Edilton Siqueira
Já foi dito que a história dá voltas, e às vezes parece que isso acontece. Menos por fatalidades esotéricas e mais por situações que se repetem, o desenrolar de vários conflitos faz lembrar - e muito - realidades distantes. As semelhanças não se atém apenas às naturezas dos conflitos, mas também às "justificativas" para os mesmos. E em meio ao teatro de argumentos, a verdade permanece escondida atrás do pano, como quem aguarda o encerramento de uma encenação que não tem fim.
Todas as mentalidades mais ou menos esclarecidas sabiam que a revolta do povo iraquiano no pós guerra seria agressiva. Amenizar as diferenças entre invasores e invadidos exige soluções que vão muito além da propaganda televisiva ou do derrame de dólares, hambúrgueres e refrigerantes. No entanto, o que impressiona a muitos analistas, especialmente após os últimos ataques envolvendo organizações "independentes", como a ONU e a Cruz Vermelha, não deveria ser motivo para tanta surpresa se todos lembrassem um elemento fundamentalmente simples: o enraizamento cultural.
Não estamos falando, aqui, de dominação simplificada pelo extermínio, como foram as ocorridas na América Latina. Dizimando populações socialmente evoluídas mas enfraquecidas por guerras recentes ou baixa tecnologia (tupis, andinas, astecas etc.), os povos europeus conseguiram amalgamar seus valores junto a nossa tradicional tranquilidade e informalidade, promovendo situações impensáveis, como o desconhecimento de toda uma geração a respeito de sua própria raiz cultural (tome como parâmetro nossa "geração shopping center").
Acostumados a baixar suas regras onde quer que chegassem, do Império Romano à implantação da ALCA, o fato é que tornou-se regra comum para os poderes ocidentais a idéia de que a cultura clássica e suas derivadas seriam melhores ou mais elaboradas que as demais. É por isso que muitos valores absolutamente universais, como o equilíbrio oriental, por exemplo, ainda hoje são vistos mais como excentricidades da "turma da auto-ajuda" e menos como resultado efetivo de culturas com mais de 4 mil anos de formação.
Os puritanos parecem estar ainda assustados com as crescentes dificuldades impostas pela dominação em território iraquiano. Tomando como parâmetro o exercício representado pela tomada - e "manutenção" - dos territórios afegãos, os americanos devem ter considerado que seu dinheiro e propaganda seriam suficientes para convencer todos os filhos de Maomé de que, como numa Cruzada Moderna, estariam sendo agora libertados da opressão dos "infiéis", inicialmente no Iraque e depois no restante do Oriente Médio. Acontece que esses "novatos" estão pisando hoje no berço da civilização persa, na terra de reinados habilidosos como os de Hamurábi e Nabucodonosor, e isso definitivamente não se resolve com atitudes tão simples quanto trocar colares e espelhos por ouro e prata, ou mesmo petróleo.
Imanência cultural
A região entre o Tigre e o Eufrates já está acostumada às sucessivas tomadas de poder. Talvez por isso as culturas que permeiem a região tenham como uma das principais características a imanência na memória do povo, a despeito das adversidades a que estejam expostos. Foi assim com a cultura judaica, que persistiu ao domínio egípcio, ao cristianismo romano, ao holocausto nazista, e que hoje emprega toda sua flexibilidade comercial e rigidez moral no domínio do comércio norte-americano e, conseqüentemente, mundial. Não podemos crer que seja diferente para com as demais etnias que evoluíram sob condições semelhantes, na efígie do Islã, pois não há culturas melhores ou piores.
Nós, ocidentais, estamos acostumados a realidades que mudam de cara quase instantaneamente, talvez pela necessidade clássica de mudar de parâmetros ao sabor dos novos ventos, em face das novas conquistas. São diversos os momentos em que nossas tradições foram negadas ou se "torceram" para atender às exigências do poder. Somos fiéis claramente flexíveis, a exemplo de católicos modernos que conhecem a posição oficial do Vaticano sobre métodos anti-concepcionais, mas não hesitam em tomar pílulas ou mesmo usar preservativos.
Assim, é difícil compreender porque mulheres se sujeitam ao uso da burka sob um calor causticante; porque podemos passar horas dentro de um templo hindu e, na saída, encontrar nossas sandálias exatamente no mesmo lugar em que as deixamos; compreender que a resignação nipônica em virtude das adversidades não é um exemplo de fraqueza, mas o extrato de uma cultura que sabe que o tempo é senhor das escolhas, uma cultura capaz de se envergar como o bambu na ventania e ainda assim permanecer vivo, reconduzindo sua economia ao topo do mercado em pouco mais de 40 anos com absoluta maestria.
