Democratização da Cultura na Escola

by Francisco on sábado, 9 de julho de 2005

Semíramis Alencar


A função da escola é formar indivíduos aptos para escrever, ler e se relacionar com outros indivíduos, à partir da compreensão do léxico. Mais do que isso, a escola forma o cidadão para interagir e transformar o seu meio.

Garantir a democracia é tornar a cultura acessível à todos, fornecendo informações necessárias para melhor compreensão do universo em que vivem. Sem a escola não há base cultural mínima necessária para que o indivíduo acompanhe os progressos da sociedade e progrida intelectualmente.

A democratização da cultura começa na escola. Desde as primeiras séries do Ensino Fundamental, quando incentivamos a criança a pensar sobre o seu cotidiano, sobre os núcleos e filosofias que a cercam até, e principalmente, o Ensino Médio quando o aluno já deverá de ter as bases de conhecimento do mundo para que possa agir em sua transformação,no contato democrático com seus semelhantes.

No entanto, a escola deverá estar consciente de que a educação é mais do que o repasse sistemático de informações e conceitos. A escola é onde acontece o preparatório para a vida em sociedade e a formação do ser humano com bases na ética e no conhecimento sócio-histórico de seu país.

Como desenvolver a democracia cultural dentro da escola? à partir das vivências dos próprios alunos, vindas de sua própria comunidade, através de questionamentos sobre suas principais necessidades à níveis municipais, estaduais ou nacionais na medida em que o alunado vai transcendendo os níveis escolares.

A criança tem um interesse natural por sua cultura. Ela manifesta isso à cada momento: ao pedir para uma estória ser contada, ao perguntar pelo passado de seus pais ou avós e para saber suas raízes. A cultura começa a ser democratizada à partir do momento em que a criança divide estas experiências com outras.

Quando adolescente, seu interesse em compreender as tradições e as transformações de sua cidade são de suma importância para a preservação de sua tradição regional e para a fruição das discussões acerca dos problemas sociais daquela comunidade em sentido mais amplo, traçar um paralelo com os problemas sociais do país.

Favorecendo a compreensão da realidade do educando e o incentivando à participação nas questões sociais é que se torna possível a democratização da cultura, possibilitando uma visão ampla e consistente da realidade brasileira e sua inserção no mundo, aliado ao desenvolvimento de um trabalho educativo que possibilite uma participação ativa dos alunos.

A Educação e as Novas Tecnologias

by Francisco on sexta-feira, 8 de abril de 2005

Semíramis Alencar


Com o advento da Internet, as formas de ensinar e aprender começam a sofrer transformações, tanto nos cursos presenciais, como nos de educação continuada, à distância. O mundo globalizado pede maior assimilação de informações em menor tempo possível.

Os encontros em sala de aula passam a ter uma colocação secundária, bem como o papel do professor que se torna um agente facilitador do conhecimento. O ensino é mais individualizado, cada aluno aprende segundo seu próprio ritmo.

Quem participa do processo ensino-aprendizagem sabe que a educação está pautada em valores integrados da vida. O homem é um ser social, sua vida está intimamente ligada à família, a escola, ao trabalho, ao lazer, enfim a sociedade que ele participa aprendendo, ensinando, convivendo. Logo, são necessários métodos que facilitem este processo, tornando o aprendizado natural como as informações que ele recebe a cada instante.

A internet estimula a intuição, a flexibilidade mental e a adaptação a ritmos diferentes. Desenvolve novas formas de comunicação, favorecendo a escrita. A rede incentiva os contatos virtuais, as amizades, as trocas constantes com outros colegas, tanto por parte dos professores como dos alunos.

A internet apresenta um campo vasto de pesquisas possibilitando interações mais amplas que combinam o presencial com o virtual. Todavia, o educador precisa estar atento à dispersão e à distração provenientes de tantos endereços virtuais, pesquisas, textos e dados que nada mais serão que arquivados, dificultando desta forma a interiorização, a objetividade e a personalização.

Portanto, educar utilizando a internet exige uma forte atenção do professor. Os alunos tendem a dispersar-se diante de tantas conexões possíveis, hyperlinks, imagens e hipertextos que se sucedem ininterruptamente.

A internet é uma tecnologia que facilita a motivação dos alunos, pela novidade e pelas possibilidades inesgotáveis de pesquisa que oferece. O aluno desenvolve a aprendizagem cooperativa, a pesquisa em grupo e individual e a troca de resultados.

A interação bem sucedida aumenta a aprendizagem. Em alguns casos há uma competição excessiva, monopólio de determinados alunos sobre o grupo, mas no conjunto prevalece a cooperação.

Dez idéias principais do livro: “A importância do ato de ler”, de Paulo Freire

by Francisco on sábado, 18 de dezembro de 2004

Semíramis Alencar



Introdução
O livro A Importância do Ato de Ler, de Paulo Freire, relata os aspectos da biblioteca popular e a relação com a alfabetização de adultos desenvolvida na República Democrática de São Tomé e Príncipe.
Ao mesmo tempo, nos esclarece que a leitura da palavra é precedida da leitura do mundo e também enfatiza a importância crítica da leitura na alfabetização, colocando o papel do educador dentro de uma educação, onde o seu fazer deve ser vivenciado, dentro de uma prática concreta de libertação e construção da história, inserindo o alfabetizando num processo criador, de que ele é também um sujeito.

