Semíramis Alencar
O ser humano é uma corrente de relações. Estão encadeadas entre outros elos que interagem em um determinado espaço físico e um universo de inúmeras possibilidades.
Nesse universo infinito de situações, o homem também se descobre e mostra a sua personalidade, o seu “eu” interior, que interage e se adapta ao universo com os outros de forma harmoniosa, permitindo o afloramento de bons sentimentos.
Com estes bons sentimentos florescem também as amizades, as relações amorosas, a cumplicidade todas em consonância com o transcendente, com o sagrado: Deus.
Enquanto seres criados, os seres humanos têm a capacidade de amar, compreender, dialogar, decidir, libertar, socializar-se, uma vez que são seres inteligentes que possuem a capacidade de pensar pois são oriundos de um núcleo social, logo convivem com outros membros.
Cabe ao ser humano aceitar a si mesmo e também aceitar ao outro, com suas divergências ou contradições e desagrados, porque cada ser é único e esta individualidade é o que preserva a autonomia e a transcendência de nossa sociedade.
Na educação, a criança deverá ser estimulada para alcançar os quatro pilares estruturais do aprendizado: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser.
A escola é onde o conhecimento e as bases da vida em sociedade começam. É quando se começa a conviver com os direitos e deveres, o lazer e a obrigação, a teoria e a prática, bem como o conhecimento de sua própria personalidade.
É na sala de aula que acontece a amizade, a empatia, a inimizade e a antipatia entre seus subgrupos. Ao professor compete promover com seu poder de empatia, a harmonia de convivência entre seus alunos.
O professor, no entanto, deverá estar ciente de sua função de educador, portanto deverá estar constantemente bem informado acerca das mudanças em seu país e em seu estado e município e principalmente procurando novas formas de passar os conteúdos de sua disciplina ao alunado.
A família não está excluída deste processo uma vez que a criança vem de seu núcleo familiar com uma história de vida, uma bagagem de sentimentos e atitudes e costumes provenientes de seu grupo familiar.
A escola aliada a família e a sociedade são as bases para a formação da criança em um adulto consciente, preparado para a vida social e para o mercado de trabalho.
Contudo, é necessário que todo o grupo escolar esteja ciente de que a educação é um elemento transformador de um ser. É preciso que todos saibam que ao semear a educação com devotamento e esperança é que será escrito um futuro digno e justo para a sociedade, que começa com a candura e a suavidade da mão do professor no tracejar das primeiras letras do aluno, conduzindo-o à luz do saber.
Francisco Antônio de Andrade Filho
Neste 15 de outubro estamos vivenciando nacionalmente o dia do professor. Com muita convicção, dedico este momento de reflexão como uma homenagem a esta data.
A primeira homenagem vem de Platão que, em diálogo com seu discípulo, Glauco, pensa assim:
O mestre receia os discípulos e os adula, os discípulos fazem pouco caso dos mestres e dos pedagogos. Em geral, os jovens copiam os mais velhos e lutam com eles nas palavras e nas ações; os velhos, de sua parte, rebaixam-se às maneiras dos jovens e mostram-se cheios de jovialidade e pretensão, imitando a juventude, de medo de passar por fastidiosos e despóticos.
E a Filosofia continua em diálogo, indagando: Dia do Professor ou do Educador? Que desafio maior é feito à Pedagogia nos dias de hoje? Seria detectar a formação do educador para o mercado de trabalho na atual sociedade da informática?
Educador e mercado de trabalho! Eis a tarefa de desmistificação pedagógica na atual educação globalizada. Neste tempo: professor ou educador? Submisso ao papel social da profissão ou aquele que tem amor e paixão pelo que faz? Aquele que reproduz os conhcimentos prontos e acabados ou aquele que desperta a consciência de que educar é desinstalar, questionar e criar?
O educador se envolve, com seu trabalho, na mundialização do Capital. É convidado a produzir uma nova convivência ética da Pedagogia no atual processo de globalização, a descobrir, pela pesquisa, uma outra relação entre trabalho e educação como prática do sistema econômico de hoje. O educador encontrará aqui o significado pedagógico do trabalho como uma especificidade da prática educativa, como processo de emancipação de uma nova sociedade.
Seria esta atitude reflexiva, da razão filosófica, uma maneira de prestigiar esta data? Estaria indicando os novos caminhos de suas realizações profissionais frente às novas necessidades humanas do mundo de hoje?
Neste sentido, o pedagogo é um ser criativo, inovador e produtor de um processo que resulta na emergência de algo novo e original. Ele é empreendedor. Experimenta uma nova prática pedagógica na Internet.
