fruição das discussões acerca dos problemas sociais daquela comunidade em sentido mais amplo, traçar um paralelo com os problemas sociais do país.
Favorecendo a compreensão da realidade do educando e o incentivando à participação nas questões sociais é que se torna possível a democratização da cultura, possibilitando uma visão ampla e consistente da realidade brasileira e sua inserção no mundo, aliado ao desenvolvimento de um trabalho educativo que possibilite uma participação ativa dos alunos.
Semíramis Alencar
Com o advento da Internet, as formas de ensinar e aprender começam a sofrer transformações, tanto nos cursos presenciais, como nos de educação continuada, à distância. O mundo globalizado pede maior assimilação de informações em menor tempo possível.
Os encontros em sala de aula passam a ter uma colocação secundária, bem como o papel do professor que se torna um agente facilitador do conhecimento. O ensino é mais individualizado, cada aluno aprende segundo seu próprio ritmo.
Quem participa do processo ensino-aprendizagem sabe que a educação está pautada em valores integrados da vida. O homem é um ser social, sua vida está intimamente ligada à família, a escola, ao trabalho, ao lazer, enfim a sociedade que ele participa aprendendo, ensinando, convivendo. Logo, são necessários métodos que facilitem este processo, tornando o aprendizado natural como as informações que ele recebe a cada instante.
A internet estimula a intuição, a flexibilidade mental e a adaptação a ritmos diferentes. Desenvolve novas formas de comunicação, favorecendo a escrita. A rede incentiva os contatos virtuais, as amizades, as trocas constantes com outros colegas, tanto por parte dos professores como dos alunos.
A internet apresenta um campo vasto de pesquisas possibilitando interações mais amplas que combinam o presencial com o virtual. Todavia, o educador precisa estar atento à dispersão e à distração provenientes de tantos endereços virtuais, pesquisas, textos e dados que nada mais serão que arquivados, dificultando desta forma a interiorização, a objetividade e a personalização.
Portanto, educar utilizando a internet exige uma forte atenção do professor. Os alunos tendem a dispersar-se diante de tantas conexões possíveis, hyperlinks, imagens e hipertextos que se sucedem ininterruptamente.
A internet é uma tecnologia que facilita a motivação dos alunos, pela novidade e pelas possibilidades inesgotáveis de pesquisa que oferece. O aluno desenvolve a aprendizagem cooperativa, a pesquisa em grupo e individual e a troca de resultados.
A interação bem sucedida aumenta a aprendizagem. Em alguns casos há uma competição excessiva, monopólio de determinados alunos sobre o grupo, mas no conjunto prevalece a cooperação.
Dez idéias principais do livro: “A importância do ato de ler”, de Paulo Freire
by Francisco on sábado, 18 de dezembro de 2004
Semíramis Alencar
Introdução
O livro A Importância do Ato de Ler, de Paulo Freire, relata os aspectos da biblioteca popular e a relação com a alfabetização de adultos desenvolvida na República Democrática de São Tomé e Príncipe.
Ao mesmo tempo, nos esclarece que a leitura da palavra é precedida da leitura do mundo e também enfatiza a importância crítica da leitura na alfabetização, colocando o papel do educador dentro de uma educação, onde o seu fazer deve ser vivenciado, dentro de uma prática concreta de libertação e construção da história, inserindo o alfabetizando num processo criador, de que ele é também um sujeito.
1 - A importância do ato de ler
Segundo Paulo Freire a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra. O ato de ler se veio dando na sua experiência existencial. Primeiro, a leitura do mundo do pequeno mundo em que se movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo da sua escolarização, foi a leitura da palavra mundo. Na verdade, aquele mundo especial se dava a ele como o mundo de sua atividade perspectiva, por isso, mesmo como o mundo de suas primeiras leituras.
Os textos, as palavras, as letras daquele contexto em cuja percepção experimentava e, quando mais o fazia, mais aumentava a capacidade de perceber se encarnavam numa série de coisas, de objetos, de sinais, cuja compreensão ia aprendendo no seu trato com eles, na sua relação com seus irmãos mais velhos e com seus pais.