1 - A importância do ato de ler
Segundo Paulo Freire a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra. O ato de ler se veio dando na sua experiência existencial. Primeiro, a leitura do mundo do pequeno mundo em que se movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo da sua escolarização, foi a leitura da palavra mundo. Na verdade, aquele mundo especial se dava a ele como o mundo de sua atividade perspectiva, por isso, mesmo como o mundo de suas primeiras leituras.
Os textos, as palavras, as letras daquele contexto em cuja percepção experimentava e, quando mais o fazia, mais aumentava a capacidade de perceber se encarnavam numa série de coisas, de objetos, de sinais, cuja compreensão ia aprendendo no seu trato com eles, na sua relação com seus irmãos mais velhos e com seus pais.
A leitura do seu mundo foi sempre fundamental para a compreensão da importância do ato de ler, de escrever ou de reescrevê-lo, e transformá-lo através de uma prática consciente.
1. “Esse movimento dinâmico é um dos aspectos centrais do processo de alfabetização que deveriam vir do universo vocabular dos grupos populares, expressando sua real linguagem carregadas da significação de sua experiência existencial e não da experiência do educador”.
A alfabetização é a criação ou a montagem da expressão escrita da expressão oral. Assim as palavras do povo, vinham através da leitura do mundo. Depois voltavam a eles, inseridos no que se chamou de codificações, que são representações da realidade.
No fundo esse conjunto de representações de situações concretas possibilitava aos grupos populares uma leitura da leitura anterior do mundo, antes da leitura da palavra.
2. “O ato de ler implica na percepção crítica, interpretação e da re-escrita do lido”.

1.1 - Alfabetização de Adultos e Biblioteca Populares: Uma introdução
Para Paulo Freire falar de alfabetização de adultos e de biblioteca populares é falar, entre muitas outras coisas, do problema da leitura e da escrita. Não da leitura de palavras e de sua escrita em si próprias, como se lê-las e escrevê-las, não implicasse uma outra leitura da realidade mesma, para aclarar o que chama de prática e compreensão crítica da alfabetização.
Do ponto de vista crítico é tão impossível negar a natureza política do processo educativo quanto negar o caráter educativo do ato político. Quanto mais ganhamos esta clareza através da prática, mais percebemos a impossibilidade de separar a educação da política e do poder.
A relação entre a educação enquanto subsistema e o sistema maior são relações dinâmicas contraditórias. As contradições que caracterizam a sociedade como está sendo, penetram a intimidade das instituições pedagógica em que a educação sistemática se está dando e alterando o seu papel ou o seu esforço reprodutor da ideologia dominante.
3. “O que temos de fazer então, enquanto educadoras ou educadores, é aclarar assumindo a nossa opção que é política, e ser coerentes com ela na prática”.
A questão da coerência entre a opção proclamada e a prática é uma das exigências que educadores críticos se fazem a si mesmos. É que sabem muito bem que não é o discurso o que ajuíza a prática, mas a prática que ajuíza o discurso.
4. “Quem apenas fala e jamais ouve; quem imobiliza o conhecimento e o transfere a estudantes, quem ouve o eco, apenas de suas próprias palavras, quem considera petulância a classe trabalhadora reivindicar seus direitos, não tem realmente nada que ver com a libertação nem democracia”.
Pelo contrário, quem assim atua e assim pensa, consciente ou inconsciente, ajuda a preservação das estruturas autoritárias.
Só educadoras e educadores autoritários negam a solidariedade entre o ato de educar e o ato de ser educado pelos educandos.
Uma visão da educação é na intimidade das consciências, movida pela bondade dos corações, que o mundo se refaz. É, já que a educação modela as almas e recria corações ela é a alavanca das mudanças sociais.
5. “Se antes a transformação social era entendida de forma simplista, fazendo-se com a mudança, primeiro das consciências, como se fosse a consciência de fato, a transformadora do real, agora a transformação social é percebida como um processo histórico”.
Se antes a alfabetização de adultos era tratada e realizada de forma autoritária, centrada na compreensão mágica da palavra doada pelo educador aos analfabetos; se antes os textos geralmente oferecidos como leitura aos alunos escondiam a realidade, agora pelo contrário, alfabetização como ato de conhecimento, como um ato criador e como ato político é um esforço de leitura do mundo e da palavra. Agora já não é possível textos sem contexto.
A alfabetização de adultos e pós-alfabetização implicam esforços no sentido de uma correta compreensão do que é a palavra escrita, a linguagem, as relações com o contexto de quem fala, de quem lê e escreve, compressão, portanto da relação entre a leitura do mundo e leitura da palavra. Daí a necessidade que tem uma de biblioteca popular, buscando o adentramento crítico no texto, procurando aprender a sua significação mais profunda, propondo aos leitores uma experiência estética, de que a linguagem popular é inteiramente rica.
A forma com que atua uma biblioteca popular, a constituição do seu acervo, as atividades que podem ser desenvolvidas no seu interior, tudo isso tem que ser como uma certa política cultural.
Se antes raramente os grupos populares eram estimulados a escrever seus textos, agora é fundamental fazê-lo, desde o começo da alfabetização para que, na pós-alfabetização, se vá tentando a formação do que poderá vir a ser uma pequena biblioteca popular com a inclusão de páginas escritas pelos próprios educandos.