Suavizando o veneno da desigualdade
A inclusão da Cruz Vermelha e da ONU como alvos dos recentes ataques terroristas em Bagdá não representa outra coisa senão a negação generalizada dos nossos valores ocidentais e imediatos. Não se trata simplesmente de selvageria, como querem os "novos romanos", a taxar como bárbaros todos os povos para além do seu domínio. Tais atitudes representam, antes, o recurso de um povo no combate pelo seu espaço, pela sua terra, pelos seus princípios. Assim rechaçam nossa condolência internacional que anestesia a dominação, como quem evita a morfina que precede o veneno. Não se deixam enternecer pelos afagos de nossas "organizações independentes", mas cerram a um só golpe os próprios punhos e os nossos lábios e olhos. E o que assistimos como o terror da barbárie é para eles a luta desesperada pela sobrevivência.
Após o término dos primeiros combates, enquanto se apresentava a condição de Bagdá como cidade arrasada, alguém mencionou que a mesma já fora saqueada e destruída várias vezes ao longo da história, e que seria novamente reconstruída. Mais que um exemplo de resistência, essa constatação deveria servir-nos de alerta: que uma cultura forte sobrevive aos escombros de sua morada; e que não pode haver respeito aos direitos humanos quando não há respeito à cultura e supremacia de um povo. Por mais que os trabalhos de assistência sejam bem intencionados, é preciso lembrar que um povo acostumado a repressões, revoltas e guerras - inclusive santas, não será facilmente subjugado pelo trinômio "propaganda - dinheiro - piedade".
Talvez agora, quando os homens de jaleco branco se vêem visivelmente ameaçados pela fúria de quem teme mais perder a fé que a própria vida, as Nações Unidas tomem consciência de que apenas um princípio pode nortear o convívio de nossas culturas tão heterogêneas: o respeito. E se esse princípio não condiz com nossa realidade de mercado, nossa guerra de conquistas econômicas e nossa mídia de massa, é mais um sinal de que o erro está nos elementos que compõem nosso pensamento. Não foi a primeira vez que tal constatação foi tornada visível, e seguramente não será nossa última chance de aprender.
Já foi dito que a história parece dar voltas. Mas a verdade é que reconhecer os próprios erros é coisa complicada, e dar a mâo à palmatória tem sido tarefa quase impossível. Recuar, ceder espaços, viver e deixar viver, são atitudes que não condizem com a convivência entre leões, águias, falcões e outros bichos agressivos. Quando toda essa teimosia vai terminar, ninguém sabe. Talvez quando todos os povos do mundo já tiverem experimentado sua parcela do domínio universal; talvez mesmo nunca. Assim como na Idade Média, a Cruz não tem para todos o mesmo valor. E mais uma vez a terceira opção entre ela e a espada permanecerá escondida sob o pano, ao fundo do palco.
Recife, 28 de outubro de 2003.
Fernanda Arruda Kruel
Conforme matéria publicada no jornal Zero Hora, de 10/09/03, o Ministro da Educação, Cristovam Buarque, teria declarado à Radio CBN que, para ele, os jovens de classe alta não deveriam ter acesso às universidades públicas e, os que já têm, deveriam colaborar com o país, após formados.
Que as universidades públicas estão abertas à todos, é notório. Que tanto jovens de classe baixa quanto os de classe alta são inseridos, todos os anos, nessas universidades, também sabemos. No entanto, quantos desses alunos saem da universidade aptos e, principalmente, dispostos a trabalhar para o sistema público (aquele mesmo sistema que lhes proporcionou o estudo)? Poucos. Poucos, pelo fato de que a maioria, ou seja, os de classe alta, saem da universidade a fim de buscar lucro. E, lucro fora da rede pública. Afinal, vivemos em um mundo capitalista e não é pelo fato de termos nos formado em uma universidade pública que, necessariamente, devemos prestar nossos serviços, gratuitamente, ao sistema público.
Considero hipocrisia falar em colaboração. E os impostos pagos por nós, depois de formados, não contam como contribuição? E, enquanto os jovens de classe alta terão a obrigação de colaborar com o desenvolvimento do país, os governantes usufruem das melhores condições, sem terem de pagar por isso. Os ministros, particularmente, não pagam sequer habitação. Quase todos os seus gastos saem do "bolso" do governo, ou melhor, dos impostos pagos por nós, os quais são arrebatados por esses políticos.