A leitura do seu mundo foi sempre fundamental para a compreensão da importância do ato de ler, de escrever ou de reescrevê-lo, e transformá-lo através de uma prática consciente.
1. “Esse movimento dinâmico é um dos aspectos centrais do processo de alfabetização que deveriam vir do universo vocabular dos grupos populares, expressando sua real linguagem carregadas da significação de sua experiência existencial e não da experiência do educador”.
A alfabetização é a criação ou a montagem da expressão escrita da expressão oral. Assim as palavras do povo, vinham através da leitura do mundo. Depois voltavam a eles, inseridos no que se chamou de codificações, que são representações da realidade.
No fundo esse conjunto de representações de situações concretas possibilitava aos grupos populares uma leitura da leitura anterior do mundo, antes da leitura da palavra.
2. “O ato de ler implica na percepção crítica, interpretação e da re-escrita do lido”.
1.1 - Alfabetização de Adultos e Biblioteca Populares: Uma introdução
Para Paulo Freire falar de alfabetização de adultos e de biblioteca populares é falar, entre muitas outras coisas, do problema da leitura e da escrita. Não da leitura de palavras e de sua escrita em si próprias, como se lê-las e escrevê-las, não implicasse uma outra leitura da realidade mesma, para aclarar o que chama de prática e compreensão crítica da alfabetização.
Do ponto de vista crítico é tão impossível negar a natureza política do processo educativo quanto negar o caráter educativo do ato político. Quanto mais ganhamos esta clareza através da prática, mais percebemos a impossibilidade de separar a educação da política e do poder.
A relação entre a educação enquanto subsistema e o sistema maior são relações dinâmicas contraditórias. As contradições que caracterizam a sociedade como está sendo, penetram a intimidade das instituições pedagógica em que a educação sistemática se está dando e alterando o seu papel ou o seu esforço reprodutor da ideologia dominante.
3. “O que temos de fazer então, enquanto educadoras ou educadores, é aclarar assumindo a nossa opção que é política, e ser coerentes com ela na prática”.
A questão da coerência entre a opção proclamada e a prática é uma das exigências que educadores críticos se fazem a si mesmos. É que sabem muito bem que não é o discurso o que ajuíza a prática, mas a prática que ajuíza o discurso.
4. “Quem apenas fala e jamais ouve; quem imobiliza o conhecimento e o transfere a estudantes, quem ouve o eco, apenas de suas próprias palavras, quem considera petulância a classe trabalhadora reivindicar seus direitos, não tem realmente nada que ver com a libertação nem democracia”.
Pelo contrário, quem assim atua e assim pensa, consciente ou inconsciente, ajuda a preservação das estruturas autoritárias.
Só educadoras e educadores autoritários negam a solidariedade entre o ato de educar e o ato de ser educado pelos educandos.
Uma visão da educação é na intimidade das consciências, movida pela bondade dos corações, que o mundo se refaz. É, já que a educação modela as almas e recria corações ela é a alavanca das mudanças sociais.
5. “Se antes a transformação social era entendida de forma simplista, fazendo-se com a mudança, primeiro das consciências, como se fosse a consciência de fato, a transformadora do real, agora a transformação social é percebida como um processo histórico”.
Se antes a alfabetização de adultos era tratada e realizada de forma autoritária, centrada na compreensão mágica da palavra doada pelo educador aos analfabetos; se antes os textos geralmente oferecidos como leitura aos alunos escondiam a realidade, agora pelo contrário, alfabetização como ato de conhecimento, como um ato criador e como ato político é um esforço de leitura do mundo e da palavra. Agora já não é possível textos sem contexto.