1.2 - O Povo diz a sua Palavra ou a Alfabetização em São Tomé e Príncipe
Segundo Freire com a alfabetização de adultos no contexto da República Democrática de São Tomé e Príncipe, a cujo governo vem dando juntamente com Elza Freire, uma contribuição no campo da educação de adultos como assessor, se torna indispensável uma concordância em torno de aspectos fundamentais entre o assessor e o governo assessorado.
6. “Seria impossível, por exemplo, dar uma colaboração, por mínima que fosse a uma campanha de alfabetização de adultos promovido por um governo antipopular”.
Não poderia assessorar um governo que em nome da primazia da aquisição de técnicas de ler e escrever palavras por parte dos alfabetizando, exigi-se, ou simplesmente sugerisse que fizesse a dicotomia entre a leitura do texto e a leitura do contexto.
Um governo para quem a leitura do concreto, o desenvolvimento do mundo não são um direito do povo, que, por isso mesmo, deve ficar reduzido à leitura mecânica da palavra.
É exatamente este aspecto importante o da relação dinâmica entre a leitura da palavra e a leitura da realidade em que nós encontramos coincidentes os governos de São Tomé e Príncipes e nós.
Todo esforço que vem sendo feito em São Tomé e Príncipe na prática da alfabetização de adultos como na da pós-alfabetização se orienta neste sentido.
7. “Os cadernos de cultura popular vêm sendo usados pelos educandos como livros básicos, com exercícios chamados Praticar para o Aprender. A linguagem dos textos é desafiadora e não sloganizado. O que se quer é a participação efetiva do povo enquanto sujeito, na reconstrução do país, a serviço de que a alfabetização e a pós-alfabetização se acham”.
Por isso mesmo os cadernos não são nem poderiam ser livros neutros, é a participação crítica e democrática dos educandos no ato de conhecimento de que são também sujeitos. É a participação do povo no processo de reinvenção de sua sociedade, no caso a sociedade são tomense, recém-independente do jugo colonial, que há tanto tempo a submetia.
É preciso, na verdade, que a alfabetização de adultos e a pós-alfabetização, a serviço da reconstrução nacional, contribuam para que o povo, tomando mais e mais a sua História nas mãos, se refaça na leitura da História, estando presente nela e não simplesmente nela estar representado.
8. “No fundo o ato de estudar, enquanto ato curioso do sujeito diante do mundo é expressão da forma de estar sendo dos seres humanos, como seres sociais, históricos, seres fazedores, transformadores, que não apenas sabem, mas sabem que sabem”.
O povo tem de conhecer melhor, o que já conhece em razão da sua prática e de conhecer o que ainda não conhece.
Nesse processo, não se trata propriamente de entregar ou de transferir às massas populares a explicação mais rigorosa dos fatos como algo acabado, paralisado, pronto, mas contar, estimulando e desafiando, com a capacidade de fazer, de pensar, de saber e de criar das massas populares.
Na alfabetização pós-alfabetização não nos interessa transferir ao Povo frases e textos para ele ir lendo sem entender. A reconstrução nacional exige de todos nós uma participação consciente em qualquer nível, exige ação e pensamento, exige prática e teoria, procurar descobrir de entender o que se acha mais escondido nas coisas e aos fatos que nós observamos e analisamos.
A reconstrução nacional precisa de que o nosso Povo conheça mais e melhor a nossa realidade.

2 - Análise das idéias do autor
Ao elaborar uma síntese das reflexões sobre o livro: A Importância do Ato de Ler e as relações da biblioteca popular com a alfabetização de adulto, leva-nos a compreensão da prática democrática e crítica da leitura do mundo e da palavra, onde a leitura não deve ser memorizada mecanicamente, mas ser desafiadora que nos ajude a pensar e analisar a realidade em que vivemos.
9. “É preciso que quem sabe, saiba sobre tudo que ninguém sabe tudo e que ninguém tudo ignora”. (FREIRE, p.32).
É essencial que saibamos valorizar a cultura popular em que nosso aluno está inserido, partindo desta cultura, e procurando aprofundar seus conhecimentos, para que participe do processo permanente da sua libertação.
10. “A biblioteca popular como centro cultural e não como um depósito silencioso de livros, é vista como um fator fundamental para o aperfeiçoamento e a intensificação de uma forma correta de ler o texto em relação íntima com o contexto”. (FREIRE, p.38).
Nesse sentido a atuação da biblioteca popular, tem algo a ver com uma política cultural, pois incentiva a compressão crítica do que é a palavra escrita, a linguagem, as suas relações com o contexto, para que o povo participe ativamente das mudanças constantes da sociedade.
“O processo de aprendizagem na alfabetização de adultos está envolvido na prática de ler, de interpretar o que lêem, de escrever, de contar, de aumentar os conhecimentos que já têm e de conhecer o que ainda não conhecem, para melhor interpretar o que acontece na nossa realidade”. (FREIRE, p. 48).
Isso só será conseguido através de uma educação que estimule a colaboração, que dê valor à ajuda mútua, que desenvolva o espírito crítico e a criatividade: uma educação que incentive o educando unindo a prática e a teoria, com uma política educacional condizente com os interesses do nosso Povo.

A Religiosidade do Milênio

by Francisco on sábado, 11 de dezembro de 2004

Semíramis Alencar


Durante séculos procuramos por Deus. Um Deus “Catholos”, universal, onipresente, onisciente e onipotente que protege-nos do mal e elimina nossos inimigos. Está nos salmos da Bíblia, no Evangelho e na história do povo hebreu, a evocação à guerra, a luta, uma terra prometida e as batalhas e sacrifícios de tantos povos, com a anuência de Deus.

Se nos agrada a idéia de um paraíso na Terra, por que falamos tanto na morte e na destruição? Se a idéia de religiosidade começa na destruição e aniquilamento de nosso semelhante, por que falamos de Deus? Se defendemos a idéia de um só Deus, por que este deve ser o “nosso”? Será que estamos sendo, de fato, religiosos? Não seria mais apropriado sermos irmãos?