Não é justo que o ensino público, seja ele proporcionado a ricos ou pobres, seja cobrado mais tarde. A questão está em ampliar as verbas e também as vagas para o ensino superior público e não em obrigar determinada classe social, no caso, a alta, a contribuir com o sistema após dele usufruírem.
* Fernanda Arruda Kruel, Acadêmica do curso de Letras/Inglês - UNIFRA, Santa Maria/RS
O Programa "Fome Zero" e a Exploração da Solidariedade Humana
by Francisco on domingo, 7 de setembro de 2003
José Luiz Ames
É difícil dizer qual traço nos torna radicalmente diferentes dos demais seres animais. Já houve quem dissesse que era o fato de sermos racionais, ou porque somos dotados da capacidade de linguagem. Sem entrar na discussão das diferentes hipóteses, quero avançar a seguinte idéia: o que nos torna ímpares é o fato se sermos capazes do gesto gratuito da doação. É verdade que também entre os outros animais a fêmea se doa às suas crias. No entanto, somente o ser humano é capaz de um comportamento solidário para com o outro, quer o conheça ou não. Assim, sou humano na mesma medida em que ajo solidariamente para com o outro. Quem se fecha em si mesmo nega sua própria humanidade e se reduz à animalidade.
Esse desejo de fazer o bem ao outro é cultivado, sobretudo, pelas Igrejas. Em qualquer uma de suas muitas denominações, os indivíduos são motivados ao comportamento solidário. Pertence aos seus princípios doutrinários motivar os fiéis a uma prática solidária como condição para uma vida plena neste mundo e na eternidade. As Igrejas instituíram a prática da solidariedade formando uma verdadeira rede de proteção social. Todos conhecemos os diferentes mecanismos contínuos de promoção da solidariedade organizados por elas. Só em Toledo poderíamos forma uma lista extensa deles. O melhor de tudo é que, em geral, todos eles obtêm resultados extremamente positivos.
O êxito alcançado por essa instituição da sociedade civil, entre outras que não referimos por economia de espaço, despertou a cobiça do Estado. O programa "Fome Zero" vem se constituindo num instrumento de caridade pública. Apesar de a propaganda oficial alardear que essa é apenas a ponta visível do programa e que o objetivo é implantar mecanismos de erradicação definitiva da fome, nada de concreto foi apresentado nesta direção até o momento. Assim sendo, o programa governamental se mostra uma tentativa de substituir a sociedade civil na sua histórica missão de assistência.
Em princípio, parece não haver nada demais nesta ação governamental. O problema todo surge quando refletimos sobre o significado da prática solidária para as pessoas. Enquanto se constituía numa prática das instituições da sociedade civil, notadamente das Igrejas, o ato de doar é motivado pela gratuidade. A recompensa pelo gesto de doação é um sentimento bom de fazer o bem. O único promovido pela ação é o necessitado, o destinatário do gesto gratuito de solidariedade.
A partir do momento em que o Estado assume a tarefa de promover a assistência em base ao apelo ao sentimento humano de solidariedade, o gesto perde toda a sua beleza. Mais do que o necessitado, os defensores de uma determinada ideologia política se beneficiam com o gesto de doação. O Estado explora o sentimento de solidariedade instrumentalizando-o a favor de interesses partidários. Quando as pessoas, motivadas pela massiva campanha publicitária oficial, começarem a tomar consciência disso, rejeitarão o gesto de doação. Ninguém suporta ser usado. Menos ainda quando usam o que temos de mais digno: nossa bondade.
O Estado, sabidamente um agente corruptor, é incapaz de agir desinteressadamente. Se ele quiser fazer caridade, deveria utilizar um pouco dos 37% da riqueza que ele expropria dos cidadãos através dos impostos. É uma indignidade explorar o belo sentimento de solidariedade humana a favor de um programa de governo. Essa prática é mais grave do que toda espoliação provocada pelos tributos aplicados aos cidadãos, pois mata na raiz o que temos de tipicamente humano: nosso sentimento bom de ser solidário.
* José Luiz Ames é doutor em Filosofia e professor da UNIOESTE/Campus de Toledo.
José Luiz Ames
Frente ao fenômeno da morte, duas posições se fazem possíveis: uma estritamente intelectual, outra pessoal-existencial. A atitude intelectual considera o fenômeno da morte como uma realidade que não afeta a pessoa nem exige dela uma decisão. Trata-se de interpretá-la unicamente à luz da razão. Esta postura, própria das ciências positivas, estuda objetivamente a morte como um fenômeno natural e inevitável comum a todos os seres vivos. Afora a explicação das causas da morte, não resta nela qualquer mistério a ser desvendado.