A alfabetização de adultos e pós-alfabetização implicam esforços no sentido de uma correta compreensão do que é a palavra escrita, a linguagem, as relações com o contexto de quem fala, de quem lê e escreve, compressão, portanto da relação entre a leitura do mundo e leitura da palavra. Daí a necessidade que tem uma de biblioteca popular, buscando o adentramento crítico no texto, procurando aprender a sua significação mais profunda, propondo aos leitores uma experiência estética, de que a linguagem popular é inteiramente rica.
A forma com que atua uma biblioteca popular, a constituição do seu acervo, as atividades que podem ser desenvolvidas no seu interior, tudo isso tem que ser como uma certa política cultural.
Se antes raramente os grupos populares eram estimulados a escrever seus textos, agora é fundamental fazê-lo, desde o começo da alfabetização para que, na pós-alfabetização, se vá tentando a formação do que poderá vir a ser uma pequena biblioteca popular com a inclusão de páginas escritas pelos próprios educandos.
1.2 - O Povo diz a sua Palavra ou a Alfabetização em São Tomé e Príncipe
Segundo Freire com a alfabetização de adultos no contexto da República Democrática de São Tomé e Príncipe, a cujo governo vem dando juntamente com Elza Freire, uma contribuição no campo da educação de adultos como assessor, se torna indispensável uma concordância em torno de aspectos fundamentais entre o assessor e o governo assessorado.
6. “Seria impossível, por exemplo, dar uma colaboração, por mínima que fosse a uma campanha de alfabetização de adultos promovido por um governo antipopular”.
Não poderia assessorar um governo que em nome da primazia da aquisição de técnicas de ler e escrever palavras por parte dos alfabetizando, exigi-se, ou simplesmente sugerisse que fizesse a dicotomia entre a leitura do texto e a leitura do contexto.
Um governo para quem a leitura do concreto, o desenvolvimento do mundo não são um direito do povo, que, por isso mesmo, deve ficar reduzido à leitura mecânica da palavra.
É exatamente este aspecto importante o da relação dinâmica entre a leitura da palavra e a leitura da realidade em que nós encontramos coincidentes os governos de São Tomé e Príncipes e nós.
Todo esforço que vem sendo feito em São Tomé e Príncipe na prática da alfabetização de adultos como na da pós-alfabetização se orienta neste sentido.
7. “Os cadernos de cultura popular vêm sendo usados pelos educandos como livros básicos, com exercícios chamados Praticar para o Aprender. A linguagem dos textos é desafiadora e não sloganizado. O que se quer é a participação efetiva do povo enquanto sujeito, na reconstrução do país, a serviço de que a alfabetização e a pós-alfabetização se acham”.
Por isso mesmo os cadernos não são nem poderiam ser livros neutros, é a participação crítica e democrática dos educandos no ato de conhecimento de que são também sujeitos. É a participação do povo no processo de reinvenção de sua sociedade, no caso a sociedade são tomense, recém-independente do jugo colonial, que há tanto tempo a submetia.
É preciso, na verdade, que a alfabetização de adultos e a pós-alfabetização, a serviço da reconstrução nacional, contribuam para que o povo, tomando mais e mais a sua História nas mãos, se refaça na leitura da História, estando presente nela e não simplesmente nela estar representado.
8. “No fundo o ato de estudar, enquanto ato curioso do sujeito diante do mundo é expressão da forma de estar sendo dos seres humanos, como seres sociais, históricos, seres fazedores, transformadores, que não apenas sabem, mas sabem que sabem”.
O povo tem de conhecer melhor, o que já conhece em razão da sua prática e de conhecer o que ainda não conhece.
Nesse processo, não se trata propriamente de entregar ou de transferir às massas populares a explicação mais rigorosa dos fatos como algo acabado, paralisado, pronto, mas contar, estimulando e desafiando, com a capacidade de fazer, de pensar, de saber e de criar das massas populares.
Na alfabetização pós-alfabetização não nos interessa transferir ao Povo frases e textos para ele ir lendo sem entender. A reconstrução nacional exige de todos nós uma participação consciente em qualquer nível, exige ação e pensamento, exige prática e teoria, procurar descobrir de entender o que se acha mais escondido nas coisas e aos fatos que nós observamos e analisamos.