Nas Cruzadas, idade moderna (séc. XVII), a humanidade era consciente da sua própria força racional e autonomia. Tentava-se impor a importância da igreja à ferro e fogo. A fé era fanatizada. A morte era sinônimo de purificação e remissão dos pecados daqueles considerados impuros, o que significou uma grande matança de inocentes entre mulheres, crianças e velhos.

Traçando um paralelo entre o período medieval e o período hodierno, verificamos uma transformação radical, no tocante a tolerância, a aceitação dos posicionamentos de outras crenças e povos.

Hoje, a busca dos valores interiores do homem, a compreensão e a tolerância entre outros povos tornar-se possível, dado que carecemos de uma visão de mundo mais fraterna e solidária.

O desgaste das relações humanas e seus problemas básicos que não encontram uma solução definitiva como a fome e as epidemias, aumentou a distância entre ricos e pobres. O progresso de nações como a África não é alcançado de forma rápida, as guerras impedem o processo de desenvolvimento.

A pós-modernidade não renega a tecnologia e nem os avanços científicos. O que ela propõe é um questionamento sobre uma forma mais racional de vida. A busca de condições de vida mais saudável em consonância com o divino, com o místico e com a fé em um Deus único, é o ideal deste pós-modernismo.

Este retorno ao sagrado busca curar as feridas da sociedade hodierna, na equalização dos pólos dispares da sociedade: o pobre e o rico. A experiência religiosa deverá converter sua doutrina para conseguir alcançar este objetivo e não somente ser uma atitude alienante que sirva de instrumento de dominação e imposição de leis e normas de conduta.

O termo religiosidade vem do latim religare que significa vincular, religar. Portanto, a proposta de uma nova religiosidade vem da vinculação pessoal do homem com sua origem e destino. A religião deve ser um modelo, um caminho para seguir e não instrumento de fanatismos.

Assim, o holismo é a proposta religiosa de um novo milênio. Todo o mundo deverá unir sua fé e sua doutrina para a conquista da paz. O dialogo inter-religioso não significa a reclusão ou o fechamento dos povos em seu próprio mundo. Lembremos do evangelho de São Paulo: “Examinai tudo e ficai com que é bom”.

Portanto, cada pessoa tem uma dimensão profunda em sua realidade, que é um mistério. Cabe a cada ser humano repensar a maneira de vivenciar a fé e como nos conduzimos para a criação do paraíso terrestre sonhado por cada doutrina ou filosofia religiosa.

A Fonte da Felicidade

by Francisco on terça-feira, 7 de dezembro de 2004

Francisco Antônio de Andrade Filho


A fonte da felicidade humana reside no Universo da Natureza, sua destruição habita na capacidade de o próprio Homem produzir a violência contra Ela. O segredo da ética da vida - do Bem da Cidade -, do bem político-social é acessado com a senha do dito de Kant, assim: Age exclusivamente segundo a máxima que te leva a querer ao mesmo tempo que ela se torne lei universal.

Na obra Tao Te Ching (Poema 19), Lao-Tsé pensa. Medita. Filosofa e cria novos conceitos:

De mil benefícios goza um povo
quando não se fala mais em ser virtuoso nem santo.
Verdadeira reverência e amor sincero
Medram em uma sociedade
Em que o direito e a moral deixam de ser prescritos.
A ordem não reina em uma sociedade
Onde o interesse determina o agir.
Esses princípios não podem ser prescritos,
Mas devem ser vividos.
Somente onde eles são vivenciados
É que ajudam os homens.
A ética genuína só existe
Onde o homem vive de dentro da sua fonte
E age pela pureza do seu coração;
Onde a genuinidade do seu ser
Se revela em atos desinteressados
E isentos de desejos.


Enquanto isso, nos dias de hoje, filosofamos. Refletimos o sentido da vida feliz. Buscamos a fonte da felicidade, aqui e agora..

Há uma palavra grega, que explica o sentido etimológico da concepção de ética como fonte de felicidade: “ethos”. Significa “domicílio”, moradia, o abrigo permanente, o país onde alguém habita, a casa onde se mora. Nossa casa. As instituições. A Faculdade Maurício de Nassau,onde se constrói, pelo trabalho, a felicidade dos cidadãos, velhos e moços . E aqui, entre outros espaços , verificamos ser o centro do “ethos” (moradia), e conforme Platão, o Bem que nos permite sentirmo-nos bem em casa. A coexistência da ética profissional acarreta o bem-estar na prática pedagógica.

Esse BEM comporta exigências que vão para além de qualquer ser ou situação dada. A partir do “ethos”, o espaço do mundo selecionado se faz habitável, porque criamos hábitos, maneiras constantes de agir, de tratar as coisas da casa, de dividir os espaços, mediante os quais habitamos humanamente o mundo.

Esse termo “ethos” passou a designar a maneira de ser “habitual”, o caráter, a disposição da alma. Caráter é marca, sigilo, timbre ou disposição interna da vontade que a inclina a agir habitualmente, de determinada maneira. “Hábito”, para o bem ou para o mal, virtuoso ou vicioso, é quase segunda natureza, fonte de atos.

E, assim, descobrimos uma das senhas que dar acesso à fonte da felicidade, e a confirmamos nas condições existenciais e limitadas de nossas vidas. Somos felizes. E você?

A Sobrevivência Depois da Morte

by Francisco on segunda-feira, 29 de novembro de 2004

Francisco Antônio de Andrade Filho


Compreender a vida do ser humano é compreender seu sentido. Perguntar pelo sentido último da vida é colocar o homem numa atitude de reflexão de sua grandeza. É filosofar a vida e a morte. É encontrar e simbolizar suas condições existenciais de vida, aqui e depois da morte.É fazer viver sua vida, ir em frente, agir, modificar, transformar, buscar objetivos concretos e espirituais do ser humano.