* Francisco Antônio de Andrade Filho é PHD em Lógica e Filosofia da Ciência, área de concentração/Filosofia Política/UNICAMP/SP. Currículum Vitae Resumido.
Francisco Antônio de Andrade Filho
Montesquieu (1689-1755), pensador clássico em Filosofia Política, do Iluminismo francês, escreve, entre outras obras, O Espírito das Leis. Nesta obra, pensa: “a liberdade é um bem tão apreciado que cada qual quer ser dono até da alheia”. E insiste: “A liberdade política, num cidadão, é esta tranqüilidade de espírito que provem da opinião que cada um possui de sua segurança; e, para que se tenha esta liberdade cumpre que o governo seja de tal modo, que um cidadão não possa temer outro cidadão”.
Esta concepção de liberdade é marcante para a história moderna mundial: o Iluminismo francês do século XVIII. O filósofo nasceu numa época em que se inaugura uma nova forma de pensar e de agir do homem em sua capacidade de inovar, de produzir ciência frente as grandes descobertas do seu tempo. Neste processo histórico, constatou-se um verdadeiro movimento intelectual que teve na França esta sua maior expressão.
Nesta busca, o homem passou a questionar as idéias que sua cultura lhes oferecia e passou a usar a razão como instrumento de poder. Nesta dimensão política, conseguiu relacionar a temática “Ética e Cidadania” com a liberdade de pensar. Essa postura filosófica favoreceu em muito a burguesia que inteligentemente se apropriou deste progresso das ciências e das artes, assim dito por Jean Jacques Rousseau, para, com esse poder do saber, entrar em conflito com o absolutismo e as aristocracias. E entra em choque com a nobreza e o clero, culminando com a Revolução Francesa.
Observa-se que Montesquieu concebe um novo conceito de lei, estabelecendo relações entre si desde a sua criação. A lei determina não apenas a vida privada (moral), mas também política (ética) dos povos.
Logo no início do Livro XI, Montesquieu percebe a realidade da lei-relação através da qual produz o saber jus - filosófico não isolado, mas interligado com o todo. Que "todo" é esse? Esse todo é a relação da liberdade política não fechada em si mesma, em sua particularidade, mas em sua relação com a Constituição, com o cidadão e com o mundo da economia. E assim fala: distingo as leis que formam a liberdade política em sua relação com a constituição, das leis que a formam em sua relação com o cidadão. O que é liberdade de política em sua relação com a constituição? Quais as diversas significações dadas à palavra liberdade? Investigamos a maior expressão ética do homem: sua liberdade.
Montesquieu concebe, assim, liberdade no sentido político. Procura associar a liberdade política com a ordem constitucional vigente. Mas em que consiste a liberdade política? Ele responde: A liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem. E argumenta: se um cidadão pudesse fazer tudo o que elas proíbem, não teria mais liberdade, porque os outros também teriam tal poder. E alerta: É verdade que nas democracias o povo parece fazer o que quer; mas a liberdade política não consiste nisso A liberdade consiste em fazermos algo sem sermos obrigados assim agir. Pois, continua a pensar, numa sociedade em que há leis, a liberdade não pode constituir senão em poder fazer o que se deve querer e em não ser constrangido o que não se deve desejar.
Nos capítulos seguintes, Montesquieu insiste ainda a conceber a liberdade política limitada pela moderação do poder. Para ele, os sistemas democráticos e aristocráticos, essencialmente, não são livres exceto quando neles não se abusa do poder, o que para se conseguir é preciso que pela disposição das coisas o poder freie o poder. E ironiza: Quem diria! A própria virtude tem necessidade de limites. De fato, a experiência histórica é pródiga em comprovar tal afirmação do iluminista francês. O homem que tem o poder é tentado a abusar dele. É preciso limitá-lo, frear seu desejo de comando. Só pode existir liberdade quando não há abuso do poder. Estabelece então, condições necessárias para a concretização da liberdade política como uma expressão de valor para a cidadania. E pensando na consolidação de um Estado livre, Montesquieu vai afirmar que somos livres porque somos governados por leis que orientam nossa vida em sociedade. A moderação do poder constitui princípio basilar da liberdade política. Pois, uma constituição pode ser de tal modo, que ninguém será constrangido a fazer coisas que a lei não obriga e a não fazer as que a lei permite.
Pelo exposto, sustento que Montesquieu é um pensador inserido na História do Século XVIII, quando a liberdade de pensar era o princípio central da qual derivam a natureza das leis, não fora da realidade, mas do homem histórico, real, desse tempo. Tornou-se um clássico da Filosofia Política Moderna. Para ele, as instituições jurídicas emergiam do povo e como resultado da ação de fatores naturais e culturais. Eis um método diferente, revolucionário para o pensador iluminista na França.