Na atitude pessoal-existencial, ao interpretar a morte, a pessoa interpreta-se a si mesma. A pergunta sobre a morte é uma interrogação acerca de si mesmo. A medicina pode ter explicado porquê aquela pessoa morreu, mas nem por isso deixamos de nos interrogar sobre o sentido daquela morte. Por que morremos? Por que esta pessoa e não outra? Por que agora e não mais tarde? Por que desta maneira? Esses questionamentos revelam a insuficiência da atitude estritamente intelectual.
Por que esta experiência nos toca tanto? Somos seres de desejo. O desejo é sintoma de privação, de falta. Todo nosso esforço vai no sentido de realizar o desejo. Na satisfação do desejo, nem tudo tem a mesma importância. Somos tocados mais profundamente por algumas coisas do que por outras. Comum a todas elas é o fato de nenhuma nos saciar plenamente. Não há limite para o desejo humano. Estamos condenados ao mais. Diferentemente dos animais, o homem se recusa terminantemente a ser o que ele é.
É precisamente aqui que entra a experiência da morte: na experiência do limite. Na morte nos deparamos com uma situação que nos atinge visceralmente, que toca a totalidade de nosso ser. Diante da morte, a vida se torna pergunta. Enquanto para a satisfação do desejo dependemos de nós próprios, a morte nos aponta para uma situação diante da qual somos impotentes. A morte atesta a impossibilidade do controle humano sobre a vida.
A morte é a vivência humana que atinge o cerne da nossa existência. Na experiência da morte tomamos consciência da necessidade de salvação. A salvação necessariamente vem de fora. Ninguém é capaz de se salvar sozinho. Sempre somos salvos por alguém. Por que sentimos falta de salvação? Porque experimentamos nosso limite e reconhecemos não estarmos suficientemente fundamentados em nós próprios. Confrontados com a morte, nos percebemos necessitados do outro.
O Dia de Finados é o momento em que cada um se vê confrontado com o limite da existência humana. A consciência de que somos carentes de salvação, nos abre para a Transcendência. Não buscamos nossa salvação no vazio. Feito náufragos num rio, somente nos sentimos a salvo quando colocamos os pés na terra firme. A abertura para a Transcendência é na direção do Infinito. Somente um Absoluto é capaz de revelar-se a nós como suficientemente fundado para oferecer a salvação da qual somos carentes.
Reverenciar os mortos, no Dia de Finados, é um modo de fazer a experiência mais radical da existência humana. Nada nos toca mais profundamente do que a experiência do limite. Confrontados com a morte, tomamos consciência de nossa insuficiência. Carentes de salvação, nos abrimos para o Absoluto. O Dia de Finados pode transformar-se numa rica oportunidade de passarmos da superficialidade do cotidiano, onde tudo gira sem novidade, para a profundidade abissal de nosso interior e descobrirmos nossa radical carência de salvação. O Dia dos Mortos se tornará, então, no Dia dos Vivos: na descoberta do Outro Absoluto como único fundamento seguro para uma vida que não se extinguirá jamais.
* José Luiz Ames é doutor em Filosofia e professor da UNIOESTE/Campus de Toledo.
Colégio Americano Batista: uma abordagem psicopedagógica através da informática
by Francisco on domingo, 13 de julho de 2003
Dímona Rodrigues de Arruda / Juvanete de Lima Pereira
Maria de Fátima C. de Oliveira / Maria do Carmo Severina da Silva
Paula Regina A. do Nascimento / Valéria de F. Queiroz de Freitas
Waleska Loureiro da Silva
Introdução
Atualmente estamos vivendo numa sociedade onde calcula-se que já existem 11 milhões de computadores instalados no Brasil. Pelo menos 14 milhões de pessoas estão conectadas a internet.
Isto nos leva a acreditar que a escola deve tornar-se aliada do avanço tecnológico, para que os alunos possam utilizar-se também da informática no decorrer do processo ensino-aprendizagem.
Bossa tem toda razão quando diz que a "aprendizagem é responsável pela inserção da pessoa no mundo cultural" (2000, p.28). É por isso que acreditamos que a escola deve oferecer aos alunos a oportunidade de utilizar-se da informática para construir seus conhecimentos. Só assim a aprendizagem favorecerá a inserção dos alunos no mundo informatizados em que estamos vivendo.