Nesta próxima semana, 2 de novembro, dia de finados, os vivos povoam a Cidade dos Falecidos, onde os vivos se encontram com os defuntos. Almas vivas se abraçam com as imortais.

E à luz da Filosofia, indagamos: por que reverenciamos os mortos? O Filósofo, Dr. José Luiz Ames, responde assim, escrevendo no www.orecado.cjb.net

É precisamente aqui que entra a experiência da morte: na experiência do limite. Na morte nos deparamos com uma situação que nos atinge visceralmente, que toca a totalidade de nosso ser. Diante da morte, a vida se torna pergunta. Enquanto para a satisfação do desejo dependemos de nós próprios, a morte nos aponta para uma situação diante da qual somos impotentes. A morte atesta a impossibilidade do controle humano sobre a vida.

A sobrevivência depois da morte é um problema tão antigo quanto a própria história do homem. Foi uma preocupação constante do homem de todos os tempo.

Os mitólogos explicaram-na numa linguagem fantasiosa e que foge ao espírito científico do homem atual. Os teólogos, numa dimensão de fé, encontraram na Bíblia os mais sagrados e seguros argumentos a favor da imortalidade.

Seja como for, a verdade é que o ser vivo nasce para a vida despontando para a morte. Morte e vida de jovens e velhos representam duas faces da mesma realidade do ser-no-mundo. Só o homem tem consciência de ser-para-a-morte, desse inevitável destino do túmulo que lhe aguarda...sufocante, solitário, silencioso, escuro e úmido. Isso é uma tragédia para o homem que tem dentro de si mesmo uma ânsia incontida de se perpetuar no tempo, uma sede irresistível de não morrer.

Mas, morte tem sentido para a vida. Não há vida sem morte; nem morte sem vida. A vida continua depois da morte. Aqueles que sabem viver bem, tornam-se imortais.Moisés, Lao-Tsé, Sócrates, Jesus Cristo, Tomás de Aquino,Giordano Bruno,Gandhi, Martin Luther King, Vladimir Herzog, Chico Mendes, Josés, Marias, Joaquins, Pedros, brancos, amarelos, pretos, pardos, mulatos, índios...todos vivem.

A morte é um acontecimento necessário para dar ao EU pessoal possibilidade de um pleno desabrochar. A semente que para poder germinar a sua vida e suas potencialidades precisa morrer e por isso se volta para a terra desejando a morte. Assim também o homem para a plenificação do seu ser precisa morrer. É condição para viver a plenitude do seu ser.

E a vida continua...não termina com a morte. Que esta, no entanto, seja para o homem, não uma pesada porta que se fecha sobre si mesma, e sim uma leve cortina que se abre para a eternidade. E quando fatalmente vier, que encontre o homem em comunhão consigo mesmo e vivendo na justiça, no amor e na paz... e sobreviverá depois da morte.

Comentários de didática - propostas e observações aos professores

by Francisco on sexta-feira, 26 de novembro de 2004

Semíramis Alencar

Tudo o que move a nós, professores, tem a ver com a paixão. A paixão por ensinar, por iluminar a mente dos alunos fazendo-os descobrir as verdades de seu mundo. Por esta razão o olhar do professor deve percorrer atento à classe constantemente. Quando não há brilho no olhar do professor também não há no dos alunos.

Alguns conselhos para o docente em inicio de carreira:

• Comportamento Docente - Cuidados

O professor em classe ensina sempre – regra comum, mas com um grande senso de verdade. É uma lei didática que não tem como fugir. Ensina o professor por atos, atitudes; o educando aprende por exemplos e o professor é o seu modelo mais próximo.

Se o professor apresenta comportamento socialmente inaceitável, o aluno o reproduzirá, obviamente. Apesar de haver várias exceções para esta regra, o professor deverá ter o cuidado de estudar e se certificar de que seu tomo está devidamente recordado antes de passá-lo aos alunos.

Os apontamentos deverão servir para guiá-lo nos tópicos mais importantes ou nos mais difíceis, pertinentes à cada disciplina e como fonte de pesquisa e maiores informações aos alunos.

A melhor posição para o professor é pôr-se ao fundo da classe e convidar o interlocutor a colocar-se na frente para expor seu ponto de vista. Assim, o aluno tem a oportunidade rara de enfrentar um auditório com a responsabilidade do uso da palavra e da elocução clara.

Há vezes que alguns profissionais de educação esquecem de sua postura em sala de aula, portando-se como se estivessem numa sala de visitas ou numa mesa de bar. Em educação, as atitudes mais simples e os mínimos detalhes nos são falhos, portanto cabe avisar, uma vez que é um comportamento não muito bem visto em qualquer setor da sociedade.


• A voz

O instrumento principal do professor é sua voz, entretanto, a voz muito alta é cansativa e irritante, a voz muito baixa pode não ser ouvida, gerando mal-entendidos, pedidos de repetições, interrupções, equívocos e confusões.Numa aula, como na interpretação de uma peca musical, deve haver colorido, adequação da frase, da mímica, da expressão, aos motivos de cada tema.

A mesma altura da voz denota desânimo e monotonia, fazendo a classe tornar-se dispersiva e desinteressada.Nunca se iguale o mestre ao aluno malcriado. Nem de seus lábios saia palavra que não possa ser repetida. É exemplo do mestre, a grande força formadora.