E os pensadores jus-filósofos, da atual sociedade tecnoglobalizada, como produzem a ciência do Direito nas Academias? Como estão desafiando os novos fatos do mundo de hoje, de interesse do Biodireito: Transplantes de órgãos humanos, clonagem, transgênicos, células-tronco, Inseminação in vitro, entre outras invenções das tecnologias da inteligência humana?
Semíramis Alencar
A função da escola é formar indivíduos aptos para escrever, ler e se relacionar com outros indivíduos, à partir da compreensão do léxico. Mais do que isso, a escola forma o cidadão para interagir e transformar o seu meio.
Garantir a democracia é tornar a cultura acessível à todos, fornecendo informações necessárias para melhor compreensão do universo em que vivem. Sem a escola não há base cultural mínima necessária para que o indivíduo acompanhe os progressos da sociedade e progrida intelectualmente.
A democratização da cultura começa na escola. Desde as primeiras séries do Ensino Fundamental, quando incentivamos a criança a pensar sobre o seu cotidiano, sobre os núcleos e filosofias que a cercam até, e principalmente, o Ensino Médio quando o aluno já deverá de ter as bases de conhecimento do mundo para que possa agir em sua transformação, no contato democrático com seus semelhantes.
No entanto, a escola deverá estar consciente de que a educação é mais do que o repasse sistemático de informações e conceitos. A escola é onde acontece o preparatório para a vida em sociedade e a formação do ser humano com bases na ética e no conhecimento sócio-histórico de seu país.
Como desenvolver a democracia cultural dentro da escola? à partir das vivências dos próprios alunos, vindas de sua própria comunidade, através de questionamentos sobre suas principais necessidades à níveis municipais, estaduais ou nacionais na medida em que o alunado vai transcendendo os níveis escolares.
A criança tem um interesse natural por sua cultura. Ela manifesta isso à cada momento: ao pedir para uma estória ser contada, ao perguntar pelo passado de seus pais ou avós e para saber suas raízes. A cultura começa a ser democratizada à partir do momento em que a criança divide estas experiências com outras.
Quando adolescente, seu interesse em compreender as tradições e as transformações de sua cidade são de suma importância para a preservação de sua tradição regional e para a fruição das discussões acerca dos problemas sociais daquela comunidade em sentido mais amplo, traçar um paralelo com os problemas sociais do país.
Favorecendo a compreensão da realidade do educando e o incentivando à participação nas questões sociais é que se torna possível a democratização da cultura, possibilitando uma visão ampla e consistente da realidade brasileira e sua inserção no mundo, aliado ao desenvolvimento de um trabalho educativo que possibilite uma participação ativa dos alunos.
Semíramis Alencar
Partindo do pressuposto de que educar é um processo contínuo, não restrito as paredes das escolas, cabe aos educadores criar um ambiente estimulador para que os alunos aprendam por si, descubram o que eles já sabem.
O educador tem o dever de respeitar as experiências anteriores de seus discípulos promovendo os melhores métodos que favoreçam a construção da identidade do educando conduzindo-o à profissionalização, ao mesmo tempo em que informa, desenvolve as habilidades de compreensão, emoção e comunicação que lhes possibilite tornar cidadãos realizados e produtivos.
Aprender depende também do aluno, de que ele esteja pronto, maduro para incorporar a real significação que essa informação tem para ele, para incorpora-la vivencialmente, emocionalmente. O aluno é um cidadão em desenvolvimento, ele só aprenderá o que tiver real significação para sua vida prática.
A personalidade do professor é decisiva para o êxito do ensino-aprendizagem, todavia, muitos não sabem explorar todas as possibilidades da interação. Os grandes temas da educação são coordenados, iniciados e motivados pelo professor, mas pesquisados pelos alunos: simultaneamente, em grupos, em duplas ou individualmente.
É importante educar para a autonomia, para que cada um encontre seu ritmo de aprendizagem, fazendo isso de forma que também eduque para a cooperação, para aprender em grupo, com o grupo e no propósito de auxiliar o grupo, intercambiando idéias, participando de projetos e realizando pesquisas em conjunto.
Os alunos aprofundam suas leituras em casa, com os textos impressos via internet; fazem novas sínteses, levantam novas hipóteses, colocam os problemas que os textos suscitam, os relaciona com a realidade. A sala de aula é a sala de debates onde o professor coordena as discussões, esclarecendo dúvidas e englobando as informações trazidas.
Os cursos oferecidos poderão ser predominantemente presenciais ou virtuais, isto dependerá do tipo de matéria, das necessidades concretas de cobrir a falta de profissionais em áreas específicas ou de melhor aproveitar especialistas de outras instituições que seriam difíceis de se encontrar.