Os computadores podem ser utilizados como excelentes ferramentas didáticas. A internet por exemplo, permite uma enorme integração entre as várias disciplinas. Pular de um site de Arte para um de História, e de lá para informações importantes para as aulas de Matemática e de Língua Portuguesa é extremamente simples. Na vida real todos se impolgam por estarem saindo da rotina, além de aprenderem também ensinam, já que é comum ver crianças e jovens orgulhosos porque são mais espertos que os adultos ( professores incluídos) na hora de operar um computador. Mas toda esta impolgação não é suficiente, é necessário que professores e alunos compreendam o sentido e a utilidade da informática para a construção do saber. Em outras palavras o que vale não é apenas possuir computadores em casas ou nas escolas, mais é preciso transformá-lo em uma modalidade da aprendizagem.
Bossa baseada na autora Alicia Fernandes, diz que "todo sujeito tem a sua modalidade de aprendizagem, ou seja, meios , condições e limites para conhecer" (2000, p.24). Neste caso, a informática é uma modalidade de aprendizagem, já que, ainda de acordo com Bossa "modalidade de aprendizagem significa uma maneira pessoal para aproximar-se do conhecimento e construir saber". (idem).
Tais afirmações de Bossa remete-nos lembrar Silva (1998), ela afirma que o cognoscente tem autonomia no processo da construção do seu conhecimento, e a informática ajuda este ser cognoscente nesta sua construção independente. Já que ao navegar pela internet podemos encontrar informações sobre diversos assuntos que o levará a pensar, refletir, elaborar conclusões e assim aprender.
Do ponto de vista psicopedagógico a escola pode utilizar-se da informática em suas abordagens. O colégio Americano Batista de Recife, é um exemplo disso.
O uso dos computadores na sala de aula tem ajudado jovens e crianças a superar dificuldades de aprendizagem e de relacionamento também. Na sala de aula, participam mais, se agitam, conversam, dão palpites. Tudo porque têm opinião, resultados da abordagem psicopedagogia que a escola possibilitou da informática, abordagem está que procuraremos mostrar em nosso projeto de pesquisa.
Hipótese de Trabalho
Esperamos, através desse projeto apresentar o desempenho dos alunos do colégio Americano Batista com relação aos conhecimentos adquiridos com a ajuda da informática aplicada no processo de ensino-aprendizagem.
A influência tecnológica na sociedade serve como um referencial dando suporte psicopedagógico para a integração das diversas disciplinas facilitando o trabalho interdisciplinar.
"O usuário da internet, por exemplo não significa apenas receptor de informações. Nela o usuário é , também, emissor de informações - acessar inúmeras bibliotecas em qualquer parte do mundo, também imagens, sons, fatos, vídeos - uma dimensão de tudo, transformando profundamente a forma como a sociedade se organiza e produz conhecimento (ANDRADE FILHO, 2003).
Por isso, a escola deve ser parte fundamental neste processo de avanço tecnológico, transformando também a sua forma de conduzir a construção do conhecimento.
Relevância da Pesquisa
Sabendo da importância desse conhecimento informatizado nas diversas áreas profissionais, conscientizamo-nos que precisamos inserir psicopedagogicamente a esses conteúdos uma dosagem de tecnologia no sentido de enriquecer e beneficiar a construção aprimorada, e a partir daí concretizar a possível atuação no processo de ensino-aprendizagem.
O uso de metodologias avançadas requer capacitação específica da área e para isso, deve ser organizada de modo a contribuir no âmbito da esfera de atuação.
Segundo Scoz, "a psicopedagogia estuda o processo de aprendizagem e suas dificuldades, e numa ação profissional deve englobar vários campos do conhecimento, integrando-os e sintetizando-os" (1992, p.2).
Objetivos
Objetivo Geral
Contribuir para a construção de novas práticas pedagógicas, que possibilitem a melhoria de aprendizagem, utilizando-se da informática como ferramenta de complementação metodológica.
Objetivo Específico
Ajudar os educadores a:
- Superar através de atividades propostas, possíveis dificuldades na atuação profissional informatizada;
- Vivenciar diferentes situações em que os educandos possam exteriorizar ( ou não) suas dificuldades.
Metodologia e Materiais
Baseado na observação de Maria Cecília Almeida e Silva, tomamos como referencial teórico a afirmação que o objeto da psicopedagogia é o ser cognoscente " o homem em processo de construção do conhecimento" ( SILVA, 1998 : 29). Então acreditamos que o aluno é um ser ativo na construção do conhecimento da informática. Mas a escola deve intervir psicopedagogicamente neste processo detectando os problemas e ajudando a supera-los.