• O ato de ensinar

O ato de ensinar consiste num esforço de clareza e este é feito para proveito do aluno; mas quando levado a bom termo, aproveita também ao docente. Ensinando, aprende-se. Ser didático é antes de tudo, ser acessível, simples e claro. Como tal deverá ser a linguagem do professor: clara, sem preciosismos, natural.

Convém ter presente ao espírito que a “discriminação” das “matérias” do programa e sua distribuição a professores próprios são decorrências da divisão do trabalho científico e do trabalho didático, mas não significam que tais matérias passar a constituir compartimentos estanques da cultura intelectual ou domínios privativos dos respectivos titulares.

Se assim fosse, se transformaria num mosaico de “ciênciazinhas” justapostas, mas não comunicantes, contra o objetivo da escola que é dar a juventude, uma cultura geral orgânica e sólida e não um quebra-cabeça de informações mais ou menos eruditas e de várias procedências.


• Quanto ao comportamento do discente

É falsa a noção de que disciplina consiste num estado de quietação, de mudez e submissão passiva dos alunos ao professor.

Os atos de indisciplina dos alunos, investigados psicologicamente, são em grande parte resultantes de frustrações na aprendizagem e na vida escolar em geral, a que se juntam as emoções de medo e de cólera, conseqüentes; de mais a mais, um exame de consciência, sincero e imparcial, do professor, poderá persuadi-lo de que muitas de suas manifestações indisciplinares em sala devem ser levadas à conta de deficiência da escola e do próprio docente.

O professor deve estar consciente de que a classe em que leciona não é um palco para sua performance oratória ou uma banca de menestréis que estão a avaliá-lo em seu domínio teórico acerca de sua especialidade. O professor deve estar consciente da arte de educar que ele deve executar.

O professor não deve se irritar com o riso dos alunos por questões comuns ou pequenos gracejos acerca de fatos ocorridos no cotidiano que sejam de menor relevância. Rir com os alunos quando o motivo permite é humano e saudável. Aula é convívio este convívio deve ser dado de forma amena e amistosa garantindo um ambiente produtivo e estimulador.

Salvo em casos em que a classe esteja realizando um trabalho contínuo ou se a classe estiver de livre e espontânea vontade por conta de um trabalho docente qualitativo e de grande interesse por parte dos alunos, é desejável que não haja interrupções de espécie alguma.

Contudo, em nosso sistema de ensino usual, para o bem dos alunos e principalmente do próprio docente, é necessária uma pausa para que seus alunos não se irritem diante de tanta monotonia e não ponha a perder o conteúdo estanque já passado.


• A liberdade do ensinar

A escola que se aparta da vida, perde sua razão de ser. A escola de hoje não é mais a representante da elite social de outros tempos menos afetuosos onde a ambição familiar de carreira consolidada se fazia a obrigação da escola. a escola de hoje visa criar seres humanos mais bem preparados para o convívio solidário na sociedade e não a competitividade e o capitalismo desumano e excludente.

O aluno tem direito aos esclarecimentos, o professor tem o dever de dá-los. A resposta do professor não deve ser nunca direta e resumitiva sobre a questão. Não deve abafar ou abater o interesse e a curiosidade dos alunos que se revelam nas interrogações. Todavia todo o pedido de esclarecimentos deverá ser formulado para toda a classe e da mesma maneira, deverá o professor responder para toda a classe com clareza, simplicidade, objetividade e humildade sem ostentar conhecimento ou vaidades.

Pode-se dizer que o professor fica conhecendo melhor o aluno que faz as perguntas do que ouvindo deste apenas as respostas. É sabido que os alunos tidos como questionadores são muitas vezes os mais vivos e interessados no estudo, os que menos perguntam ou não tem muito gosto pelo estudo ou mesmo não sentem necessidade de tantos aprofundamentos, uma vez que entenderam a matéria de pronto.

A partir desta diversidade o professor deverá observar que os alunos mais curiosos, de certa forma, conduzem a classe para uma aula mais participativa, ativa e menos enfadonha, como acontece ainda hoje no sistema tradicional das nossas escolas.

O homem pensa porque fala; porque é dotado da palavra que o homem pode elevar-se à reflexão abstrata e construir o seu sistema lógico de conhecimentos. O que é palavra para o professor pode não ser mais do que conversa fiada para o aluno. O vocábulo precisa ser significante para quem o emite e significativo para quem o ouve.


• Deficiências didáticas

Se as perguntas dos alunos interrompem constantemente o fluxo da aula e o raciocínio do professor, é sinal de que o mesmo esteja carecendo de algumas deficiências didáticas.

Quem escreve, lê duas vezes, quem copia o que estuda, estuda duas vezes mais; jargões utilizados de mestre para mestre e comprovados pela maioria dos alunos em todos os tempos.

Todavia, a proximidade do mestre tolhe a espontaneidade e diminui a eficiência do aluno; cabe ao professor, enquanto um aluno desempenha alguma tarefa no quadro, observar o restante da classe, deixando o aluno livre para pensar e desenvolver o exercício sem qualquer tipo de pressão.


• Instrumentos de aprendizagem e materiais didáticos

Para um bom rendimento do processo de ensino-aprendizagem é crucial que o professor tenha uma letra legível, saiba os rudimentos de desenho ou se esforce para obtê-lo. Não é tempo perdido o esclarecimento visual aos alunos sob forma de ilustrações, gráficos, mapas, etc. se o professor não tem o talento para desempenhar estas ilustrações, que encontre uma outra forma impressa de exibi-las.