A reconstrução nacional precisa de que o nosso Povo conheça mais e melhor a nossa realidade.
2 - Análise das idéias do autor
Ao elaborar uma síntese das reflexões sobre o livro: A Importância do Ato de Ler e as relações da biblioteca popular com a alfabetização de adulto, leva-nos a compreensão da prática democrática e crítica da leitura do mundo e da palavra, onde a leitura não deve ser memorizada mecanicamente, mas ser desafiadora que nos ajude a pensar e analisar a realidade em que vivemos.
9. “É preciso que quem sabe, saiba sobre tudo que ninguém sabe tudo e que ninguém tudo ignora”. (FREIRE, p.32).
É essencial que saibamos valorizar a cultura popular em que nosso aluno está inserido, partindo desta cultura, e procurando aprofundar seus conhecimentos, para que participe do processo permanente da sua libertação.
10. “A biblioteca popular como centro cultural e não como um depósito silencioso de livros, é vista como um fator fundamental para o aperfeiçoamento e a intensificação de uma forma correta de ler o texto em relação íntima com o contexto”. (FREIRE, p.38).
Nesse sentido a atuação da biblioteca popular, tem algo a ver com uma política cultural, pois incentiva a compressão crítica do que é a palavra escrita, a linguagem, as suas relações com o contexto, para que o povo participe ativamente das mudanças constantes da sociedade.
“O processo de aprendizagem na alfabetização de adultos está envolvido na prática de ler, de interpretar o que lêem, de escrever, de contar, de aumentar os conhecimentos que já têm e de conhecer o que ainda não conhecem, para melhor interpretar o que acontece na nossa realidade”. (FREIRE, p. 48).
Isso só será conseguido através de uma educação que estimule a colaboração, que dê valor à ajuda mútua, que desenvolva o espírito crítico e a criatividade: uma educação que incentive o educando unindo a prática e a teoria, com uma política educacional condizente com os interesses do nosso Povo.
Semíramis Alencar
Durante séculos procuramos por Deus. Um Deus “Catholos”, universal, onipresente, onisciente e onipotente que protege-nos do mal e elimina nossos inimigos. Está nos salmos da Bíblia, no Evangelho e na história do povo hebreu, a evocação à guerra, a luta, uma terra prometida e as batalhas e sacrifícios de tantos povos, com a anuência de Deus.
Se nos agrada a idéia de um paraíso na Terra, por que falamos tanto na morte e na destruição? Se a idéia de religiosidade começa na destruição e aniquilamento de nosso semelhante, por que falamos de Deus? Se defendemos a idéia de um só Deus, por que este deve ser o “nosso”? Será que estamos sendo, de fato, religiosos? Não seria mais apropriado sermos irmãos?
Nas Cruzadas, idade moderna (séc. XVII), a humanidade era consciente da sua própria força racional e autonomia. Tentava-se impor a importância da igreja à ferro e fogo. A fé era fanatizada. A morte era sinônimo de purificação e remissão dos pecados daqueles considerados impuros, o que significou uma grande matança de inocentes entre mulheres, crianças e velhos.
Traçando um paralelo entre o período medieval e o período hodierno, verificamos uma transformação radical, no tocante a tolerância, a aceitação dos posicionamentos de outras crenças e povos.
Hoje, a busca dos valores interiores do homem, a compreensão e a tolerância entre outros povos tornar-se possível, dado que carecemos de uma visão de mundo mais fraterna e solidária.
O desgaste das relações humanas e seus problemas básicos que não encontram uma solução definitiva como a fome e as epidemias, aumentou a distância entre ricos e pobres. O progresso de nações como a África não é alcançado de forma rápida, as guerras impedem o processo de desenvolvimento.
A pós-modernidade não renega a tecnologia e nem os avanços científicos. O que ela propõe é um questionamento sobre uma forma mais racional de vida. A busca de condições de vida mais saudável em consonância com o divino, com o místico e com a fé em um Deus único, é o ideal deste pós-modernismo.