Este projeto de pesquisa não tem como proposta solucionar as dificuldades de aprendizagem, e sim, contribuir para uma reflexão crítica da prática pedagógica do educador, possibilitando a construção de novas práticas que ajudem o educando a vencer suas dificuldades.
Quanto aos fins, a presente pesquisa servirá como suporte metodológico e será explicativa, porque o avanço tecnológico e o momento de globalização que vivemos tem levado a escola a procurar acompanhar o ritmo cada vez mais rápido das inovações e troca de informações vigentes, buscando atualizar-se frente aos novos recursos tecnológico a fim de inserir-se no tempo presente. Onde a informática deve ser analisada numa perspectiva psicopedagógica.
Quanto aos meios de investigação, a pesquisa será bibliográfica e de estudo casos. Bibliográfica, porque está baseada em livros e revistas.
Estudo de casos, porque está voltada ao processo da utilização da informática na escola.
Referencial Teórico
- Livros
- Revistas
- internet
- Entrevista
- Vídeos
Resultados Esperados
Supõe-se com esse projeto um meio decisivo para o intercâmbio de docentes e discentes no campo informatizado, onde a construção envolverá os diversos segmentos empreendedores que servirão de suporte para uma abordagem psicopedagógica.
Esperamos ainda transformar nossa pesquisa num documentário de apoio para aqueles que por ventura subsidiarão desse conhecimento tecnológico, transformando a Escola num espaço construtor de saber, onde o aluno deve ser o sujeito na construção desse conhecimento e de sua própria autonomia. " O homem pluridimencional", como defende Silva (1998, p.30). Neste sentido sugerimos a realização de seminários onde contaremos com a presença do Professor Francisco A.Andrade Filho da Universidade Salgado de Oliveira.
Bibliografia
- ANDRADE FILHO F. A. DE. " Educação e poder: formação do professor brasileiro e mercado de trabalho na atual sociedade informatizada", in: Francisco Antônio de Andrade Filho. Filosofia e Epistemologia em Debate. Disponível em . Acesso em 10 Maio 2003.
- BENCINI, Roberta. " Da informação ao conhecimento". Revista Nova Escola. 153 ed., São Paulo, Junho/ Julho, 2002, p.16 a 21.
- BORTOLANZA, Maria Lourdes. " Pedagogia Crítico Social", in: Maria Lourdes Bortolanza. Insucesso Acadêmico na Universidade - Abordagens Psicopedagógicas. Erechim / RS: EdiFAPES, 2002: 29 a 38.
- BOSSA, Nádia A. " Fundamentos da Psicopedagogia", in: Nádia A. Bossa. A Psicopedagogia no Brasil- Contribuição a partir da prática, 2ª edição, Porto Alegre: Artes médicas Sul, 2000: 17 a 23.
- OLIVEIRA, Vera Barros de. Informática em Psicopedagogia. 5ª ed., São Paulo: Senac, 1999.
- SCOZ, Beatriz Judith Lima & RUBINSTEIN, G. ( ? ) Psicopedagogia - O caráter interdisciplinar na formação e atuação profissional. Porto Alegre, 1990.
*Projeto de Pesquisa apresentado à Universidade Salgado de Oliveira - UNIVERSO, Recife - PE. Orientador: Francisco Antônio de Andrade Filho.
José Luiz Ames
Vemos a palavra "política" empregada para descrever situações completamente opostas. Por vezes, é utilizada para indicar uma atividade própria de certos profissionais: os "políticos". Outras vezes, diz respeito à organização e administração de grupos: os "partidos".
O que há de comum aos dois sentidos? Em ambos, a política aparece como algo distante da vida das pessoas. É uma atividade exercida por indivíduos, os "políticos", que através dos partidos se ocupam exclusivamente disso. A política é feita "por eles" e não por "nós". Ela aparece como um poder distante e exercido por pessoas diferentes dos cidadãos comuns. Por isso, aqueles que a realizam, os "políticos", são vistos como interesseiros, isto é, indivíduos que falam do bem comum, mas se preocupam de fato com o bem particular.
Essa imagem da política como um poder do qual somos vítimas condescendentes, contradiz tudo o que os grandes pensadores escreveram sobre o assunto. Por que os homens inventaram a política? Certamente, não para preencher esta finalidade que o senso comum lhe atribuiu.