No entanto, a boa disposição do material gráfico no quadro-negro suscita e dirige o processo da percepção e assim, o da aprendizagem.

O uso do quadro-negro em muitas disciplinas é imprescindível. Como tal também é a atenção do professor no uso deste instrumento tão comum de apoio ao ensino. A ordem conduz a clareza. Para um bom uso do quadro-negro é importante que o professor saiba como dividi-lo e usar bem suas seções e espaços.

O professor consciente de seu oficio sabe que ele não é apenas um fornecedor de idéias pré-fabricadas. Cabe-lhe, portanto, cultivar e inculcar hábitos de ordem, de limpeza, de trabalho, de clareza, atitudes de curiosidade, de iniciativa, de cooperação, ideais de vida humana superior tendo como exemplo, o seu próprio comportamento.

O professor deve proporcionar aos alunos, fontes de pesquisas e leituras além do que está pré-estabelecido no compêndio. Muitas vezes, os alunos se desinteressam das aulas devido às parcas informações disponíveis em seus livros escolares e o desinteresse do próprio professor em proporcionar estímulos para a descoberta de saberes e a elaboração de pesquisas acerca dos assuntos abordados.

A conseqüência deste fato é o desleixo na resolução das tarefas escolares e a limitação do processo de aprendizagem que se transforma numa simples decoreba de pontos do livro didático.


• A lectio e a prática de ensino pelo ditado

Uma pratica que ainda é muito difundida entre os professore e aplicada em muitas escolas é a leitura de textos retirados do livro didático adotado pela escola. O professor até pode utilizar este método contanto que permita e estimule o livre exame, o debate, o confronto com outros textos, a crítica, a pesquisa, Porém lamentavelmente não é o que acontece.

O professor acaba retrocedendo à tempos medievais, quando adotava a lectio; a leitura a saber e ser decorada; o mestre naqueles tempos lia e comentava a lição autoritariamente, sem que o aluno fizesse qualquer comentário ou divergisse acerca de sua preleção.

O princípio da autoridade, o culto do compêndio e o magister dixit devem ser banidos das escolas. No mundo hodierno nada retém a verdade nem a detém. Não há uma verdade absoluta, todas as idéias devem ser consideradas e analisadas, dados os interesses da sociedade. A função do livro, da cartilha ou do resumo é meramente supletiva. Somente quando a escola carece de uma biblioteca dotada de boas fontes de consulta é que o compêndio assume importância.

O ditado é a velha prática escolar, cômoda maneira de dar lições, irmã da cópia e serva dos exames, contra a qual têm protestado professores e pedagogos esclarecidos de todos os tempos.

O ditado conduz ao jovem e ao adolescente a preguiça mental, o saber memorístico que serve tão somente para angariar boas médias, sendo descartado rapidamente.

Lógico que o ditado, apenas para fins especiais e em algumas circunstâncias é um recurso útil e importante. Como meio de verificação da aprendizagem, sob forma de sabatina ou exame das línguas vernácula e estrangeira, com fim de averiguar os resultados do ensino.

O ato de ensinar não deve ser concebido como o ato de transmitir idéias por intermédio do puro simbolismo lingüístico ou na voz que é designada para tanto, tampouco é o ato de aprender um mero receber na forma falada, idéias feitas, acabadas e prontas.

Cabe ao professor submeter o objeto de estudo a um tratamento didático, organizando o conteúdo, a exposição, os exemplos, ilustrações e exercícios de forma a oferecer aos seus discípulos, condições necessárias a sua compreensão e suficientes à elaboração de idéias claras e objetivas acerca do objeto de estudo.


• Questionários, sabatinas e argüições avaliativas.

O questionário ou a sabatina deve ser usado com parcimônia para que o processo de verificação da aprendizagem não se torne uma atividade monótona e entediante. Este método deverá surgir como uma forma de suscitar dúvidas e dirigir a atividade mental para que conduzindo a clareza, motivar a reflexão e o estudo.

As perguntas deverão propor os problemas, suscitando a intervenção da inteligência para a descoberta ou construção da resposta. O melhor é que, ao dirigir uma pergunta, que esta para toda a turma, indicando em seguida, o aluno que a responderá.

A repetição é a mãe dos estudos, mas tais repetições são estéreis e devem ser banidas da escola pela sonolência e distração que infundem aos alunos.

A sabatina também não deve ser usada como forma de castigo, como qualquer tipo de punição ou elemento de avaliação definitivo (prova). A pergunta didática não visa exclusivamente à resposta correta. Sua função é mover o aluno em busca de respostas, a partir do pensamento, à atividade, pesquisa e reflexão.


• Os conteúdos programáticos e a ação do docente

O professor, embora deva seguir um quadro cronológico, não deve se tornar obcecado pelos programas a ponto de considerar qualquer esboço, atividade ou explanação, perda de tempo. Para a educação, toda a forma de saber, de aprendizado é válida. A educação começa na escola, com bases nesta instituição, a educação do indivíduo se prolonga no decorrer de sua vida.

O professor vive seu ofício subordinado ao seguimento de horários, grades e currículos e muitas vezes fica encurralado no dever de cumprir os programas de ensino. Sacrificando a qualidade e a quantidade do ensino, compromete também sua postura pedagógica, quando ao fim do ano letivo, cobra de seus alunos um aprendizado inexistente, com bases em seu programa dado de forma ineficaz e ineficiente.

Devemos então conduzir com arte os alunos de forma que estes descubram algo novo por si próprios. Quando o aluno descobre algo novo, fica ansioso e motivado para novas descobertas, dedicando-se ao trabalho com redobrado interesse e afinco, o que lhe proporciona um aprendizado mais deleitoso.