Este retorno ao sagrado busca curar as feridas da sociedade hodierna, na equalização dos pólos dispares da sociedade: o pobre e o rico. A experiência religiosa deverá converter sua doutrina para conseguir alcançar este objetivo e não somente ser uma atitude alienante que sirva de instrumento de dominação e imposição de leis e normas de conduta.
O termo religiosidade vem do latim religare que significa vincular, religar. Portanto, a proposta de uma nova religiosidade vem da vinculação pessoal do homem com sua origem e destino. A religião deve ser um modelo, um caminho para seguir e não instrumento de fanatismos.
Assim, o holismo é a proposta religiosa de um novo milênio. Todo o mundo deverá unir sua fé e sua doutrina para a conquista da paz. O dialogo inter-religioso não significa a reclusão ou o fechamento dos povos em seu próprio mundo. Lembremos do evangelho de São Paulo: “Examinai tudo e ficai com que é bom”.
Portanto, cada pessoa tem uma dimensão profunda em sua realidade, que é um mistério. Cabe a cada ser humano repensar a maneira de vivenciar a fé e como nos conduzimos para a criação do paraíso terrestre sonhado por cada doutrina ou filosofia religiosa.
Francisco Antônio de Andrade Filho
A fonte da felicidade humana reside no Universo da Natureza, sua destruição habita na capacidade de o próprio Homem produzir a violência contra Ela. O segredo da ética da vida - do Bem da Cidade -, do bem político-social é acessado com a senha do dito de Kant, assim: Age exclusivamente segundo a máxima que te leva a querer ao mesmo tempo que ela se torne lei universal.
Na obra Tao Te Ching (Poema 19), Lao-Tsé pensa. Medita. Filosofa e cria novos conceitos:
De mil benefícios goza um povo
quando não se fala mais em ser virtuoso nem santo.
Verdadeira reverência e amor sincero
Medram em uma sociedade
Em que o direito e a moral deixam de ser prescritos.
A ordem não reina em uma sociedade
Onde o interesse determina o agir.
Esses princípios não podem ser prescritos,
Mas devem ser vividos.
Somente onde eles são vivenciados
É que ajudam os homens.
A ética genuína só existe
Onde o homem vive de dentro da sua fonte
E age pela pureza do seu coração;
Onde a genuinidade do seu ser
Se revela em atos desinteressados
E isentos de desejos.
Enquanto isso, nos dias de hoje, filosofamos. Refletimos o sentido da vida feliz. Buscamos a fonte da felicidade, aqui e agora..
Há uma palavra grega, que explica o sentido etimológico da concepção de ética como fonte de felicidade: “ethos”. Significa “domicílio”, moradia, o abrigo permanente, o país onde alguém habita, a casa onde se mora. Nossa casa. As instituições. A Faculdade Maurício de Nassau,onde se constrói, pelo trabalho, a felicidade dos cidadãos, velhos e moços . E aqui, entre outros espaços , verificamos ser o centro do “ethos” (moradia), e conforme Platão, o Bem que nos permite sentirmo-nos bem em casa. A coexistência da ética profissional acarreta o bem-estar na prática pedagógica.
Esse BEM comporta exigências que vão para além de qualquer ser ou situação dada. A partir do “ethos”, o espaço do mundo selecionado se faz habitável, porque criamos hábitos, maneiras constantes de agir, de tratar as coisas da casa, de dividir os espaços, mediante os quais habitamos humanamente o mundo.
Esse termo “ethos” passou a designar a maneira de ser “habitual”, o caráter, a disposição da alma. Caráter é marca, sigilo, timbre ou disposição interna da vontade que a inclina a agir habitualmente, de determinada maneira. “Hábito”, para o bem ou para o mal, virtuoso ou vicioso, é quase segunda natureza, fonte de atos.
E, assim, descobrimos uma das senhas que dar acesso à fonte da felicidade, e a confirmamos nas condições existenciais e limitadas de nossas vidas. Somos felizes. E você?