Em primeiro lugar, a política foi inventada para regular os conflitos entre os homens. Somos diferentes e temos interesses e visões de mundo divergentes. A política foi inventada para permitir que expressássemos essas diferenças sem causar a destruição uns dos outros. Em segundo lugar, toda sociedade está internamente dividida. Esta divisão nasce das diferenças entre os indivíduos. Por isso, a política foi inventada para servir de instrumento de discussão e deliberação conjuntas daquilo que diz respeito a todos.
O que me leva a escrever sobre esse tema? Talvez alguns lembrem das reflexões que publiquei um tempo atrás numa coluna dominical nesta mesma "Gazeta de Toledo" sobre o pensamento de Maquiavel. Muitas pessoas me disseram que esses artigos as fizerem pensar sobre o lugar do cidadão e a tarefa política. Para esses leitores, o jornal é praticamente a sua única leitura e apreciaram a idéia de encontrar uma fonte de formação, ainda que restrita a um domínio específico, a política. Dada minha natureza falha, cedi à vaidade de inspirar a meditação dessas pessoas.
Desta vez quero trazer algumas contribuições não apenas de Maquiavel, mas dos maiores pensadores políticos da história, desde a Antigüidade até os dias de hoje. A finalidade dessas contribuições é auxiliar, ainda que modestamente, na formação da consciência política. Pretendo mostrar que, por um lado, não há como nos livrar da política. Mesmo quando nos isolamos e nos recusamos a participar de tudo o que tem cunho político, fazemos política. Ao deixarmos que os "outros" façam a política à sua maneira contribuímos para que continue tal como ela é. Por outro lado, quero deixar clara a idéia de que o único modo de opor-nos às práticas deploráveis dos "profissionais da política" é através da própria política, isto é, fazendo política.
Não tenho a pretensão de "ensinar política" com estes breves artigos semanais. Embora confesse ter cedido à vaidade, não perdi a modéstia. A política é uma prática e todos sabemos que a prática é aprendida muito mais com exemplos do que com teoria. Meu propósito é provocar uma reflexão sobre a prática a partir das lições dos clássicos do pensamento político. Estou convencido de que eles nos ajudarão a desmascarar os motivos que se escondem atrás da apropriação da política por alguns profissionais especializados. Com isso, penso ser possível desfazer a idéia negativa. Igualmente, acredito que os clássicos serão um guia seguro para formarmos uma consciência cidadã, construindo uma idéia positiva da política.
* José Luiz Ames é doutor em Filosofia e professor da UNIOESTE/Campus de Toledo.
Américo Garcia Freire Magalhães
Deise Raposo
Márcia de Araújo Ferreira
Maura Barbosa Nogueira de Oliveira
Richelle Vilarino Medrado
Partindo de uma perspectiva voltada para investigação, prevenção e tratamento dos problemas de ensino-aprendizagem, em meio a realidade, com toda a eficácia da tecnologia e os vários campos da ciência, a Psicopedagogia em inter-relação com a Filosofia, começa a “indagar, questionar e problematizar” (ANDRADE, p.5) tudo aquilo que o senso comum considera moderno e em sua ingenuidade deixa passar por despercebido.
Segundo Andrade Filho, através da Filosofia “Apelamos à uma reflexão crítica. E produzimos um tipo de saber, indo racionalmente às raízes das realidades”. Sendo assim a Filosofia assume a característica de uma ferramenta importante para a Psicopedagogia, pela sua natureza de colocar tudo em destaque e direcionar, através da “lógica” (ARISTÓTELES), o caminho a ser percorrido objetivando a solução e prevenção de problemas no meio acadêmico.
O novo mundo globalizado entra em choque com o passado, o que dificulta a formação do cidadão. O homem em meio as mudanças sofre com a modernidade, mas a filosofia através do seu “olhar” questiona o problema Psicopedagógico, “esse não do sentir e simbolizar , para tornar-se produto comercial de circulação”(ANDRADE, p.7).
Pode-se observar que os avanços e problemas na nova sociedade são originados pela ciência e tecnologia, seguindo um raciocínio lógico, não existiria a globalização sem o avanço científico e tecnológico. A epistemologia em uma atitude filosófica, vai a fundo no estudo crítico dos princípios, hipóteses e resultados das ciências já constituídas e suas técnicas, levando em conta o benéfico que pode trazer para o homem e seus riscos quando mal utilizada; evitando que a ciência imponha seu poder nas sociedades industrializadas sem nenhum exame crítico-epistemológico. Pode-se considerar utópico o ideal da “ciência pura e neutra”(ANDRADE, p.35) ao observar suas causas e efeitos em meio a um mundo tecnoglobalizado.