• Igualdade do ensino para todos

Todos os alunos ao olhar do professor, salvo em casos de avaliação da aprendizagem, deverão ser considerados iguais e dados os mesmos incentivos e possibilidades para se expressar. As classes são heterogêneas, cada indivíduo tem suas peculiaridades e condições sejam elas: sociais, econômicas, religiosas, raciais ou físicas. O professor está na escola para proporcionar a educação de todos, sem distinção ou preconceitos.

O ensino deve ser adaptado ao alcance médio da classe. Sempre que a matéria dada permitir, deverá o professor incentivar o trabalho de equipe como uma forma de substituir a aula expositiva. Os trabalhos em equipe constituem um meio favorável à interação social e o desenvolvimento de capacidades que dão suporte ao futuro do aluno enquanto indivíduo seguro e maduro no convívio social quando alcançar a maioridade.

Quando o professorado se detém a minúcias, a discussões bizantinas da metodologia a ser desenvolvida e aplicada em seus alunos, perdem sim, um tempo precioso.

A estas minúcias observamos os conteúdos programáticos, sinopses, sumários e apontamentos desnecessários que apenas servem como um anúncio da matéria que será dada. Num primeiro momento, esta prática é desnecessária ao alunado, pois o que estes precisam é da objetividade e a clareza das informações.

Dar um resumo da matéria antes desta ser dada constitui num contra senso, uma vez que, nada pode haver para resumir. O resumo da matéria deve partir das dúvidas freqüentes e suscitadas pelos alunos, depois de dadas as explicações e explanações acerca de determinado assunto.

O ideal é seguir a didática dos romanos: “non multa, sed multum” não muitas coisas, mas muitas vezes; e de forma diferenciada, inovadora, diferente: “non nova, sed nove” não muitas coisas novas, mas de maneira inovadora.

Para as aulas não começarem de forma cansativa, é interessante formar com os alunos, pequenos grupos de dois ou mais alunos que farão, a cada dia, nos cinco minutos iniciais da aula, um apanhado da unidade de ensino anteriormente estudada; os temas que foram abordados e principais ilustrações ou idéias que ficaram registradas da aula anterior.

Isto porque nenhum assunto novo deve ser apresentado abruptamente. As respostas obtidas dos alunos em relação à aula anterior já dão indicações mais ou menos claras a respeito do que eles já sabem ou pensam sobre o assunto.


• Interdisciplinaridade e transdisciplinaridade.

O professor também deve de estar atento para a transdisciplinalidade e interdisciplinalidade em que estão inseridas suas disciplinas, deve usar como exemplos de sua matéria, assuntos e temas ligados às outras disciplinas.

O erro do professor nesta parte consiste não apenas em isolar sua disciplina como se a escola fosse feita somente para sua visão de ensino, mas deixar de adentrar-se nas disciplinas de outros docentes com a desculpa de não querer interferir na disciplina do colega ou de confundir a mente dos alunos com conceitos que mais cedo ou mais tarde terão de conhecer. Nestas condições, o programa de ensino se transforma em arquipélago de matérias.

Quando os alunos apresentam qualquer dificuldade em apreender o que está sendo dado, cabe ao professor observar seu modo de ensinar, como está abordando sua disciplina, qual o seu sistema de aplicação de exercícios, seus modelos, etc.. De nada adianta impacientar-se com o aluno, encolerizando-se e dando a entender aquele aluno que ele é um caso perdido e que não tem mais jeito.


• O exemplo como forma de aprimoramento didático

É inadmissível a um professor afirmar que um aluno é um caso perdido. Um educador de fato insiste com o aluno até ele aprender, compreender e seguir junto à turma, mas sempre ao lado do professor. Cabe ao professor buscar os meios: assistir aos menos dotados, argüí-los com mais insistência e conversar sobre o que eles têm dúvida, onde surge o problema.

Através dos modelos a criança encontra os estímulos visuais que lhes são imprescindíveis uma vez que a criança memoriza melhor aquilo que ela pode ver, tocar, experimentar ou ouvir (audiovisual) assim o processo de ensino aprendizagem estará plenamente favorecido, dirigido a sua atividade perceptiva.

Todo ser humano se guia pelo exemplo desde a mais tenra idade. O professor é um destes modelos em que a criança busca orientar-se. Ao professor cabe a missão de se permanecer integro e sempre ser o elemento de admiração da criança.

O exemplo consiste na alusão a alguma coisa que se compõe ser do conhecimento do interlocutor, ouvinte ou aluno. Por isso mesmo, os melhores exemplos, para fins didáticos, são os que evocam fatos da vida e da experiência real anterior dos alunos.

É desejável que o professor multiplique os exemplos para crer pertençam ao elenco de experiências da vida do maior número de alunos. Melhor ainda seria pedir aos próprios alunos que apontem fatos, situações, tragam objetos, fotos, reportagens sobre determinadas matérias abordadas em classe para um estudo participativo, aprofundado e deleitoso.

Os filmes, seriados, desenhos animados, documentários de redes educativas de televisão constituem ferramentas de fácil acessibilidade e estímulos rápidos, se trabalhados conjuntamente às matérias dadas no decorrer do ano letivo.

A mente da criança é perceptiva, ágil e dinâmica, quando oferecidos os estímulos desta natureza, favorece a imaginação, o gosto pelo aprender a ler e escrever pequenos textos.



Estudo baseado nos livros:

• Didática mínima – Rafael Grisi
• Didática Magna – Comênius
• Didática – Bom para quem aprende, excelente para quem ensina