O contato com educadores entusiasmados atrai, contagia, estimula tornando-os próximos da maior parte dos alunos. Mesmo que não haja plena concordância em suas colocações, o respeitamos. Com ou sem tecnologias avançadas é possível vivenciar processos participativos de compartilhamento do ensinar e aprender, através da comunicação mais aberta, confiante, de motivação constante, de integração de todas as possibilidades de aula-pesquisa/ aula-comunicação, num processo amplo de formação inovadora, de integração do objeto de estudo em todas as dimensões pessoais.
As mudanças na educação também dependem de termos administradores, diretores e coordenadores mais abertos que propiciem maior modernização do ensino, ampliando a capacidade produtiva dos novos processos pedagógicos em sua diversidade.
Semíramis Alencar
Brincar é uma arte. É a arte que a criança desenvolve com sua imaginação. As pessoas se transformam quando criam.
Sabendo que a criança não está preparada para lidar com a frustração, se desanimando rapidamente quando percebem uma dificuldade de aprendizagem, o brinquedo poderá ser de grande valia para a estimulação do processo de aprendizagem, se usado como apoio pedagógico. No entanto, é imprescindível o apoio e a participação ativa de pais e professores que contribuirão para a melhora da criança.
A família deve participar da vida escolar da criança bem como do espaço físico da escola, onde eles se integrarão com professores e outros pais para melhor debater acerca das possibilidades de estímulos para seus filhos. O professor, sempre que observar qualquer dificuldade deverá sempre observar e questionar o comportamento da criança.
Cabe ao professor ainda ter um objetivo definido para estimular a atividade com brinquedos. O brinquedo obriga a criança a pensar, o brincar pedagógico exige atenção e orientação do professor. Quanto mais a criança brincar, mais abrangente será sua aquisição de linguagens e conceitos.
Trabalhar a carência afetiva é importante para o crescimento da criança. Com os brinquedos podemos fazer com que ela apreenda os conhecimentos, de forma socializada e estando feliz, uma vez que ela está fazendo o que mais gosta.
O brincar é uma atividade vital para a criança, é a maneira pela qual ela descobre seu mundo, levanta hipóteses, pensa e reflete sobre ele em consonância com a vida dos semelhantes. Toda criança tem no brinquedo a realidade que ela não pode viver. O brinquedo traduz para a vida real a própria realidade infantil.
Por exemplo, Quando a criança brinca de casinha ela está projetando a vida em família de várias maneiras: como ela vê sua relação com a família; como ela gostaria que fosse sua relação com a família; situações que ela já presenciou; situações que ela criou à partir de leituras ou desenhos animados.
Enfim, seja o que a criança esteja brincando, ela sempre levantará hipóteses, refletirá sobre os comportamentos e as ações dos adultos nos quais ela estará se espelhando para a formação de sua personalidade e seu processo de socialização.
Semíramis Alencar
Para que serve a escola?
Basicamente, a escola serve para:
• Ensinar conteúdos e habilidades necessárias à participação do indivíduo na sociedade;
• Através de seu trabalho específico, a escola deve levar o aluno a compreender a sua própria realidade, situar-se nela, interpretá-la e contribuir para sua transformação.
• A escola é fundamental para a formação da cidadania. Por isso, nenhuma criança pode ficar excluída de seus benefícios.
• Todas as crianças têm o direito a uma sólida formação escolar.Todas têm o direito de sonhar e seguir seus sonhos, realizando seus projetos individuais e coletivos.
• Isto acontece quando pensamos em:
“Criar a escola que é aventura, que marcha, que não tem medo de riscos, por isso que se recusa o imobilismo.
A escola que se pensa, em que se atua, em que se cria, em que se fala, em que se ama, se advinha.
A escola que apaixonadamente diz “sim” a vida”.
Paulo Freire, educador pernambucano.
Como os processo de ensino-aprendizagem são muitos e variados, cada professor tem uma forma única de demonstrar e aplicá-los, uma vez que possuem uma idéia geral de como se dá o processo de aprendizagem dos alunos e assim como ele deve ensinar. Essas idéias orientam a forma de atuar em sala de aula.
Cada aluno é único e tem seu próprio ritmo de aprendizagem baseado nas suas experiências anteriores e externas à escola. A escola é o lugar de encontro dessas vivências, de alunos e professores e o debate acerca de temas de interesse comum à todos.
Preservar interesses, entender necessidades e tratar cada aluno de forma individualizada são aspectos centrais num ensino bem sucedido. A aprendizagem é o resultado de processos sociais e pessoais.