Em se tratando de conhecimento científico, pode-se afirmar que esse saber é construído por meio da experiência adquirida pelo homem, ser histórico, na transformação do meio visando uma melhor adaptação, sendo que “hoje em dia, é considerado um conjunto de conhecimentos metodicamente adquiridos, mais ou menos adquiridos, sistematicamente organizados e suscetíveis de serem transmitidos por um processo pedagógico de ensino”(ANDRADE, p.38), mediado através de recursos pedagógicos, servindo de base para o surgimento de novos conhecimentos. Observa-se portanto a importância do Psicopedagogo na função preventiva dos problemas relacionados a educação.
A Psicopedagogia na tentativa de explicar os problemas educacionais da realidade, usa da lógica filosófica, para poder construir o conhecimento através da dialética como guia para a investigação, organizado pelos “clássicos da filosofia”(ANDRADE, p.41), pensando o homem, a natureza e o próprio conhecimento.
Atualmente “o mercado de trabalho se amplia para o pedagogo, que poderá exercer suas funções não só no contexto escolar, mas também no setor de Recursos Humanos das empresas”(ANDRADE, p.86). A pedagogia por ser a “Ciência da Educação”(ANDRADE, p.86), embasada em conhecimentos da filosofia de vida, é atraída pelo empresarial que objetiva o êxito, no atual mercado de trabalho, pela necessidade de melhor gestão dos Recursos Humanos.
Segundo Andrade Filho, “a sociedade atual é caracterizada pela era do conhecimento e do processo de globalização das novas tecnologias de comunicação”. O enfoque filosófico de uma prática pedagógica, permite mostrar os “desafios da pedagogia nos dias de hoje é ter acesso à concepção de globalização como prática”(ANDRADE, p.101), “a produção biopolítica”(ANDRADE, p.101) em meio a sociedade tecnoglobalizada e como questão central, a formação do “educador para o novo mercado de trabalho”.(ANDRADE, p.101)
“O trabalho constitui-se um fenômeno básico para se compreender a educação”(ANDRADE, p.110). É através do trabalho que o homem vem desde o princípio transformando a natureza para sua adaptação. Este somatório de experiências que são acumuladas a medida em que o homem produz sua existência, resulta no conhecimento.
A nova sociedade estando exposta constantemente em um processo de mudança, surgem ideologias que “é sempre uma tentativa de racionalização, ou seja, de organização coerente em termos de razão social, dos fatos e dos valores”(ANDRADE, p.113).
A escola, como função social, reproduz e oficializa nas vidas dos estudantes a ideologia proposta pela sociedade. Ideologia esta que “afirma e nega; expressa verdade das realidades numa imagem invertida. Ela as oculta, oferecendo aos homens uma representação mistificada do sistema social, para mantê-los em seu “lugar” no sistema de exploração de uns pelos outros”(ANDRADE, p.114).
Percebe-se atualmente que várias pessoas contribuem que nada evolua pela simples ideologia “de não ter problemas”. Portanto, no ambiente educacional, tenta-se fazer com que o estudante seja acima de tudo cidadão atuante e modificador do meio, interagindo e protestando contra o sistema “repressor” que alega ser “democrático.
Conclui-se segundo Bortolanza que a Psicopedagogia em inter-relação com a Filosofia, tem como início para a investigação dos problemas psicopedagógicos do insucesso acadêmico, o “confronto entre o mundo teórico e a práxis universitária”(2002, p.29). Observa-se com esse contraponto que “é possível compreender e projetar o mundo que se quer”(2002, p.29). Para que isso ocorra é necessário buscar “um entendimento do ser humano como ser histórico, o que significa questionar-se sobre suas intencionalidades e não apenas problematizar, discutir, saber.”(2002, p.29)
Ainda de acordo com Bortolanza, “Na dialética entre aprendizagem e avaliação, coloca-se a aprendizagem sob o ponto de vista do desenvolvimento do ser humano e a avaliação como ato crítico de reorientação e construção de possibilidades.”(2002, p.35)
Referências Bibliográficas
ANDRADE FILHO, Francisco Antônio de. Filosofia e Epistemologia em debate, p. 5, 20, 6 - 8, 34 - 36, 38 - 40, 41 - 43, 86 - 88, 101 - 103, 110 - 112, 113 – 115. Disponível em http://www.orecado.cjb.net>. Acesso em 26 de julho de 2003.
BORTOLANZA, Maria de Lourdes. “Pedagogia crítico-social”, in: Maria Lourdes Bortolanza. Insucesso Acadêmico na Universidade. Abordagens psicopedagógicas, Erechim/RS: 2002, 29 a 38.